Acabo de ler uma nota sobre a declaração de Thom Yorke, vocalista do Radiohead:
Para o músico, o colapso na indústria musical é apenas uma questão de tempo. “Quando a indústria corporativa morrer, não será uma grande perda para o mundo”, disse Yorke. “Então, aconselharia os novos músicos a não se amarrarem a esse navio, porque, acredite, ele está afundando.” O Radiohead, banda da qual Yorke é vocalista, teve contrato com a major EMI por 12 anos, mas lançou seu mais recente álbum, In Rainbows, de forma independente, em 2007, numa das jogadas de marketing mais comentadas no mundo da música nos últimos anos: o internauta podia pagar quanto quisesse – inclusive nada – pelo download do disco.
O meu conselho aos novos escritores é similar ao que o artista dá para a área musical.
Busque a independência. Busque alternativas. Não espere a aprovação de uma grande editora. Seu público – que talvez ainda nem conheça você – tem pressa em conhecê-lo. Mais pressa certamente que as empresas de quem você vem esperando um aceno positivo. A internet permite isso.
Um caso de sucesso de que eu poderia falar é o livro A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr. É possível que você não tenha ouvido falar dele. Talvez simplesmente por não ser o público desse livro. Mas se você é leitor do blog Jovem Nerd provavelmente já o tenha em sua prateleira.
É um caso bastante específico em que o autor conhecia os editores do blog e sabia que o público desse blog tinha a ver com o gênero que ele escreve. Os editores compraram a ideia e, sem a necessidade da aprovação de uma grande empresa do mercado editorial ou mesmo de colocar o livro a venda em livrarias, ele foi um sucesso de vendas.
O livro é vendido exclusivamente pela Nerdstore, a loja do blog. Totalmente independente, só utilizou o blog, as midias sociais e o boca a boca.
Foram vendidos 4.000 exemplares. Autor e editores tem dado dezenas de palestras sobre o caso.
- No site do livro há a sinopse, dá para baixar o 1º capítulo, e dá para ouvir os trailers em áudio com vozes de dubladores renomados como Guilherme Briggs, Sérgio Cantu e Fernanda Saddy
Se você não tem a mesma sorte desse autor, de ter o seu livro encampado por um blog tão conhecido, não perca tempo. Crie o seu próprio. Tenha uma cara nas redes sociais, torne-se presente e relacione-se. Atualmente, um autor não se faz apenas enclausurado em sua biblioteca, lendo e escrevendo (na verdade, talvez, nunca tenha sido assim, salvo exceções). Não julgue se isso é bom ou mau. Apenas entenda que, hoje, é assim.
Além disso, não há nem mais a desculpa da falta de dinheiro para imprimir: há as opções estrangeiras Lulu, Blurb e a nacional Clube de Autores. Além é claro, a possibilidade do Bookess, caso você não faça questão do livro físico. Existem milhares de outras formas de divulgar suas palavras. Saia da caixa e do paradigma da grande editora ou mesmo da pequena.









