A cadeira molda o homem pela bunda, diz Chico Buarque na peça Gota d’Água
1 de junho de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 26 Comentários »O meu cachorro, Tico – que vive na casa dos meus pais -, é muito estranho. De porte razoável, ele é uma espécie de Joselito do mundo animal. Ele não sabe brincar.
Uma de suas manias é julgar seu qualquer elemento novo que adentre o quintal, montando guarda e impedindo com um rosnado ameaçador que qualquer pessoa se aproxime. Já fez isso com um sapato meu, deixando-me descalço durante algum tempo.
A sua mais recente é ter entrado docemente na casa e se acomodado no sofá, agindo como o mais territorialista dos generais. Não havia como tirá-lo dali ou mesmo sentar a seu lado, muito embora todos concordassem que ele e o sofá não combinavam.
O jeito foi esperar Tico resolver deixar o lugar por conta própria de acordo com seus próprios e misteriosos desígnios caninos.
Essa história – e o fato de ter ido assistir ao musical Ópera do Malandro em Concerto ontem – lembrou-me de uma passagem muito interessante da peça Gota D’Água, também de Chico Buarque.
Diz o bicheiro Creonte, a Jasão – sambista que casará com sua filha:
Creonte – Escute, rapaz,
você já parou pra pensar direito
o que é uma cadeira? A cadeira faz
o homem. A cadeira molda o sujeito
pela bunda, desde o banco escolar
até a cátedra do magistério
Existe algum mistério no sentar
que o homem, mesmo rindo, fica sério
Você já viu um palhaço sentado?
Pois o banqueiro senta a vida inteira,
o congressista senta no Senado
e a autoridade fala de cadeira
[...] Sentado está Deus-Pai,
o presidente da nação, o dono
do mundo e o chefe da repartição
O imperador só senta no seu trono
que é uma cadeira co’imaginação [...]
Pois bem, esta cadeira é a minha vida
Veio do meu pai, foi por mim honrada
e eu só passo pra bunda merecida.
Bem se vê que Chico passou, ainda que pouco assiduamente, pela cadeira de uma faculdade de Arquitetura e teve contato com alguns conceitos de design.
Não é a toa que designers dedicam muitos projetos a esse móvel. Todo grande profissional dessa área já deixou sua marca através de uma cadeira inigualável.
A respeito de o Tico saber sobre tudo isso ou não, só posso especular.

Sem noção, Tico! :P
Ele usa blusa xadrez vermelha?
Eu adoro cães, sejam eles marrentos, joselitos, completamente sem noção. Na verdade, adoro bichos peludos e de quatro patas e, como vivo dizendo, para mim só não valem as aranhas peludas, porque elas ultrapassam os tais limites de patas.
Tenho um histórico interessante com cães. Quando eu era uma menina pequena, de cachinhos dourados (:P), eu levei uma corrida de uma cadela vira-lata, chamada Tieta e tudo por causa de uma cadeira. Hahahaha. A cadela era de minha tia e morava no sítio. Eu só aparecia lá nos fins de semana e mesmo assim, me vendo sempre, a cadela não se acostumava à minha presença. Ela estava embaixo da tal cadeira, ao lado de minha tia, e obviamente o tal móvel servia de casinha ao bichinho. Fui sentar lá… Pra que? A cadela me deu uma corrida, que eu, no desespero total, acabei pulando no beliche. Pense em uma criança baixinha pulando um beliche. Naquele dia me convenci que as escadas são indispensáveis quando uma cadelinha vira lata se enfeza!
:D
Beijos
Jana
Nem falo nada deste teu cachorro…
Que bacana! Já vi duas montagens da Opera do Malandro, ambas no festival de música de Londrina e é genial…
Todo caso já vi “palhaços” sentados nas peças Art of Dying (Itália/Dinamarca) e na peça Ha-Hamlet (Suiça) (amabas FILO do ano passado por sinal) e foi muito, muito engraçado.
Mas com certeza é a cadeira que molda o homem. Ou você acha que esta sifose, escoleose, lordose (ou sei lá o que você tem de desvio na coluna, mas é quase certo que tenha alguma coisa rs) vem de onde? O que me incomoda é que os arquitetos, designers e fisioterapeutas ao invés de fazer uma cadeira apenas “Inovadora” não façam uma cadeira que possibilite sentarmos bem nela e que molde-nos sem dores nas costas…
beijos
isso tudo me lembrou da casa onde fiquei em leipzig: vários estudantes moravam lá. e dois cachorros e uma gata também. acontece que a gata, a jula (leia-se iula), era a moradora mais velha daquele casarão em estilo art nouveau. alguém (ninguém sabe quem) levou a gata pra morar lá e se mudou. e vários outros se mudaram. a gata ficou. a dona da casa. fiquei no quarto que era dela. era um quarto vazio com uma caminha de gatos. limparam tudo e colocaram minha cama lá.
um belo dia, ou uma bela noite, todos foram dormir, eu tomei banho e quis dormir também.
mas a jula tava bem posuda deitada exatamente sobre o meu travesseiro. como se dissesse:”meu quarto. minha cama. meu travesseiro”…
(ah, e eu sou mulher, tá?)
Corrigindo… Naquele dia me convenci que as escadas são DISPENSÁVEIS quando uma cadelinha vira lata se enfeza!
:D
Hhahahahah!
Até pra sapato ele rosna????
Bjos!
Ale,
O que vc quer dizer eh que o cachorro agora eh o dono “da cadeira” (sofa)???… ehehehe.. Bom para pensar! [s]
O Tico já não pensa que a casa é dele… tem certeza…rs Bom domingo, Alê. Abs.
Eu mereço… tudo o que eu faço é pensar no bem-estar dessa família… tudo que eu penso é em maneiras de fazê-los felizes e sadios… da próxima vez que uma lagarta-de-fogo entrar no seu sapato, eu não vou mais dar bola, viu, seu filho d’uma égua? Deixo você queimar seu pé todinho! E não vou te acudir! E não vou latir pra vir alguém te ajudar! Se vire! Eu não quero mais saber! Não tow mais nem aí! E se você continuar com essa ingratidão eu vou é me mudar pra casa da Janaína! Ela sim é quem vai saber me dar valor! FUI! E SAIA JÁ DESSE COMPUTADOR E VÁ ME DAR COMIDA ANTES QUE EU RESOLVA IMPLICAR COM ESSA PORCARIA DESSE PC!
Tico, seja bem vindo à minha casa, meu fio! Você terá casa, comida e pêlos lavados. :D
Ah, prometo comprar um par de sapatos só para você, porque acho que colocar seu focinho nas profundezas chulerentas dos meus sapatos e botas não é experiência pra lá de agradável. Não quero que você acabe com a língua azul ou com a cara verde.
:D
Já ía me esquecendo… Partilharemos juntos o drama de ter uma vizinha surtada, que não pode ouvir o estrondo de um garfo caindo no chão. É triste, Tico… É penoso!
Beijos e lambidas, Tico!
Jana
Heh, eu tenho esse livro do Chico.
A propósito, estou em novo endereço com uma turminha foda. Passe lá.
gostei de ter passado por aqui.
beijos
Cara, acho que você vai gostar desse site:
http://www.literar.org/
Acabou de sair do forno. =)
Abraço.
Janaína, você está falando com uma criança que tem larga experiência em fugir de cachorros temperamentais… rs… Beijos!
Escoliose dupla para mim, Maga. Mas consegui corrigir o problema esforçando-me como um atleta na fisioterapia. As mocinhas quiseram me inscrever em um campeonato, mas sou modesto. Beijos!
Puxa vida, K… desculpe. Letras são tão misteriosas, mas eu deveria ter desconfiado, afinal é “a” letra K. Perdoe-me o deslize e a indelicadeza. De qualquer forma, tal como a gata, sinta-se em casa… aqui ou em Leipzig… Beijos!
Ele rosna pra tudo e por tudo e por qualquer coisa, Felícia. Mas na maior parte do tempo ele é brincalhão… Beijos!
Não, Ale, não se eu puder impedir… rs. Beijos!
Será que ele pensa isso, Mário? O próximo passo é ele mandar fazer uma cópia da chave da porta…. Abraços!
Tico, você esqueceu que eu não moro mais aí. Bem que me disseram que cachorro tem memória curta… rs… lambidas caninas pra você, meu caro! :-)
Eu vi, Ed… vou visitar com freqüência, claro. Abraços!