A Fundação do Longo Agora (veja também o blog da Fundação do Longo Agora) foi criada para investir no desenvolvimento de um pensamento e num modo de interagir com o mundo baseados em prazos mais longos.
Dez mil anos, digamos.
Boa parte dos problemas da humanidade vem da relação que temos com o tempo e com o agora.
Ao longo da História, a sentimento da duração da responsabilidade por consequências de determinado ato vem se estreitando. É cada vez mais difícil perceber como determinada atitude, repetida muitas vezes e por muitos, repercutirá sequer daqui a 100 anos.
Com projetos como o Relógio de 10 mil Anos, a Fundação do Longo Agora planeja mudar o modo de pensar rápido/barato para um modo de penar lento/melhor.
Stwart Brand, em seu livro O Relógio do Longo Agora, explica com mais clareza do que eu poderia:
Mais e mais, o ritmo da civilização vem fazendo com que fixemos nossa atenção por períodos patologicamente curtos. A tendência pode ter chegado com a aceleração da tecnologia, com a perspectiva de curto prazo que marca a economia de mercado, com a perspectiva da democracia voltada para a próxima eleição ou com nosso afã de querer fazer cada vez mais coisas ao mesmo tempo. Tudo isso está em alta. É preciso alguma espécie de correção para contrabalançar a preocupação com o curto prazo – algum mito ou mecanismo que estimule uma visão de maior alcance e a disposição para assumir responsabilidades a longo prazo, em que o “longo prazo” seja medido, no mínimo, em séculos.
O que propomos é ao mesmo tempo um mecanismo e um mito. Partiu de uma observação e uma idéia de Daniel Hills, autor dos projetos de vários computadores. Ele escreveu em 1993:
Quando eu era criança, as pessoas costumavam falar sobre o que aconteceria no ano 2000. Agora, trinta anos depois, elas ainda falam sobre o que vai acontecer no ano 2000. O futuro tem encolhido um ano a cada ano ao longo da minha vida.
É hora de começarmos a elaborar um projeto de longo prazo, que faça as pessoas pensarem de modo a transpor a barreira mental do milênio. Gostaria de propor um grande relógio mecânico (pense em Stonehenge), cuja energia seria extraída das mudanças de temperatura no decorrer das estações do ano. O seu tique é ouvido uma vez por ano, um bong a cada século e o cuco sai do relógio a cada milênio.
Você também percebe isso? Também percebe que é cada vez mais difícil perceber as consequências de nossos atos para além de anos, meses semanas e, ao mesmo tempo, as mudanças acontecem cada vez mais rapidamente? Que o gadget último tipo de hoje é o lixo do mês que vem?
Se o agora e a responsabilidade – proporcionalmente – forem encolhendo, vamos riscar um fósforo neste segundo e no segundo seguinte vamos explodir e nem vamos entender o que aconteceu.










