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5 livros marcantes

9 de julho de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 9 Comentários »

Não direi que são os mais marcantes, pois sempre haverá aquele de que você vai se lembrar com mais ou menos ênfase de acordo com a fase de sua vida. E o que antes era marcante é agora apenas uma vaga lembrança, só vindo a ser reavivada pelo sopro do acaso.

Por conta disso e para não cometer injustiças, listarei, a pedidos do Norberto, de Escrita Torta, apenas os livros que neste instante considero marcantes. Não são os mais nem os menos, mas apenas os que a curta memória permitiu-me listar:

  1. O Menino Maluquinho, de Ziraldo: foi o primeiro livro que causou-me uma emoção intensa e que ao mesmo tempo fez pensar em mim e em meu pai e fez-me ter consciência de que um dia eu teria de crescer.
  2. Ficções, de Jorge Luis Borges: li-o pois estava na lista de sugestões do professor Cristóvão Tezza no primeiro ano em que cursei jornalismo. Tomei o pequeno volume de contos do escritor argentino sem nenhuma prevenção, tendo sofrido todos os benefícios, estranhamentos e saudáveis enganos que Borges pode provocar naqueles que entram em seu universo sem aviso.
  3. Pergunte ao Pó, de John Fante: também saiu da lista do professor Cristovão Tezza. Sei que poucos anos depois, Fante entrou na moda e, por esse motivio fútil, caiu no desgosto de muitos que supostamente dele gostavam. No entanto, lembro com que prazer li pela primeira vez as pobres aventuras – poderiam ser chamadas de aventuras? – de Arturo Bandini.
  4. O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino: certamente nem é o melhor livro de Fernando Sabino. Mas lembro das gargalhadas de meu pai ao lê-lo, deixando-me muito curioso sobre o que era tal livro e recordo também do dia em que ele estendeu-me a edição para que eu também a lesse. Um dos meus primeiros livros de, assim chamada, literatura adulta. Uma das melhores cenas é quando o protagonista encontra o lugar ideal para aliviar seus intestinos durante um baile.
  5. Antologia Poética, de Carlos Drummond de Andrade: confesso que não sou muito de poesia, mais pelo desgosto que a contemporânea me traz do que por falta de fé nessa arte. Mas é difícil que alguém com um mínimo de sensibilidade e inteligência não seja tocado pela simplicidade, pelo engenho e pelo poder da poesia de Drummond. Que dizer destes versos?

O amor bate na aorta

Cantiga de amor sem eira nem beira,
vira o mundo de cabeça para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.

O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.

Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.

Amor é bicho instruído.

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender…

Enfim, um poema marcante retirado de uma antologia marcante.

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9 Comentários para “5 livros marcantes”

  1. Daisy Carvalho - 9 7 2007 às 16:38

    Seus artigos são, como sempre, profundos e inspirados. Boas escolhas dos cinco livros embora eu tenha outros, mas vc mesmo disse que era uma emoção de momento. Quanto ao poema, nossa, isso sim é poesia e concordo com a estranha contemporaneidade das poesias…muitas eu até pergunto-me: será arte?
    Um beijo, Ale.

  2. Daisy Carvalho - 9 7 2007 às 16:39

    Eu mesma sou exemplo de má poeta, rs.
    bj.

  3. Darlene Carvalho - 9 7 2007 às 22:51

    Aaaaaaaaaaaaaaai!!! Sou completamente doida pelo Drummond, Alê!

    Beijos!

  4. Diego - 10 7 2007 às 9:54

    Ale,

    Esse Sabino eu tenho mas ainda não o li – veio naquela coleção do Circulo do Livro da Abril (ou algo di tipo), na década de 80.

    Ah, e o Menino Maluquinho do filme se formou em publicidade comigo… um cara muito bacana! :)

    abraço!

  5. _Maga - 10 7 2007 às 23:27

    O grande mentecapto tem um humor um tanto ingénuo, acho que deve ser ótimo lê-lo quando estamos descobrindo os livros… eu li ano passado e gostei, mas não tanto quanto poderia ter gostado se o tivesse lido muito antes…

    O que dizer destes versos? Talvez que gosto tanto que o sei de cor para trazê-lo sempre junto comigo… Saudades de declamar poemas… rs

    beijos

  6. _Maga - 10 7 2007 às 23:29

    Ah, o Ficções entrou na minha lista… pergunte ao pó também…

    beijos

  7. Diego - 12 7 2007 às 8:31

    Sim, somos amigos.
    Hoje ele é publicitário dos bons. Trabalha com criação na Mccann.

  8. Anna - 6 9 2007 às 19:17

    Oi Alexandre:
    Temos em comum, Carlos Drummond de Andrade.
    O poema que mais gotei na época foi O Elefante.Os outros, sem fazer comentários são: A Bruxinha Atrapalhada(Eva Furnari),Caderno de Anotações(Doris Lessing),A Borboleta Amarela(Rubem Braga),O Conde e o Passarinho(Paulo Mendes Campos). Estes foram os livros marcantes para uma determinada fase da minha vida.
    Abraço.

  1. [...] uma falta de atenção minha, não reparei que o Alessandro já tinha escrito a sua lista, confiram [...]

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