Como fazer churrasco de criança pobre
27 de março de 2008 | Publicado na Categoria Livros grátis | 15 Comentários »A Editora do Bispo está permitindo download grátis de alguns de seus livros em versão PDF.
Um deles é o improvável e sarcástico Manual Para Fazer de Crianças Pobres Churrasco, de Jonathan Swift. Aquele, de As Viagens de Gulliver.
A situação é a seguinte. Não sabem o que fazer com as crianças pobres? Não têm como alimentá-las? Coma-as.
Eis um trecho:
Logo, a pergunta é: como serão criados e sustentados? Como já disse, nas atuais circunstâncias, é terminantemente impossível pelos métodos propostos até agora, pois não podemos empregá-los na indústria ou na agricultura; nem construímos casas (digo, no campo) ou cultivamos terra: eles raramente podem ganhar a vida Roubando, antes de chegar aos seis anos, a não ser que sejam muito precoces, embora, confesso, eles aprendam os fundamentos bem mais cedo. (…) Devo agora, portanto, humildemente expor meus próprios pensamentos, que espero não sejam passíveis da menor objeção. Foi-me assegurado por um americano muito entendido, amigo meu em Londres, que uma criancinha saudável bem tratada é, com um ano, um alimento delicioso e nutritivo, seja cozida, grelhada, assada ou fervida; e eu não tenho dúvidas de que serviria também em um guisado ou um ensopado. Eu, então, humildemente ofereço à apreciação do público que das cento e vinte mil crianças já calculadas, vinte mil sejam reservadas para reprodução, das quais um quarto seriam machos, mais do que admitimos para ovelhas, bovinos ou suínos. (…) Que as cem mil restantes, com a idade de um ano sejam postas à venda para pessoas de boa posição social e fortuna em todo o reino, sempre aconselhando a mãe que as deixem sugar abundantemente durante o último mês, de modo que as entreguem gordas e rechonchudas para uma boa mesa. Uma criança daria dois pratos em uma recepção para os amigos, e quando a família jantar sozinha, o quarto dianteiro ou traseiro daria um prato razoável. Temperado com um pouco de pimenta ou sal ficaria muito bom fervido no quarto dia, especialmente no inverno.
Isso para mostrar que a ignorância do que fazer com as crianças jamais foi privilégio de nosso país ou de nossa época. E que para que elas sejam consideradas animais é um pulinho.
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Fonte: O Imperativo Categórico

Então tá…
dizem que explicação é para porteiro, mas eu nunca concordei. para mim explicação é basicamente para quem eu gosto e para quem me importa a opinião, para quem me irrita e para quem me motiva, me instiga.
E isso aqui desde ontem combinou um pouquinho de cada um desses ingredientes. mas basicamente eu gosto deste blog.
Eu deveria ter posto aspas em mau gosto. Deveria? eu tinha um professor de português que era contra. Ele ele alertava contra o abuso das aspas, dizia que era como dizer Vejam, eu aqui estou sendo sutil, e aqui estou sendo irônico e aqui estou sendo conscientemente impreciso.
Não vou subestimar vocês dizendo que obviamente gosto e mau gosto é relativo. Agora já disse… desculpem. mas vou dizer que um texto ser obviamente sarcástico não diz nada sobre o “gosto” dele. E ele ser intencionalmente de mau gosto não o faz deixar de ser de mau gosto. Então, basicamente, um texto (obviamente) sarcástico e de mau gosto pode ser de terrível mau gosto para mim. E uma coisa é de mau gosto sempre “para alguém”, assim, entre aspas, então, quando eu digo que algo o é (de mau gosto), é redundante pôr aspas ou dizer que é “para mim”.
Comer ciancinhas no contexto de uma discussão sobre pobreza para mim “é” (uso aspas aqui como negrito) de extremo mau gosto, não acho a menor graça, nem inteligência alguma. Acho de uma obviedade até fácil, oportunista talvez. E meu “gosto’, minha sensibilidade são datados e aguçados ou abrandados pelo contexto. “Corpos” (vamos às aspas) de criancinhas me sensibilizam normalmente. Mas, quando acabei de ler uma matéria sobre uma doida que mantinha uma menina presa, torturada, tendo unhas arrancadas etc, desculpem, só pode me soar intolerável um senso de humor semelhante ao que tive a infelicidade de comentar.
Ah!: Mário, o Connan sim é engraçadíssimo! (Ah: “para mim”) De rolar de rir. Mas, ainda assim, meu filho, que vive colecionando videos do you tube, não achou graça nenhuma…
Alguém deve ter achado de terrível mau gosto, não Alessandro?
Desculpe, alessandro se estou sendo tão chata, assim, chata sem aspas.
Mas é que eu já tinha te adiantado: odeio ser subestimada. De burrinha, só eu posso me chamar!
Bjs, abraços – acreditem, carinhosos, flávia
Ps: Mário, achei muita graça, na piada sobre grana e vegetarianismo. (mas é o meu gosto. Que aliás inclui apenas carnes brancas, que aliás, também sai mais caro) bj, f
Bah, terei de ler este livro hein heheheh. Mas uma ótima iniciativa desse pessoal, guri.
Sumi, mas não foi para sempre!
Oh bloody yeah ! ser vegetariano acaba diminuindo o custo no supermercado, portanto bora parar de comer carne gurizada!!
Esse texto demonstra perfeitamente a monstrualidade de comermos bichinhos! PAREM! tadeeenhos !!
Rafael,
sem dúvida que ser vegetariano tem uma série de benefícios. Sou da ala que prefere que quem come carne perceba por si só. Nunca imponho nada a esse respeito. Sou um vegetariano bem na minha.
Abraços fortes e parabéns.