A filosofia do bufão

Encontro no livro Do Universo à Jabuticaba, de Rubem Alves, uma citação de Kolakowski:

A filosofia do bufão é a filosofia que, em cada época, denuncia como duvidoso aquilo que parece inabalável. Declaramo-nos a favor da filosofia do bufão – aquela atitude de vigilância negativa frente a qualquer absoluto. Declaramo-nos a favor dos valores anti-intelectuais inerentes numa atitude cujos perigos e absurdos conhecemos muito bem. É uma opção por uma visão de mundo que oferece possibilidades para uma reorganização vagarosa e difícil daqueles elementos que, em nossa ação são so mais difíceis de serem organizados: bondade sem que isto signifique tolerar tudo, coragem sem fanatismo, inteligência sem apatia, e esperança sem cegueira. Todos os outros frutos da filosofia são de importância secundária.

Mais à frente, Rubem Alves nos fala do bobo da corte:

Em tempos antigos, segundo consta, quando os reis se reuniam com seus ministros graves e sérios, havia o Ministro do Riso, chamado bobo da corte. Essa expressão “bobo da corte” é enganosa. Porque a palavra “bobo”, na linguagem comum indica um tolo, que não entende o que se diz e que fala coisas sem sentido. Mas o “bobo da corte” é uma pessoa com a inteligência afiada para cortar as tolices das falas solenes das reuniões dos ministros. O bobo da corte é aquele que mostra a nudez e a vergonha do poder. Assim, como medida de proteção, ele tinha direitos que não eram dados a nenhum dos ministros sérios. Ele tinha permissão para fazer piadas sobre o próprio rei.

“Não é com o ódio que se mata, mas com o riso.” (Nietzsche).

Assim, acho justo prevenir o leitor: não confunda Kolakowski com Kalashnikov. Este é russo e aquele é polonês. Alguns governos confundem.

Postado em Livros e Afins.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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