Antes da mais nada, é preciso que você saiba que eu reconheço que um museu ou uma galeria tem o compromisso de conservação de seu acervo e das obras que recebe.
Por outro lado, ontem mesmo estive no Museu Oscar Niemeyer e ao ver tantos sinais de proibido fui obrigado a refletir sobre isso.
Afinal, os espaços que recebem aquilo que se chama de arte devem permitir ou proibir mais?
Não deveria ser a própria arte um convite à transgressão? Mas permitindo-se tudo, o que poderia ser transgredido a partir daí?
A imagem abaixo está em um dos espaços do MON.
Os famosos cones do Museu Oscar Niemeyer, que durante muito tempo ficaram sob o vão livre do edifício, sempre foram um convite a se entrar e fazer uma fotografia. Provavelmente foi a obra mais fotografada e famosa do MON durante muito tempo.
Agora, elas ganharam uma placa que, querendo ou não, rebatiza a obra, sugerindo uma leitura metalinguística dos objetos:
Uma exposição de cadeiras, tira o objeto de seu elemento e o afasta de seu uso: é proibido sentar. Imagine, uma sala repleta de cadeiras em que não é permitido sentar.
Vi uma criança explorar sensorialmente esses objetos e ser afastada de sua experiência pelo segurança, ainda que com delicadeza, um sorriso e a maior das gentilezas.
Tive a felicidade, no entanto, de encontrar no Olho, possivelmente o espaço mais nobre do MON, uma única obra ocupando o lugar onde normalmente ficam as peças mais populares do acervo. Uma em que você pode deitar e andar por dentro dela.
Coisa que fiz:
Diante dessa história toda, gostaria que você assistisse a este vídeo e prestasse muita atenção a tudo o que o artista diz:
Não teria a arte, nas ruas, mais poder de transformação que no museu?












