A publicidade às vezes (sempre?) aposta no medo de rejeição

Outro trecho do livro Freakonomics, de Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner:

O Listerine, por exemplo, foi inventado no século XIX como um eficiente anti-séptico cirúrgico. Mais tarde foi vendido, na forma destilada, para limpar o chão e curar gonorréia. Porém só se tornou um sucesso retumbante, nos anos 20, quando foi louvado como solução para a “halitose crônica” – então um obscuro termo médico para mau hálito. Os novos anúncios do Listerine mostraam jovens dos dois sexos, ansiosos para casar, mas que perdiam essa vontade diante do fétido hálito de seus parceiros. (…) Até então, não se convencionara achar o mau hálito uma catástrofe de tal monta, mas o listerine produziu essa mudança.

Perceba: o mau hálito, ou halitose, sempre existiu. O medo de rejeição por conta dele, caso se viesse a adquiri-lo é que foi fomentado.

Como escreveu o estudioso de propaganda James B. Twichell: “O Listerine foi mais responsável por promover a halitose do que a higiene bucal.” Em apenas sete anos, a receita da empresa subiu de US$ 115 mil para mais de US$ 8 milhões.

Quanto você ouvir falar de novas doenças ou problemas fique atento. Nunca se sabe quando esse é um problema real ou um filão em que alguém resolveu garimpar.

Mudando de assunto – mas, de certa forma, ficando nele -, essa história faz lembrar do vídeo sobre educação que postei recentemente, em que o palestrante se refere ao Transtorno de Déficit de Atenção que, na década de 30, ainda não era comercializado.

As pessoas não sabiam ainda que podiam ganhar dinheiro com isso.

Para garantir, vou ali escovar os dentes, passar um fio dental, bochechar com Listerine e já volto.

Postado em Minhas leituras.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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