Sobre a boba sacralização da leitura
18 de março de 2008 | Publicado na Categoria Livros são divertidos | 8 Comentários »Eis o que escreve João Varella no Blog Curitibocas:
Sacralizar a leitura com um objeto certo, um momento certo e um método certo para ler é bobagem. Emprego aqui “leitura” no sentido amplo. Lê quem ouve música com atenção ou observa uma obra com cuidado. Desde que exista uma reflexão além da simples absorção do conhecimento/informação, já há um ato de leitura. O suporte livro é maravilhoso. CDs, DVDs, telas, gibis, LP, entre outros, também.
Nesse pensamento, sou irmão do João. Chego a ficar irritado com o personagem que ele descreve em sua narrativa.
A sacralização do ato da leitura serve mais para matar futuros leitores do que para criar novos.
Vou ser sincero. Leio mais como quem vai à zona do que como quem vai à igreja.
Em certas tradições, o livro simboliza o mundo: de fato o mundo cabe no livro e, sob certo ponto de vista, é lido. Leva-se uma vida inteira para lê-lo e não se chega ao final.
Ler não corresponde, de fato, como observa o João, a um tempo e a um lugar ou mesmo a um objeto. Vai muito além.

Dá-lhe! É contra isso que nos batemos!
Abraço, abraço.
Alessandro, eu acho que não tenho muitos preconceitos desse tipo. Leio inclusive todo o tipo de bobagem na televisão, acho que tudo pode se prestar à “práxis simbólica”, ao exercício do pensamento e da crítica. Leio até Veja! E confesso que às vezes fico irritada quando o médico não me dá tempo nem de terminar a minha Cláudia ou a minha Caras, que só encontro nos consultórios.
Mas vamos combinar: não há nada como o objeto livro. Para mim há sim um verdadeiro fetiche em torno dele: a forma, o peso, a textura da capa, a capa, a gramatura da página, o cheiro do livro novo, o cheiro do livro velho…
E as dedicatórias, os sublinhados e comentários na margem, o preço antigo…
Aiai, eu adoro! E nada se compara a isso!
bjs, f
Eu leio muito no metrô. Muitas vezes estou lendo mangá e sinto a velhinha ao lado pensar “hunf! juventude perdida”. Muitas vezes também estou lendo um livro grosso e intimidante e sinto a pessoa ao lado pensar “hunf! exibida”. Também adoro ler Turma da Mônica. Leio o que quero quando dá na telha.
A única vez em que deliberadamente peguei um livro para impressionar foi quando fui me candidatar a uma vaga de estágio numa editora. Mesmo assim, o tiro saiu pela culatra, pois fiquei lendo Nabokov na sala de espera e eles queriam alguém para a editoria nacional… :-)
Como a Simone, também leio muito no metrô. Ou lia. Já que agora, devido ao horário que saio de casa, é inviável ficar segurando um livro no vagão. É quase inviável *eu* estar naquele vagão, já que tem uma lei da física que fiz que dois corpos não ocupam mesmo lugar no espaço.
Ultimamente eu tenho me dedica a ouvir podcasts. Tem de tudo um pouco; desde programas de jornais e revistas, até programetes feitos por blogueiros.
É isso, Alessandro. Usarei em ocasiões futuras a metáfora da “zona” e da “igreja”. Boa síntese.
Darei os devidos créditos, obviamente.
“Leio mais como quem vai à zona do que como quem vai à igreja.” Hahaha :-)
A escola brasileira acaba com todo prazer de ler. Quer coisa mais desestimulante do que ler sem vontade, por mera e pura obrigação? do que ler e ter de fazer relatório? do que ler e ter de decorar o nome de todos personagens? do que ler Camões porque ele sim era O poeta? aff.
João,
sempre digo que uma boa é proibir o livro. Aí todo mundo ia atrás dele :-)
Quase tive vontade de tatuar essa frase na testa de tão boa: “A sacralização do ato da leitura serve mais para matar futuros leitores do que para criar novos”.