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Comparando o tamanho Nook Simple Touch com o de livros de bolso nacionais

Deveria lhes descrever o Nook Simple Touch, da maneira mais objetiva possível. Este aparelhinho tem dimensões aproximadas de 16,5 cm x 12,7 cm x 1,2 cm; o peso é de aproximadamente 210 g. Como eu nunca conheço alguém que fique com réguas medindo livros e espaços na estante (deve ter quem o faça, claro), publico estas imagens comparativas.

As dimensões são essas e já levantei este assunto em pelo menos dois posts aqui no Livros e Afins, portanto deixo as fotos ao lado falarem por si. O Nook Simple Touch tem, nativos, 240 Mb de capacidade de armazenamento de dados. Eu tenho 62% deste espaço livre; são 113 textos, que vão desde o primeiro fólio de Shakespeare, como compartilhado pela Universidade de Oxford (em inglês, com a grafia original e reformatado para os padrões atuais – disponível via iTunes, mas podendo ser carregado no Nook Simple Touch ou qualquer outro dispositivo capaz de ler arquivos ePub), passando por textos de divulgação científica até literatura tipo pulp, como a série de Leonard e Hap, escrita por Joe. R. Lansdale (leiam pelo menos o primeiro da série, sério). Extrapolando o uso de memória atual para a totalidade disponível no aparelho, seria possível carregar cerca de 300 textos dentro do bolso de uma calça, de uma jaqueta.

A tela

Duas tecnologias são a base da tela deste modelo de Nook: tinta eletrônica e sensores infravermelhos. Os sensores infravermelhos são os responsáveis pela interação do usuário através de toques na tela: seleção de menus e acesso à opções diversas, seleção de texto, procurar definição no dicionário (somente para língua inglesa) – discussões sobre o sistema operacional são assunto pra outro texto -; esta tela não é tão sensível quando comparada aos celulares mais modernos da geração atual e tampouco tem mais definição. Mas também não é essa a ideia por trás de aparelhos deste tipo, feitos para leitura.  Me agrada muito ler neste dispositivo.

Pensado para que fosse possível usar uma única mão durante a leitura, a tela sensível ao toque deste permite também mudanças nas páginas de leitura. Um toque na margem direita da tela corresponde a avançar a página atual do texto e, para retroceder uma página, basta tocar a margem oposta. Há duas outras maneiras de mudar a página de um texto, mas essa explicação fica para outra oportunidade.

A versão atual da tinta eletrônica (e-ink, para os íntimos), usada na tela, é mais que suficiente para dar conta de uma resolução que seja confortável para leitura. É possível ler mesmo em condições de muita luz, aqueles em que as telas de celulares não costumam ser facilmente lidas, refletindo demais. Por outro lado, essa mesma tecnologia torna impraticável a leitura em ambientes insuficientemente iluminados porque a tinta eletrônica funciona, mesmo, como tinta: a luz é refletida pela superfície digitalmente impressa, ao invés de emitida.

Tendo lido textos num iPhone 4 e num Nook Simple Touch, posso dizer que a experiência de leitura me foi muito menos estressante para os olhos no Nook; claro, a tela do iPhone 4 é menor e seu peso maior, o que pode ter contribuído para qualquer cansaço sentido. De qualquer forma, repito despudoradamente: me agrada muito ler no Nook Simple Touch. Ainda sobre a legibilidade, não é possível ignorar a capacidade do aparelho de ter as fontes alteradas tanto em tipos (Caecilia, Malabar, Amasis, Gill Sans, Helvetica Naue, Trebuchet) quanto em tamanho; pra melhor experiência de leitura, ainda é possível escolher o espaçamento entre as linhas e o tamanho das margens e, se desejável, ter uma experiência como aquela definida pela editora/autor (supondo que isso seja possível), existe a opção “padrão da edição”. Na prática, isso significa que pessoas que têm problemas de visão (como este que vos escreve) pode mudar de um ambiente calmo para outro instável e continuar lendo, por exemplo deixando o ponto de ônibus e passando a transitar em automotor sobre nosso asfalto plano, desprovido de incertezas geográficas. Como a base da tecnologia do Nook Simple Touch é a tinta eletrônica, a bateria dura um bocado. Eu leio tranquilamente de duas a três horas por dia durante mais de duas semanas sem precisar me preocupar com recargas; só é necessária energia para mudanças de página ou quando interagindo com o aparelho através de toques, quer seja na tela ou nos seis botões de sua carcaça: de outro modo, pouquíssima energia é consumida durante a leitura (é importante dizer: essas estatísticas só valem se o wi-fi estiver desligado). Como comparação, os tablets e smartphones mais bombados do mercado, que normalmente têm múltiplas funções – entre elas a leitura –, precisam ser recarregados diariamente.

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O menu com opcões de tipos e tamanhos de fontes (esquerda) e duas opções diferentes de tamanho, na tela

Resumindo: com o Nook Simple Touch é possível viajar leve, carregar um bocado de conteúdo e ter a certeza de que será possível ler o que quer que seja por dias a fio. Aliando estas possibilidades à capacidade de adaptação do texto às necessidades do leitor não tenho como dizer que o livro de papel permanece e permanecerá como única experiência de leitura plausível.

(o que não significa que não fico triste em pensar que não consegui comprar a edição encadernada em couro de O Retrato de Dorian Gray lançada pela editora Penguin; mas veja só: isso é fetiche puro)

Sobre o autor: Otávio Dias

Velho, implicante, desvairado: concordância nominal não é prioridade de minha pessoa. Tampouco o é sacar meandros da língua; desvendar