Adoro este formato com apenas um texto por página e adoro também o link “continue a ler”.
Sou eu contra os outros 100 milhões de blogs e contra seus respectivos autores. Mas eu detesto o formato habitual dos blogs. Sei lá por quê. Possivelmente porque banaliza e desvaloriza os textos individualmente, empilhando-os como se cada um não tivesse sua importância, ainda que pequena. Não sei. Talvez descobrir isso faça parte da minha incrível jornada de autoconhecimento ou, então, de minha pequena horta de neuroses, mas é fato.
Achei genial quando encontrei esse tema do WordPress, o Simplr, projetado para abrigar apenas um artigo na página inicial. Você pode fazer diferente e configurar para mais de um, mas por que mudar a perfeição? A outra opção seria o Hemingway.
No futuro, talvez eu adote um formato um pouco mais próximo do padrão. Mas o futuro a si pertence. O fato é que, pensando também na leveza da página, com exceção dos textos que importei do Cracatoa, passei a adotar, nos mais longos, a prática do “continue a ler”.
Logo descobri, por um comentário, que muitas pessoas podem ficar desagradadas com ele. Agradeci a sugestão de aboli-lo e ainda troquei alguns e-mails com seu autor que é especialista em usabilidade. Ele inclusive fez um post em seu blog para certificar-se da acuracidade do conselho que me deu e ao qual sou muito grato.
De início, as opiniões ali expostas nos comentários de seus inúmeros visitantes me deixaram seriamente inclinado a abandonar o uso do “continue a ler”. E tais reações, algumas delas bastante irritadas em relação ao clique a mais, provocaram dúvidas não apenas em mim, mas também em outros autores.
Mas decidi pensar mais um pouco sobre o assunto antes de tomar uma decisão que, de qualquer forma, não é das que se enquadra na categoria das definitivas, na das importantes ou mesmo nas de ambas.
E entendi que o “continue a ler” é uma forma de selecionar meus leitores e facilitar a sua escolha pela leitura de meus textos ou não. Não entenda errado, por favor. Não quero dizer selecionar no sentido de bons para cá, ruins para lá, como naquela lenga-lenga cruel da escolha dos times de futebol no primário.
É mais com o significado de facilitar a vida daqueles que não ficariam agradados com o que eu escrevo, em sua forma e conteúdo.
Assim, essas pessoas, ao verem o “continue a ler”, rapidamente saberão que trata-se de um texto longo e que, uma vez que não terão paciência e força vital para clicar em um link a mais, muito possivelmente não vão suportar o meu rame-rame e meu longo ruminar nem sempre agradável sobre as palavras.
Poderão elas assim seguir adiante em suas navegações, indo sites mais agradáveis. O Cool Hunter, por exemplo, que eu adoro.
Se por um lado, nessa massa que prefere a rolagem da tela ao “continue a ler” – e que parece ser a maioria -, eu perco potenciais leitores que poderiam se juntar aos seis ou sete que já simpatizam comigo, por outro eu não corro o risco de atrair pessoas capazes de nutrirem sentimentos de repulsa, nojo e até raiva a partir de um simples clique a mais. Não sei se quero leitores assim por aqui. Afinal do que seriam capazes ao reagir a questões mais sérias e pessoais?
Mas também quero que elas entendam que isso não é pessoal. Assim como sei que o fato de elas não clicarem também não é.
Não considero que o “continue a ler” seja exatamente um desafio para quem realmente está interessado naquilo que vem adiante no texto. Se os primeiros parágrafos foram capazes de despertar esse interesse ou não é outro mérito.
Portanto, para encerrar e para não lançar mão de mais um “continue a ler” por aqui, digo que a página inicial continuará com apenas um artigo e, se necessário e possível, com o “continue a ler”.
Para contentar a todos, os arquivos mensais têm todos artigos do respectivo mês, de maneira que a rolagem de tela pode ser usada largamente. E, sim, meu feed é publicado completo.
Prometo não voltar a tocar nesse assunto ao qual, a julgar pelo tamanho deste texto, já dei excessiva importância.
Obrigado por continuar a ler.











