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O Riso, por Henri Bergson

5 de maio de 2008 | Publicado na Categoria Trechos de livros comentados | 2 Comentários »

A Júlia tem me apresentado, aos poucos, ao seu filósofo preferido, Henri Bergson.

E , em um de seus livros, o francês especula sobre o riso.

(Se não quiser saber detalhes da trama de O Nome da Rosa, pule os dois seguintes parágrafos.)

Interessante, pois em O Nome da Rosa, de Umberto Eco, há o monge cego que cuida da biblioteca – claramente uma homenagem ao argentino Jorge Luis Borges – e toda a trama gira em torno de um suposto livro de Aristóteles que trata da Comédia.

O tal monge cego, então decide acabar com todos aqueles que, curiosos, entrassem em contato com o livro por julgar que o riso aproximava o homem mais dos bichos que do divino. Na época, inclusive, havia uma discussão para saber se Cristo sorria ou não.

Mas eis o que nos diz Bergson em seu livro:

Não há comicidade fora daquilo que é propriamente humano. Uma paisagem poderá ser bela, graciosa, sublime, insignificante ou feia; nunca será risível. Rimos de um animal, mas por termos surpreendido nele uma atitude humana ou uma expressão humana. Rimos de um chapéu; mas então não estamos gracejando com o pedaço de feltro ou de palha, mas com a forma que os homens lhe deram, com o capricho humano que lhe serviu de molde. Como um fato tão importante, em sua simplicidade, não chamou mais a atenção dos filósofos? Vários definiram o homem como “um animal que sabe rir”. Poderiam também tê-lo definido como um animal que faz rir, pois, se algum outro animal ou um objeto inanimado consegue fazer rir, é devido a uma semelhança com o homem, à marca que o homem lhe imprime ou ao uso que o homem lhe dá.

Ora, meu caro. Abrir mão do riso – e de fazer rir -, então, é abrir mão de uma das coisas que nos torna mais humanos.

Uma carranca ou então inspirar seriedade nos outros sim é algo que nos aproxima mais do irracional e nos afasta do divino, até mesmo do papel de gente que mal e mal conseguimos desempenhar.

Por isso, meu bem, não chore: hoje tem filme de Carlitos.

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Tags:comédia, filosofia, henry bergson, riso

2 Comentários para “O Riso, por Henri Bergson”

  1. Léo e só - 5 5 2008 às 14:10

    “O homem é o único animal que ri. E é rindo que ele mostra o animal que é.”

    Millor Fernandes

    abs

  2. Propaganda da Vez - 5 5 2008 às 16:06

    Excelente post e frase do comentarista acima… Muitos ficam horas e horas tentando definir o riso, as vezes perdem até o riso por causa disto, pra que esta definição? simplesmente sorria…

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