A internet melhorou o relacionamento das pessoas com a palavra escrita, seja no seu consumo, seja na sua produção.
Diante do mar de erros de Língua Portuguesa que encontramos em tantos blogs, fotologs, orkuts e congêneres, parece ridícula tal afirmativa.
Mas é o escritor Cristóvão Tezza – que também é professor da UFPR e um estudioso de lingüística -, em uma entrevista para o jornal literário Rascunho, quem diz.
Considero um total equívoco dizer que a internet faz com que os jovens escrevam de forma errada. No Brasil, por exemplo, saímos de uma era da televisão, que era totalmente ágrafa (vendo televisão, você não vê uma palavra escrita, só ouve). (…) O advento da internet foi uma explosão brutal no sentido contrário – qualquer página que você abre na internet está cheia de coisas escritas. Ou seja, a palavra escrita voltou para o palco. As pessoas estão voltando a escrever – chats, e-mails, blogs, etc. A escrita passou a ser o mediador de toda a comunicação, de todo o processo de informação. A palavra escrita voltou com toda força. É um absurdo encarar a internet como um problema. (…) Na minha experiência ao corrigir redações do vestibular da UFPR, em mais de 20 mil textos, não se encontra sequer uma abreviatura utilizada na comunicação na internet. (…) Acho que a internet está exigindo que as pessoas tenham de escrever cada vez melhor. A escrita voltou a ser um valor social. E quando isso acontece, todas as forças começam a trabalhar nessa direção.
Confesso que até então eu não havia pensado nisso. De fato, o miguxês e outras variações menos aprazíveis do idioma escrito deixavam-me um tanto pessimista.
Então, temos na internet um ambiente que nos obriga a ler e, se quisermos ser mais ativos no processo, a escrever.
A editora do blog Pensamenteando, Jacqueline Lafloufa, por outro lado, terminou a sua Pesquisa Sobre Hábitos de Leitura Contemporâneos e chegou a interessantes conclusões.
Com 314 participantes, ela observou que muitos – sobretudo aqueles que costumam usar leitores de feeds – já afirmam que lêem mais no computador.
Embora todos concordem sobre o desconforto de se ler na tela – e isso é uma conclusão baseada em observações minhas -, esse dado levantado por Jacqueline já demonstra uma pré-disposição para aceitar melhor novos suportes para a leitura.
Tanto mais quando e-books forem aperfeiçoados no que diz respeito a conforto da tela, design, compartilhamento e compatibilidade.
Apoiado nesses dados, sou capaz de apostar que em cinco anos, talvez menos, os livros físicos terão um convívio tão comum com os leitores eletrônicos quanto o que temos hoje entre discos de vinil, CDs e arquivos mp3.
A editora também é otimista quanto ao proveito da internet.
(…) é possível desmitificar algumas considerações generalistas que são feitas erroneamente em relação a internet e aos usuários. O contato desde cedo com o mundo web, se feito com supervisionamento, é enriquecedor. Apesar de acessar sites considerados improdutivos ou inúteis, os usuários têm sim consciência e conhecimento para procurar informações proveitosas.
E, certamente, para encontrar essas informações, será necessário dominar mais ou menos bem a linguagem escrita.
Pois, por enquanto, o Google não desenvolveu nenhuma ferramenta que desempenhe buscas baseadas em macaquices feitas diante de uma webcam.












