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A importância dos livros de capa mole

4 de fevereiro de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 19 Comentários »

Estava justamente a ler Bilhões e Bilhões, de Carl Sagan, que em diversos de seus capítulos tem como tema o aquecimento global e outros assuntos espinhosos como o aborto. Foi bom continuar a leitura, interrompida nos últimos capítulos, pois no final do livro encontrei uma passagem que ao mesmo tempo permite-me mudar o rumo da conversa e voltar para o tema central deste site, os livros.

No penúltimo capítulo de Bilhões e Bilhões, Sagan discorre sobre as três grandes inovações pelas quais o século XX será lembrado pelas próximas gerações:

  1. Meios sem precedentes de salvar, prolongar e intensificar a vida;
  2. Meios sem precedentes de destruir a vida, inclusive pondo a nossa civilização global pela primeira vez em perigo;
  3. E percepções sem precedentes da natureza de nós mesmos e do universo.

Chamou-me positivamente a atenção o fato de, no primeiro item, ele incluir o seguinte:

O surgimento dos livros de capa mole no mercado de massa na década de 40 fez com que a literatura mundial e as percepções de seus maiores pensadores, presentes e passados, entrassem na vida das pessoas comuns. E mesmo que o preço dos livros de capa mole esteja em alta nos dias de hoje, há ainda grandes pechinchas, como os clássicos de Dover Books a um dólar por volume. Junto com o progresso na alfabetização, essas tendências são as aliadas da democracia jeffersoniana.

O livro de capa mole é também conhecido como paperback ou brochura. Mas, no mesmo parágrafo, ele continua:

Por outro lado, o que passa por alfabetização nos Estados Unidos no final do século XX é um conhecimento muito rudimentar da língua inglesa, e a televisão, em particular, tende a seduzir a massa e afastá-la da leitura. Em busca do lucro, ela imbecilizou a sua programação nivelando-a por baixo – em vez de elevar o padrão para ensinar e inspirar.

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19 Comentários para “A importância dos livros de capa mole”

  1. leanDrow - 4 2 2007 às 14:15

    O meio pode te influenciar, mas você pode influenciar o meio.

    A TV pode sim dispersar a atenção das pessoas, mas se você quer ler um livro, e principalmente gosta, não é a TV que vai te impedir.

    De qualquer maneira, pensando bem, vamos ser egoístas. Afinal se todo mundo lesse, fosse bem informado, o mundo seria muito mais complicado e competitivo do que já é. Que seja assim, então.

    Resposta: É verdade. Embora eu possa lembrar de um ou dois programas de tevê infantis que me deixaram curiosos acerca de livros e outras atividades mais enriquecedores e “inspiradoras” nos termos que Sagan apresenta…

    Abraços!

  2. Paulo Polzonoff Jr - 4 2 2007 às 15:30

    Adorei o serviço deste post. Compare preços de livros sobre analfabetismo funcional foi o fino.

    Eu cheguei à conclusão tardia de que alta literatura é coisa para poucos, pouquíssimos. Sempre foi e sempre será. Que os vulgos fiquem com Harry Potter, pois.

    Gosto de vir aqui na sua casa, meu caro.

    Resposta: Eu acho que vou começar a brincar mais com o “serviço”, pode ser um conteúdo a mais, um toque a mais de ironia e humor e ainda conduzir as pessoas para a página de comparação de preços o que, financeiramente, é bom para mim :-)

    Bem… você sabe que é sempre bem-vindo!

  3. Lucas Nápoli - 4 2 2007 às 16:32

    Alessandro, então, pelo visto, não é só no Brasil que as pessoas não têm o hábito de ler (como propagado pelas vítimas do complexo de vira-lata)…

    Outra coisa: nunca tinha parado pra pensar no impacto dos livros de capa mole. O passo evolutivo posterior à invenção desses foi o livro de bolso, o conhecido pocket. Esse, sim, mais democrático que nunca…

    Um abraço!

    Resposta: Não sei qual é o grau desse problema por lá e talvez o Sagan tenha parâmetros mais altos, mas a julgar pelas sátiras – Simpsons, por exemplo – a coisa também não é muito bonita… é uma pena que mesmo os pocket books não sejam assim tão baratos e mesmo os sebos estejam meio careiros hoje em dia… mas não há como negar que tanto os bons livros como os maus se democratizaram dessa forma…

    Abraços!

  4. Rosana O. - 4 2 2007 às 17:36

    livros, livros a mancheia…
    e Paulo, é melhor ler Harry Potter do que ler livro nenhum…. leia, se ainda não leu.
    fantasia não faz mal….

    Resposta: Oi, Rosana,

    seja bem vinda…

    Creio que o Paulo tem uma teoria interessante sobre livros como Harry Potter e outros servirem de trampolim para outras leituras…

    … de qualquer forma, como já disse aqui em algum lugar, meu primeiro livro “adulto” foi Tubarão e, depois, O Outro Lado da Meia Noite… depois que um livro cai na mão de uma pessoa ninguém sabe o que pode acontecer, realmente…

    Beijos!

  5. Hugo Sousa - 4 2 2007 às 22:10

    Comentando a parte inicial do post, sobre o aborto, em Portugal neste momento decorre um referendo sobre o mesmo, no qual eu votarei positivamente quanto à sua liberalização :) quanto aos livros de “capa mole” foi novidade para mim, comentando o comentário do leanDrow se me permite, se todo o mundo lesse e fosse informado o mundo certamente seria muito melhor do que é hoje, eu pessoalmente não gosto de viver num mundo de analfabetos mas sejamos realista, é esse o nosso mundo e é por isso que ele é assim, porque as pessoas são desinformadas incultas, desinteressadas, os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres… é tudo o reflexo da educação e da desinformação… o ser humano é tão “estúpido” que está a destruir o próprio mundo…

  6. Thássius Veloso - 5 2 2007 às 1:30

    Não entendi a crítica do sr. Paulo Polzonoff Jr quanto à saga “Harry Potter”. Talvez o preconceito exista devido aos títulos da série serem dos mais vendidos do mundo.

    É “hype”. Pode até ser, mas não torna menos eficiente a leitura. Não é um livro para tolos: tem linguagem rebuscada em diversas passagens e mexe positivamente com os pensamentos do jovem.

    Concordo com a Rosana O. “Harry Potter”, ou “O Senhor dos Anéis”, ou mesmo “Eragon”, são livros como qualquer outro. Entendo que estilo não agrade o comentarista Polzonoff Jr, mas a crítica é ácida demais e sem argumentos válidos.

    Eu mesmo li “Harry Potter” e não me considero inapto a ler Machado de Assis ou Clarice Lispector. Se está ocorrendo o consumo da palavra, o exercício do racíocinio e a prática da imaginação, para mim é válido.

  7. Silvia S. - 5 2 2007 às 7:49

    Alessandro, nos EUA, embora a turma tenha mais acesso ao ensino médio e superior, a figura não é lá muito bonita… Passei um ano numa faculdade enorme, cheia de recursos, grande biblioteca, bons professores, mas o nível dos alunos era de dar dó. OK, não era nenhuma faculdade da Ivy League, mas não creio que justificasse o nível. Eu nunca fui nenhum gênio, tampouco uma pessoa com um nível de cultura acima da média do nosso meio (diria que, talvez, até abaixo), mas os americanos não parecem ter um sistema educacional tão “supimpa” assim (nossa, de onde tirei esse supimpa? *Juro* que não é da minha época”! — risos).

    Enfim, tenho uma amiga que diz que é tudo proposital, o sistema educacional está cada vez pior para criar pessoas cada mais menos cultas e críticas, facilitando o trabalho de manipulação das massas.

  8. Rosana O. - 5 2 2007 às 11:27

    Thássius meu caro você tocou em um ponto importante no que diz respeito a leitura,assim como en relação a tudo nesta vida (ou quase tudo) : é uma questão de gosto, de apreciar ou não o estilo.

    Mas voltando ao assunto do post, o que acho importante é proporcionar um maior acesso aos livros, barateando-os,facilitando o acesso às bibliotecas.Mas àsvezes penso com a mmiga da Silvia, se realmente exixtevalgum interesse em educar as pessoas. Pessoas cultas e criticas cpodemse tormar uma pedra sapato….

  9. Li - 5 2 2007 às 13:20

    Interessante como as pessoas se julgam melhores que as outras, assim, de graça.
    Só porque alguém diz que alguma coisa é boa e quem tem, ou consome, ou lê, ou veste aquela coisa é bom também, não quer dizer que isso é verdade. Quem julgou é alguém como tantos outros.
    Devemos aprender a ser humildes e mansos.
    Ouvi essa frase hoje, minutinhos antes de ler os comentários daqui.
    Também não devemos cair na inércia, não é isso.

    Mas temos que respeitar a opinião alheia, certo?

    Digo isso, porque costumo ser “a dona da verdade”. Quando encasqueto uma coisa na cabeça, eu acho que isso que é certo e pronto.
    Isso é comum no ser humano.

    Mas daí, a dizer que porque eu leio ou deixo de ler determinados livros, quer dizer que sou melhor ou pior que alguém??? Isso não!

    Quem disse que ser analfabeto e sábio não é possível?
    A sabedoria se adquire também na vida, no dia-a-dia.

    A inteligência é outro adjetivo com uma vastidão enorme de definições.

    Quem é realmente inteligente sabe que sempre tem algo a aprender. Sempre. Inclusive com quem lê Harry Potter.

    Nunca sabemos tudo, nunca sabemos mais que o outro. O outro sempre sabe alguma coisa que não sabemos.

    Ler é mágico. A leitura transforma. Mas não faz de quem lê, alguém melhor do aquele que não lê.
    Pense nisso.

    Um livro de capa mole, é como um rei na sua intimidade. Está despido de todo aquele glamour, mas é o mesmo. (Rei bom ou rei ruim).
    Seus súditos, por sua vez, se destacam pela sensibilidade de valorizá-lo pelos adornos e pompas ou pelo seu conteúdo.
    A capa é um mero adorno.

    ….

    Beijosss.

    Usei muito seu espaço? Me desculpe se me empolguei.

  10. Ed - 5 2 2007 às 13:54

    Livros são o tema central deste site?

    Eu nunca havia lido nada sobre a relevância dos livros de capa mole, mas agora que você tocou no assunto vejo que é uma invenção deveras significativa: como eu colocaria as minhas edições pocket no bolso? (e isso me fez pensar numa outra coisa: você coloca seus livros pocket no bolso? Eu não. Nunca fiz isso. Por não querer parecer brega, ou algo assim, haha.)

    Abraço.

  11. Thássius Veloso - 5 2 2007 às 16:01

    Li, seu discurso me lembrou a uma amiga que, numa aula de educação física, na qual esperávamos pelo jogo, me perguntou: “Se o crítico de jornal avalia alguém, quem deu ao crítico este poder?” (ou algo assim).

    Ela questionava como uma pessoa normal poderia determinar se um livro, cd, dvd, etc., era bom ou não, sabendo que este veredicto seria acompanhado por muitas pessoas e influenciaria o consumo delas.

    Tentei responder argumentando que o crítico geralmente já trabalha há anos com determinado assunto a ponto de já ter visto muita coisa boa e também muita coisa ruim. Portanto, ele baseia nesta experiência – e em seus estudos, claro – para falar da obra dos outros.

    Ou seja, no fim de tudo não passa de avaliação que, em algum ponto, é subjetiva. Nem por isso os críticos devem ser demitidos. Acho que prestam um bom serviço desde que avaliem com imparcialidade e que articulem uma conclusão acerca de tal produto com profissionalismo e argumentos enérgicos.

  12. Thássius Veloso - 5 2 2007 às 16:02

    Alessandro,

    Me desculpa, mas acho que tomei gosto por responder aos comentários. Espero que não se incomode; xD

  13. jorge a. - 5 2 2007 às 22:33

    Não conheço a história dos livros de capa mole. O que sei é que em Portugal foram as bibliotecas públicas que tornaram possível o acesso de todas as pessoas ao mundo da leitura – as bibliotecas permitiram o acesso aos mais variados livros de forma gratuita, e nesse sentido considero que tiveram maior impacto do que os livros de capa mole… não conheço a realidade brasileira ou americana.

    Mas agora acho que há outro meio importante na divulgação da cultura e do conhecimento: a internet. O serviço que a Google disponibiliza relativamente aos livros digitalizados é um bom exemplo do cominho que isto poderá seguir.

     Resposta: Por aqui, embora as bibliotecas sejam muito úteis para quem já goste dos livros, não tenho certeza de sua popularidade. Para mim, foram muito boas. Li muito graças a elas e adorava freqüentá-las. Mesmo o papo dos livros de capa mole talvez não se aplique muito por aqui. Não somos exatamente um país de leitores. Basta ver o número de livrarias por habitante. Agora, essa história do Google – pelo menos para quem tem um computador com acesso a internet (pouca gente por aqui em relaçao ao total da população) – é algo digno de nota. Dá boas perspectivas.

    Abraços!

  14. Li - 6 2 2007 às 8:42

    Pois é Thássius.

    Fácil é julgar, dizer que isso é bom, aquilo é ruim. Fácil, mas de extrema responsabilidade.
    De responsabilidade e importância na formação de opiniões.
    Só que, não devemos dizer amém a tudo o que ouvimos, certo? Não dizemos.
    Na verdade, acho que nos apegamos à alguma opinião alheia por comodismo ou por não ter uma opinião formada mesmo sobre determinados assuntos.

    O que não pode ser é alguém achar-se o dono da verdade. Pessoas comuns como eu, podem. Pessoas de opiniões relevantes, não podem. É o preço que paga-se pela importância de suas palavras.

    Se o mundo praticasse mais a humildade, talvez – talvez não, certamante – certamente a vida seria melhor.

    É isso.

    Ps:
    Thássius, acho que qdo o Alessandro conseguir recuperar seu computador, vai nos espulsar daqui… hehehe! ;)

    Beijos, Alê.
    (volta logo, menino!)

  15. Li - 6 2 2007 às 8:43

    o duro é escrever espulsar… hehehe.
    lê-se expulsar.

    perdão.

    bj

  16. Thássius Veloso - 6 2 2007 às 9:58

    Li,
    Tô com medo! Quando ele voltar vai acabar bloqueando o nosso acesso a este site. Se bem que eu acho que o Alessandro gosta! xD

    Abraço, Alê (se é que me permite).

  17. Celso Miguel - 13 2 2007 às 10:04

    Então…fiquei interessado pelo assunto. Confesso humildemente que faço parte dos leitores vulgares, conforme definiu o Sr Paulo Polzonoff Jr.
    Mas também não estou me conformando com esta situação. Gostaria que primeiramente alguém me definisse o que é “alta literatura”, já que é coisa para poucos, e quais os livros fazem parte desta literatura de alto nível. Quem sabe um dia eu passe da condição de leitor vulgar para um leitor de “alto nível”.
    Por favor mesmo, alguém me ajude neste intuito.

    Resposta: Também gosto muito das definições do Paulo, Celso… meu conselho é que você não se preocupe tanto com o que é alta ou baixa literatura. Leia o que lhe agrada. Acima de tudo, não leia o que lhe desagrada. Isso é o pior que há… Baixas e altas latitudes, deixemos para a geografia estudar…

    Abraços,
    do Ale.

  18. Rui de Lucca - 10 3 2007 às 15:49

    O argumento de Sagan sobre a imbecilidade que a TV provoca no telespectador foi tão bem colocado (talvez pela época, inclusive) que foi difundido por muitos intelectuais de várias partes do mundo. O autor foi um exímio exemplo da verdadeira sondagem intelectual, hoje quase extinta.

  19. Anna - 21 9 2007 às 18:21

    Oi Alessandro:
    O assunto continua em pauta.Quer dizer que vc começou com ” O Outro Lado da Meia Noite…”
    Ainda bem que não estou sozinha nesta.Heheheh!
    Abraço.

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