Abcdefghijklmnopqrstuvwxyz
15 de outubro de 2007 | Publicado na Categoria Artes, design e arquitetura, Livros e afins | 6 Comentários »Encontrei uma coisa muito legal no Creative Think, sobre criatividade. O editor do blog explica que certa vez perguntaram a um artista, Jasper Johns, sobre o que era o processo criativo.
Ele respondeu que ele se dá quando você toma algo e faz alguma coisa com isso. E, depois, faz outra coisa com o resultado. E, depois, outra. Depois de um tempo nessa atividade, você talvez tenha algo.
Então o editor, Roger Von Oech, lembra com isso de um anúncio que certa vez ele viu e que, aqui, traduzo muito livremente:
abcdefghijklmnopqrstuvwxyz
Na biblioteca mais próxima isto está combinado de modos que podem fazer você rir, amar, odiar, se espantar, pensar e entender.
É espantoso ver o quê estes 26 pequenos símbolos podem fazer. Nas mãos de Shakespeare eles se tornaram Hamlet. Mark Twain moldaram-nos em Huckleberry Fin. James Joyce revirou-os em Ulisses. Gibbon fez com eles Declínio e Queda do Império Romano. Milton esculpiu Paraíso Perdido.
A criatividade pode vir dos recursos mais simples e escassos.

O processo criativo é muito pessoal para ser “generalizado”, posso surgir dos mais diversos meios. A partir de uma situação, uma emoção, um “estralo”.
Realmente os 26 símbolos, nas mãos certas, podem fazer milagres.
Adorei.
Talvez uma das maiores utopias seja imaginar a fronteira do processo criativo. Todos que tentaram, esbarraram apenas na parede de suas próprias limitações.
Quanto aos 26 símbolos, cabe fazer um paralelo, para contribuir com a ilustração desse potencial criativo, com as 7 notas musicais, ou as cores primárias. A capacidade que a criatividade humana tem de fracionar e moldar esses elementos é impressionante.
E o mais incrível é que nós, leitores, ouvintes ou apreciadores de uma obra de arte, podemos contribuir com esse processo dando uma leitura pessoal e inteiramente nova. Ou seja, o processo criativo nunca cessa.
Grande abraço!
Acho que o Mario Castro esgotou o assunto no excelente comentário acima. Vale lembrar que as sete notas musicais na verdade são doze, se considerarmos os sustenidos e bemois e as cores primárias se multiplicam se considerarmos as secundárias. Só confirma o que ele mesmo concluiu, o processo criativo nunca cessa.
Oi Alessandro:
Escrevi algumas coisas que foram pra o buraco negro da Internet. Ah, isto não importa. ” A criatividade pode mesmo vir dos recursos mais esparsos.”
Vc disse tudo.
Beijos.
Anna
Exatamente. É tão fácil de se acostumar à língua na qual somos alfabetizados que esquecemos dos primeiros meses da primeira série onde tudo gira em torno das vogais e consoantes e, não raro, passamos a enxergar apenas palavras e frases.
Obs: Quando digo “nos”, estou tratando de eu e minha sombra.