Recall do livro O Fazedor, de Jorge Luis Borges
7 de julho de 2008 | Publicado na Categoria mercado editorial | 4 Comentários »O Sérgio, do Trivial, chama a atenção para o “recall” do livro O Fazedor, de Jorge Luis Borges.
Parece que a edição saiu com alguns problemas e a editora, numa atitude inédita chamou os leitores – sob risco de vida – para trocar os livros defeituosos.
Muito nobre e civilizado. Coisa moderna.
Faz pensar numa situação qualquer:
- Olá, o senhor lembra de mim?
- Claro, o senhor veio comprar um livro aqui ontem.
- Pois é. Acho que está com defeito.
- … ahn… er… desculpe, senhor. Não entendi?
- Então. Já estou na página 50 e até agora não encontrei nada que preste. Acho que está faltando alguma peça…
- Posso dar uma olhada, senhor? – o gerente folheia as páginas – Parece que está tudo certo aqui. Tudo preto no branco, as páginas funcionando perfeitamente, uma depois da outra. Inclusive estão entre a capa e a contra-capa, como de costume.
- Sim. Mas não sei o que está acontecendo. Não encontrei nada que preste aí.
- O senhor usou o livro corretamente?
- Creio que sim. Cresci no meio de livros e sei muito bem como eles funcionam.
- Bem, nesse caso, recomendo que procure nossa assistência técnica autorizada e eles tentarão descobrir como ajudá-lo.
- Não posso simplesmente trocar por outro livro?
- Nossa política não permite trocas nessa condição, senhor.
- Mas outro livrinho… qualquer um…
- Primeiro o senhor terá que ir à assistência técnica. Se não houver problema… aí, talvez… talvez aí eu possa dar um jeitinho.
O cliente vai embora, meio inconformado e balançando a cabeça.
O gerente chama um subalterno.
- Tavares… liga para a editora. Parece que essa edição inteira saiu com defeito. Acho que eles vão ter que fazer um recall.
Claro que esse não é o caso do livro do Borges que, sem dúvida, não possui problemas no conteúdo. Parece que o problema é estrutural da impressão mesmo.
Por falar nisso, o Ministério da Justiça tem uma página onde você pode acompanhar recalls, termo mais comumente aplicado a veículos.

Eu li a respeito! Não é problema de impressão, não. para Impressão, qualquer editora faz troca. Foi um problema de revisão… e nem um grande problema, algo como oito errinhos no livro todo, algo que é normalmente resolvido com uma errata. A Cia das Letras resolveu trocar toda a tiragem e entregar os livros “defeituosos” com errada para bibliotecas públicas. Essa moda podia pegar, não é?
Andei comprando uns dicionários Michaelis, depois de algum tempo de uso descobri que haviam páginas em branco. Descobri o e-mail da Ed. Melhoramentos relatando o ocorrido e eles me mandaram um dos dicionários pelo correio. Não mandaram os outros porque eu me livrei deles. Achei muito legal. Abraço.
Nada mais borgeano do que isto… Mas se tratando justamente do fazedor, um livro desigual feito de apontes acumulados e tirados da gaveta para sua publicação.
Pensando melhor, eu não trocaria meu livro. Compraria outro sem erro, mas deixaria este como curiosidade editorial. Não é sempre que acontece um recall…
Uma amiga minha me emprestou uma edição de O Grande Gatsby que vinha sem a última folha.
Como diria O Rappa: “um livro sem final…”