A publicidade às vezes (sempre?) aposta no medo de rejeição
20 de novembro de 2008 | Publicado na Categoria Trechos de livros comentados | 5 Comentários »Outro trecho do livro Freakonomics, de Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner:
O Listerine, por exemplo, foi inventado no século XIX como um eficiente anti-séptico cirúrgico. Mais tarde foi vendido, na forma destilada, para limpar o chão e curar gonorréia. Porém só se tornou um sucesso retumbante, nos anos 20, quando foi louvado como solução para a “halitose crônica” – então um obscuro termo médico para mau hálito. Os novos anúncios do Listerine mostraam jovens dos dois sexos, ansiosos para casar, mas que perdiam essa vontade diante do fétido hálito de seus parceiros. (…) Até então, não se convencionara achar o mau hálito uma catástrofe de tal monta, mas o listerine produziu essa mudança.
Perceba: o mau hálito, ou halitose, sempre existiu. O medo de rejeição por conta dele, caso se viesse a adquiri-lo é que foi fomentado.
Como escreveu o estudioso de propaganda James B. Twichell: “O Listerine foi mais responsável por promover a halitose do que a higiene bucal.” Em apenas sete anos, a receita da empresa subiu de US$ 115 mil para mais de US$ 8 milhões.
Quanto você ouvir falar de novas doenças ou problemas fique atento. Nunca se sabe quando esse é um problema real ou um filão em que alguém resolveu garimpar.
Mudando de assunto – mas, de certa forma, ficando nele -, essa história faz lembrar do vídeo sobre educação que postei recentemente, em que o palestrante se refere ao Transtorno de Déficit de Atenção que, na década de 30, ainda não era comercializado.
As pessoas não sabiam ainda que podiam ganhar dinheiro com isso.
Para garantir, vou ali escovar os dentes, passar um fio dental, bochechar com Listerine e já volto.

É até “bonito” a criatividade desses publicitários. Eu já li esse livro, mas a coisa que mais me marcou foi a passagem que fala que a criminalidade em Nova Iorque, nos anos 90, diminuiu graças a legalização do aborto nos anos 70.
Um outro exemplo de exploração comercial de rejeição é o que fazem as igrejas, com destaque para as ditas evangélicas “edirmadecistas”.
Eles antes inoculam fortemente o medo do diabo para depois vender segurança.
Mas não foram eles os inventores da fórmula. O Vaticano é quem a criou mas relaxou com o passar do tempo, dado à sua hegemonia no mercado.
Como essa ótima idéia andava lá meio que adormecida, não faltou quem a recriasse para os novos tempos.
Ah, mas o medo é ingrediente para muitas coisas. De rejeição então, é amplamente explorado pela propaganda, pelas igrejas… e finalmente por quem quer ganhar dinheiro.
Sérgio,
ah… as religiões: sempre dando aulas de publicidade e de como apostar no humano.
Abraços do Ale.
Lucas,
de fato mostra como as coisas não são o que parecem. No final desses capítulo, ele mostra que a relação aborto/homicídios evitados é de 100 para 1, no entanto.
Abraços do Alessandro.