A polêmica da biografia proibida de Roberto Carlos
8 de maio de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 18 Comentários »Pessoalmente não costumo escutar nenhum cantor com ombreiras maiores que um armário, mas se você é fã devo lembrar que baixar esse tipo de material além de ferir os direitos autorais fere uma decisão da justiça. Afinal a circulação da biografia nas lojas foi probida.
Decisão que, aliás, vem sendo largamente questionada, como nesse artigo de Cora Rónai sobre o caso.
Neste domingo, o Fantástico soltou uma matéria sobre a questão das biografias proibidas. Mas, como Roberto Carlos é contratado da Globo pegaram leve com ele, embora a mensagem tenha sido claramente ao caso dele dirigida.
A reportagem incluiu uma entrevista com Paulo Coelho – que mostrou-se bastante lúcido em suas declarações (embora tenha um jeito meio engraçado de falar) – e uma entrevista com Fernando Morais – autor das biografias de Olga Benário e Assis Chateaubriand e que agora prepara uma biografia do autor de O Diário de um Mago. O acordo entre autor e retratado, pelo que foi dito, é o livre acesso a informações e, ao mesmo tempo, a ausência de necessidade de leitura de originais.
A matéria lembrou ainda do caso de A Estrela Solitária – biografia de Ruy Castro, sobre Garrincha – que enfrentou dificuldades com a família do jogador.
Lamentei que a entrevista com o Paulo – autor de um perfil de Manoel Bandeira – não tenha ido ao ar, embora realizada. O livro do Paulo já está impresso e armazenado, também proibido de circular. Diga-se de passagem que nele não há nada de bombástico ou revelador ou polêmico. Ele é tão somente correto e estudado. Mas ao que parece, a editora vai ceder às vontades dos advogados da família do poeta.
Em seu texto, Cora Rónai destacou um artigo de Paulo Coelho sobre o “caso biografia de Roberto Carlos” e, apenas por não gostar dos livros desse autor, eu teria de ser muito tacanho para não destacá-lo também.

Um dia desses vou baixar essa biografia, estou curioso para saber o que tem de tão chocante para Roberto Carlos chegar ao ponto de proibir a publicação.
Alê, a questão aqui é bem polêmica. Observo as duas vertentes.
Preocupa-me a invasão da privacidade ou intimidade de alguém, considerando aqui a primeira das direções. Uma inverdade propagada pode trazer muitos prejuízos para o alvo da mentira. E isso deve ser levado em conta.
Por outra, há que se reconhecer que uma figura pública como Roberto Carlos, que alcançou os pícaros da glória mais pela sua controlada exposição do que pelo talento vocal, não tem assim tantos direitos a serem resguardados em termos de imagem. O biógrafo é um tipo de historiador, partindo de profunda pesquisa para alcançar o tom da narrativa a que se propõe. Pelo que li a respeito, o autor baseou-se em documentos públicos e depoimentos de pessoas do relacionamento de Roberto Carlos. Se fez tal pesquisa, limitando-se aos resultados dela aferidos, a proibição de circular que tocou ao livro é, em verdade, nada menos que supressão da liberdade de expressão. E nisto reside a principal linha da segunda corrente ideológica, à qual me filio por entender que o cantor é, antes de tudo, uma personagem pública.
Abraços.
Não deve ter nada demais esse livro ae…
Pode ser algum tipo de plano para eles ser lembrado em uma época diferente do Natal e do Ano Novo.
As questões que envolvem privacidade não são simples. Mas neste caso esta evidente o exagero do Roberto. Não li a reportagem mas pelo que pude saver a bibliografia é elogiosa, e não possui grandes revelações.
Agora… queimar os livros… isso dá uma dorzinha no coração, não? rs
um abraço
Vão queimar mesmo os livros? Abraço!
Não tem nada demais, TV… se for por isso nem perca tempo. Abraços!
Bem, Mário, se há algo que atente contra a pessoa – injúria, por exemplo – processe o escritor ou a editora. Mas isso não é motivo para tirar o livro de circulação. O Fernando Morais observou bem que há nas livrarias estadunidenses umas 15 biografias de Jaqueline Onassis. Dentre essas deve haver quatro ou cinco que digam inverdades e das quais, na época em que era viva, ela não tenha gostado. Nem por isso estão fora de circulação… Abraços!
Sim, Anderssauro… ele é uma espécie de Papai Noel fanho… Abraços!
O destino físico – queimados ou reciclados – não me preocupa tanto, Maga. Pior é o destino ético. Beijos!
Lika, como eu dissse para a Maga, o destino físico não me preocupa tanto – queimados ou reciclados – não me interessa tanto. O pior é o destino ético.
Beijos!
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Vou ler. Vou ler. Ao menos as partes com erotismo… (gargalhada)
Abraço.
Paulo, o site A Casa do Galo disponibilizou um novo link, meu Caro. Abraços!
E eu acho que ele deve ter pego bem leve nessa parte, Rui… sabe lá o que acontece… Abraços!
Eu não concordei muito com essa idéia de ele proibir a comercialização do livro. Agora só falta ele dar uma de Cicarelli e querer proibir os sites que estejam oferencendo links ou então vendendo pela internet. Lamentável.
Parece que estamos entrando em uma nova era da informação pessoal. Acho que, depois que algo se instala em definitivo, não dá para julgar como bom ou ruim. É necessário se adaptar para tornar a coisa mais humana possível. Ele, por exemplo, se não tivesse tocado no assunto, em um ano essa biografia já teria sido esquecida. Agora, vai virar referência histórica. Beijos do Ale, Fabiana.