A peneira de Sócrates

Não sei se este diálogo é verdadeiro – isto é, se Sócrates realmente o teve com seu discípulo. Portanto, ao contá-lo a você, já não passaria ele pelo primeiro crivo de que ele mesmo fala. Porém, passa pelos outros dois. Portanto, acho válido reproduzi-lo por aqui. Encontrei-o no blog de Letícia Braga:

Certa vez, um discípulo esbaforido achegou-se ao grande filósofo e sussurrou-lhe aos ouvidos:

- Escuta Sócrates… Na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular…

- Espera!… – Ajuntou o sábio prudente – Já passaste o que vais me dizer pelos três crivos?

- Três crivos? – Perguntou o visitante espantado.

- Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles.

- O primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto àquilo que pretendes comunicar?

- Bem… – Ponderou o interlocutor. – Assegurar mesmo, não posso… Mas ouvi dizer e… então…

- Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade.

- Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bom o que me queres contar?
Hesitando, o homem replicou:

– Isso não… Muito pelo contrário…

- Ah! – Tornou o sábio – Então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.

- Útil?!… – Aduziu o visitante ainda agitado – Útil não é.

- Bem… – Rematou o filósofo num sorriso…

- Se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que de nada valem casos sem edificação para nós!…

Aí está, a famosa peneira de Sócrates, se nos habituarmos a usá-la todos os dias, certamente estaremos caminhando para o aprimoramento das nossas relações interpessoais.

Postado em Qualidade de Vida.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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