Encontrei este trecho no livro Assombro, de Chuck Palahniuk:
- Na Roma antiga, o “editor” era o sujeito que organizava os jogos sangrentos no Coliseu para pacificar e unir o povo. É daí que vem a palavra “editor” – diz a Irmã Vigilante. – Hoje em dia, nosso editor planeja o cardápio de assassinato, estupro, incêndio e assalto na primeira página do jornal diário.
Não basta que novas tragédias aconteçam a todo instante. É preciso que toda a potencialidade dessas tragédias seja aproveitada. E por isso elas devem ser selecionadas e ordenadas do sangue menos rubro para o mais rubro ou através de algum outro critério menos estético.
Uma tragédia como a de ________________ (preencha com a última tragédia largamente explorada pela mídia e celebrada em tom de solidariedade tosca no Orkut) só serve para fazer com que as pessoas esqueçam dos problemas que realmente importam – os seus – e se preocupem com os problemas que não importam.
Acima de tudo, para fazê-las esquecerem que a vida, 99,9% das vezes, não é composta de tragédias.










