8 dicas para ler um livro com eficiência
14 de junho de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 29 Comentários »A Paula, do Epinion, em seu artigo sobre o Sony Reader, leitor de livros eletrônicos da Sony, tocou em um assunto fora desse tópico, mas que considerei o mais importante desse texto. Mesmo pessoas que habitualmente são vistas com um livro na mão poderão em maior ou menor medida serem consideradas maus leitores.
Pensando nisso, e observando alguns pontos que a Paula assinala em seu texto, listei uma série de conselhos que podem ajudar a ler um livro com real efetividade. Conselhos que, admito, eu mesmo deveria seguir com mais freqüência. Se você observá-los, certamente vai entender o texto e lembrar do que leu com muito mais facilidade:
- Pesquise a vida do autor: antes de começar a ler um livro, principalmente um clássico, dê ao menos uma olhada em um artigo de enciclopédia sobre a vida do autor. Não precisa ser uma pesquisa longa. Saber a época em que ele nasceu, com quem o sujeito andava, quem eram os seus conterrâneos e contemporâneos já vai ajudar bastante.
- Pesquise a época em que o livro foi escrito: mesma coisa. Situe-se no tempo. Se você começar a ler um livro sem ter a noção do que se passava historicamente quando ele foi escrito será como se você começasse um vôo no escuro e sem decolagem. A situação histórica motivou o autor a escrever sua obra de um jeito e não de outro.
- Saiba onde o autor vive e como: se for um autor contemporâneo, pesquise rapidamente sobre o lugar onde ele vive. Vá ao mapa, coloque o dedo sobre a cidade em que ele nasceu. Acredite. Vai ajudar. Você sabe onde fica Lanzarote, nas Ilhas Canárias? Pois é. É onde José Saramago vive hoje.
- Leia uma sinopse: essa é controversa. Há quem não recomende. Deixo para que você opte. Mas em alguns casos, esse instrumento pode ajudar a preparar você para o que vai encontrar durante a leitura. Se você for uma pessoa crítica, saberá quando o autor da sinopse tiver se equivocado completamente. Mesmo nesse caso, a sinopse ajudará em seu entendimento.
- O livro anterior e o livro posterior: o autor teve outras obras? Qual veio antes e qual veio depois. Situar o livro na bibliografia do escritor é outra forma de entender aquilo que se vai ler.
- Com que outras obras o livro se relaciona: em uma época, mesmo que então não se perceba, os livros dialogam entre si e também com livros de épocas anteriores e posteriores. Descubra mais sobre isso e entender e lembrar o que você leu será muito mais fácil.
- Enquanto lê, escreva sobre o livro: tudo aquilo para que se dá um uso, ainda que subjetivo e íntimo, tem mais valor. Temos uma tendência a assimilar apenas as coisas a que damos valor. Escrevendo sobre o livro, ainda que apenas um parágrafo, você notará uma sensível diferença. O que ele significou para você? O que se passava em sua vida enquanto você o lia? Esse livro, agora, faz parte de sua própria biografia. Ele é importante. Desde que comecei este blog, lembro com mais facilidade dos livros que li.
- Anote no livro: essa eu considero a mais importante. Se você não gosta da idéia de escrever nas páginas de um livro, sugiro que compre dois. Um para guardar e outro para anotar.
Sobre essa última, nas palavras da Paula:
… se por algum motivo eu esquecer, basta voltar às páginas do livro e lá estarão todas as minhas anotações, pensamentos, trechos sublinhados…muitas vezes na outrora temível caneta azul. O livro é MEU, eu o tornei meu não só por pagar dinheiros por ele, mas também por colocar um pouco de mim nas suas páginas.
Pronto. Agora que você tomou todas essas medidas, pode começar a ler com a certeza de que lerá com a máxima eficiência.

Algumas dicas eu costumo utilizar, como fazer anotações no próprio livro e sobre o livro em caderninho que tenho chamado “Livros que eu li” :)
Vou adotar outras dicas que achei interessante.
Mas ler a sinopse eu não gosto, muitas vezes acho tendencioso. Eu leio, mas sempre depois, quando termino o livro.
Valeu as dicas, Alê!
Resposta: Pois é… sinopse às vezes estraga a surpresa.
eu sempre anotei nos livros e, até a época em que eu tinha tempo, eu copiava algumas partes nuns caderninhos e fazia comentários maiores sobre elas. atualmente, me falta tempo. e tbem quase não me aparece mais livro que mereça anotação.
miha vida acadêmica me forçou a ler muito sem intuição, sem sentir o livro, mas dissecando o pobre coitado e tirando sempre conclusões muito concretas que poderiam ser usadas como argumento pra alguma coisa que eu afirmei. isso me cansou, sabia? nessa época me veio um desejo absurdo de poder ler na cama, deitada, descabelada…
porque eu me canso de ler tanto tendo que estar tão desperta pra realidade. sei lá. quero a estória, quero o livro, quero o que sinto dele… livro pra mim é experiência sensual, sexual… sei lá.
[não esotu negando nada do que vc falou, estou apenas contando o que anda acontecendo comigo. antes que eu arrume mais problema na net. hahah. ;-) ]
Resposta: Pois é… eu falei tudo isso, mas eu mesmo não tenho muito desenvolvido o saudável hábito de anotar. É que durante a adolescência me orientaram no sentido contrário e fica difícil mudar quando um mau hábito se instala. Mas tenho me esforçado… Beijos!
Eu não escrevo em livros. Penso sempre em quem vai lê-lo em seguida, e considero que anotações induzem à uma leitura pessoal e única da obra. Tentei ler uma vez “A Peste” emprestado de um amigo, e não consegui porque em todas as páginas ele sublinhava e deixava comentários, que contaminavam a minha leitura. Além disso, a experiência na Biblioteca Pública me deixou avessa à prática porque lá as anotações são desencorajadas, já que reduzem bastante a vida útil dos livros (e as melhores obras infelizmente têm poucos exemplares nas prateleiras).
Resposta: Bem… eu mesmo não aconselho a anotar nos livros da biblioteca pública. Mesmo porque o livro não vai ficar para você… de que serviria a anotação? De nada. A anotação deve ser uma ferramenta para o leitor e, por ser pessoal, não deve ser deixada em um bem público.
Tratando-se de um livro pessoal, a próxima pessoa que lê-lo, caso não goste de anotações poderá muito bem emprestar o livro de outro. Mas tudo bem. Os meus livros mesmo, quase todos, são imaculados… não tive desenvolvido esse bom hábito. Beijos!
Uma boa ferramenta para ajudar ao ítem 6 é 0 site da Amazon.com. Eles tem um filtro que mostra o que outros clientes que compraram aquele livro também compraram.
Ok, a Siciliano também tem isso, mas o universo de clientes da Siciliano uma pequena fração do que a Amazon tem, o que permite à gigante americana ter um filtro mais eficaz.
Resposta: Entendo, eles têm a possibilidade da qualidade gerada pela quantidade. Lembro de que, há algum tempo, ficou famoso um usuário desse serviço que sempre começava seus comentários assim: “Eu não li esse livro realmente, mas…” e então fazia comentários engraçados sobre a capa e o título. Muito interessante.
Seja bem-vindo por aqui, Gilberto. Abraços!
gostei das dicas, muito interessante
anotaçoes sao essenciais!
gostei das dicas, algumas eu nao conhecia e realmente são interessantes
guilherme
http://sempreon.blogspot.com
Resposta: Que bom, Guilherme. Fico feliz por ter sido útil de alguma maneira. Abraços e espero que volte sempre.
Não precisa anotar nos livros.
Usem post-its! (há um post sobre o uso dessa fantástica tecnologia no meu blog :P)
Motivos para não escrever em um livro? Todos falecemos, os livros ficam. Para filhos, netos, bisnetos, bibliotecas e sebos. Nada pior que comprar num sebo um livro cheio de anotações que não te interessam, porque não fizeram parte da tua vivência. Para os filhos, netos e parentes até pode fazer algum sentido, mas…
Sinceramente, com o preço dos livros brasileiros e com a falta de espaço crescente, fica difícil indicar a compra de dois exemplares de cada obra.
Resposta: Na verdade, até gosto de comprar livros com anotações pois embora elas não digam respeito a mim poderão vir a dizer e certamente dizem à história de vida do livro.
Mais das vezes, os costumam ficar empoleirados sem nunca mais serem abertos nas prateleiras dos colecionadores de livros. De qualquer forma, sempre haverá livros completamente preservados…
Vamos torcer no entanto para que em breve seja possível comprar dois livros para que o bom hábito das anotações se difunda mais facilmente, não é mesmo? Porém, entendo que com a difusão dos leitores de livros eletrônicos, como o Sony Reader e com as possibilidades de anotação eletrônica que eles trarão no futuro, essas questões vão desaparecer… afinal, anotações eletrônicas podem ser apagadas ou escondidas sem problema ou mesmo guardadas separadamente. Vai ser muito bom :-)
Beijos!
Sobre a polêmica de anotar ou não, eu raramente o faço. Primeiro, por respeito ao livro em si. Segundo, por não ter mesmo o que anotar. O máximo que faço é passar o marca texto em momentos que achei interessantes, ou em palavras desconhecidas. Nada fora isso.
O mesmo não se aplica a livros técnicos, que requerem uma dedicação maior no que tange às anotações. Neles sim eu escrevo sem dó nem piedade. Até porque informação se atualiza, e vai chegar um ponto em que aqueles dados não farão mais diferença mesmo, frente às novas realidades.
Resposta: Entendo, Thássius. É que eu gosto de estimular mais o respeito ao que está escrito – ao texto – que ao livro em si, que é apenas um meio. Abraços!
Concordo.
E essas dicas são valiosas.
Agora, como já foi bem lembrado aqui por algumas pessoas. A informação é importante, porem apenas para alguns determinados livros específicos.
Resposta: É… nem todos os livros merecem tanta deferência, Neto… Abraços!
As vezes faço anotações na agenda,no caderno ,de frases que gosto com o nome do autor, mas no livro não gosto de escrever ,as vezes pego livros com anotações que me chamam a atenção.
Resposta: Entendo, Lice. Mas aí surge um problema. A anotação, caso seja referente a um trecho específica, fica separada da parte do texto que a ocasionou. Enfim….
Beijos!
Ale, acatei tua sugestão e relatei um pouco da experiência na Biblioteca Pública lá no meu endereço. Dá uma olhada quando puder. Bjs. Link:
http://blogdatinalopes.zip.net/arch2007-06-01_2007-06-15.html#2007_06-14_17_20_23-100883581-0
Resposta: Oi, Tina!
Quero ver se faço um link hoje mesmo para o seu texto!
Beijos!
eu sempre anoto com lápis! será que agora não serei consumida pelas chamas do inferno? quem quiser, deixa. quem não quiser, apaga. e eu já deixei um comentário aqui sobre anotações num livro que ganhei. e amei. o livro e os comentários.
Resposta: Pois é, K… eu não consigo entender esse medo todo que as pessoas têm de anotar nas páginas de um livro. Acho que é por isso que as crianças se afastam deles… porque são intocáveis. Há um poema de Mário Quintana que diz que os livros de poesia são ótimos pois têm mais espaço para as crianças fazerem seus desenhos…
Eu também costuma destacar trechos importantes da leitura. Sinopses, evito. Prefiro a surpresa. Leio as sinopses e crítica literária após a leitura do livro. Pesquisar a vida do autor, dispenso. São dicas importantes, mas imagino que se colocasse em prática a todas, reduziria a quantidade de livros lidos por mês, idéia que não me agrada. Mas ta valendo, são boas dicas. Abraços, Mário.
Resposta: É que atualmente eu tenho me empenhado em reduzir a quantidade e aumentar a qualidade – não das obras – mas do ato de ler… de qualquer forma, todas as maneiras valem a pena… Abraços meu caro!
Anotar no próprio livro, nunca. Já anotei em papeizinhos, fichas de cartolina etc, mas dava trabalha quando minha intenção era não ter nenhum, só ler. Mas o que sempre gostei de fazer foi, ao ler um trecho interesante, voltar e ler de novo, em voz alta (ou baixa, mas articulando as palavras como se as dissesse). Isso parecia sempre acontecer em momentos em que o espírito do autor se destacava, a síntese da qualidade literária, de repente, nos vinha aos olhos, clara como água, naqueles raros momentos em que entendemos porque Clarice Lispector é (usei “era”, mas voltei e corrigi com um “é”) Clarice Lispector. Acontece que, às vezes achava trechos imensos bons. Se tivesse que anotar eu não conseguiria me ater a minha intenção primordial, que seria ler. A interrupção atrapalha a leitura, na minha opnião. O que que eu fiz? Comprei um gravadorzinho… Lia em voz alta e gravava. Às vezes, só uma palavra! Mas geralmente trechos longos. É muito legal! Já escutaram uma gravação feita na sua própria voz de um trecho de um livro que gostou, dois, dez anos depois? Recomendo.
Resposta: Que método interessante, Albarus… não creio que todas as pessoas venham a adotá-lo, mas é notável de qualquer maneira. Abraços!
Me identifiquei com todas as dicas, com exceção dos comentários no próprio livro. Para esta finalidade, costumava fazer alguns resumos em cadernos.
Desde que criei um blog resolvi o problema das anotações com o ganho adicional da troca de experiências através dos comentários.
Resposta: Boa a idéia dos cadernos, Kovacs… você ainda os têm? Já o blog é muito bacana porque a anotação é preservada e ainda tem a colaboração de seus leitores…. Abraços!
Tem algo de podre no reino da dinamarca….
Pergunta. Com qual tipo de caneta devo fazer meus comentarios nos meus livros pornôs ?
Resposta: Ah, Thiago… escreve com minha caneta big. Abraços!
Pois então, também pertenço ao grupo dos que não anotam nos livros. Muito mais que educação ou pensar no próximo, os motivos são bem claros. Além de um freqüentador regular da Biblioteca Pública, também sou filho de uma bibliotecária! O lado ruim é que em muitas dessas leituras, com certeza, acabei perdendo boa parte do conteúdo por não anotar ou rapiscar comentários. Talvez em alguma parte do planeta encontre todos esses apontamentos editadas em um exemplar num sebo perdido. Só espero que esse livro não esteja rabiscado…
Não considero saber sobre a vida do autor relevante, tampouco se preocupar demais com a contextualização histórica do livro. Isso irá fazer a pessoa, o invés de, concentrar-se na obra como um fim em sí mesma, começar a pensar: porque o autor escreveu isso? Em qual contexto? E a contextualização, pode acabar por reduzir a riqueza literária em uma perspectiva ideológica, ao invés de humanista.
Resposta: De fato, Fabiano. Para algumas pessoas, a contextualização histórica do autor poderá ser importante. Para outras não. De acordo com sua orientação ideológica de cada um. Afinal, o humanismo também é uma ideologia.
No entanto, o artigo não é sobre análise literária ou uma análise da leitura como ação sob pontos de vista ideológicos.
Ele é muito mais modesto: ele só quer ajudar o leitor a lembrar melhor daquilo que foi lido. Se o leitor não concorda com uma das dicas, basta adotar as outras. Por isso escrevi oito. Espero que algum deles lhe seja útil.
Gostei muito de seu site. Vou assinar o feed e dar uma fuçada para ver se há algo que eu possa linkar por aqui.
Abraços!
Concordo com o Fabiano. Pode tirar muita da magia do livro. Um Dom Quixote pode virar uma simples paródia dos livros de cavaleiros se for contextualizado com a época. A riqueza da obra-prima de Cervantes é a resignificação que tem de tempos em tempos.
Acredito que o melhor é pesquisar a vida do autor, ver as obras que dialogam, etc., DEPOIS do livro lido.
Btw, também não escrevo nos livros. Leio mais na vertical, fica meio incomodo… Acho que segundo estes critérios sou um PÉSSIMO leitor. Mas eu gosto =P
Resposta: Ah… tudo bem, João. Cada pessoa tem seu jeito de ler. Na verdade, o que importa é que seja divertido… se não for, não vale a pena. Abraços!
valeu pelas dicas ajudaram muito
adorei a de escrever no livro, é uma ótima idéia, vou fazer issu apartir de agora…
bjos