A Arte de escrever dedicatórias

“Quando a palavra permite.”

Gosto bastante de escrever dedicatórias.

É sempre um desafio escolher as palavras certas para a pessoa certa para o livro certo para o momento certo… e transformar tudo isso em poesia, sentimento, despertar o interesse pelo livro e a lembrança pelo momento e, por fim, tentar eternizar na memória quem escreve.

Nem sempre fico satisfeita com o resultado. Nem sempre é possível saber a opinião de quem recebeu.

Por este dias andei exercitando esta arte e gostei bastante dos resultados. Gosto de pensar na pessoa lendo a dedicatória. Mas gosto mais de pensar nela encontrando a dedicatória daqui há algum tempo, quando talvez nossa convivência já não seja tão próxima. E isso não é de todo triste: tenho um lado nômade bastante aguçado e boa parte dos meus amigos também. Nada mais natural para nós do que seguir em frente.

Neste contexto o livro funciona como um elo, e as dedicatórias como um portal. Elas lembram de pessoas e situações que haviam ficado esquecidas e que aquelas palavras evocam. Se o livro foi significativo e/ou bom na época, tanto melhor.

Uma vez li em algum lugar uma regra que dizia que as dedicatórias deveriam ser escritas no final do livro caso o autor estivesse vivo, para dar a oportunidade de ele autografar o texto. Tentei adotar esta estratégia, contudo não funcionou muito bem. Acabei criando a minha própria regra: antes de escrever a dedicatória na frente do livro, verifico se ainda existe espaço para um improvável autografo do autor por ali. Em caso positivo, sigo em frente. Felizmente, livros costumam ser generosos em suas muitas contra-capas e folhas de rosto.

Uma dedicatória e um autografo são essencialmente diferentes. O autografo fala do autor e do livro, a dedicatória da relação entre o presenteado e o que presenteia. Isso não desmerece o valor dos autógrafos. As vezes, os autores e amigos coincidem, e desta união costumam surgir belos autógrafos-dedicatórias.

Ao escrever procuro coordenar a mensagem com o livro com qual presenteio. Como só costumo presentear com livros que já li a tarefa é plausível – apesar de não ser fácil. É prazeroso quando as palavras de afeto para o presenteado encontram-se com as linhas do autor.

Escrever dedicatórias em livro é um ato de doação. Por isso sempre escrevo com carinho e me dedico a pensar com cuidado nas palavras. Afinal uma boa dedicatória é feita de duas coisas: afeto e tempo.

Dedicado aos leitores amigos do Livros & Afins.



Andarilha convicta, leitora apaixonada, behaviorista radical. Acredita que o mundo é grande demais para que apenas uma arte tenha o seu monopólio.


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