Algumas edições de livros valorizam a obra. É o caso dessa edição do Livro Vermelho de Westmarch, apresentado pelo André Gazola, em seu blog Lendo. Livro em que teria sido baseado O Hobbit, de Tolkien, teria sido escrito pelos personagens Bilbo Baggins, expandido por Frodo e, depois, por Sam.
Cada parte dessa edição tem a letra de seu respectivo autor. Encapada em couro vermelho e detalhes em prata, foi envelhecida artesanalmente. Deve custar uma nota.
Mas não é preciso ir muito longe.
A Cosac Naify lançou há alguns anos uma edição de Bartleby, o Escrivão, que também merece crédito. O livro de Herman Melville, autor de Moby-Dick, ganhou uma capa verde, costurada e com os dizeres: não compre este livro.
Provavelmente a frase desencorajadora foi inspirada no bordão do personagem principal, que ao ser chamado a qualquer tarefa no escritório de Wall Street em que trabalhava, respondia com um lacônico: “Acho melhor não.”
O livro tem uma aparência propositadamente rudimentar. Antes de ler, o leitor é obrigado a descosturar a capa. A página da editora tem um pequeno vídeo que ensina como isso deve ser feito.
O absurdo da situação do empregado que se recusa placidamente a fazer qualquer coisa e, ao mesmo tempo, não pode ser mandado embora, coloca Melville como um dos precursores de Kafka. Embora eu ache bobagem essa história de que as idéias sigam uma seqüência obrigatória na história da literatura.
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