Um dos poucos blogs em que os comentários indesejados rendem resultados interessantes, talvez o único, é o Jesus Me Chicoteia. Por motivos óbvios, o editor do site, Marco Aurélio Gois dos Santos, recebe rotineiros impropérios cristãos: algumas das respostas, como essa mais recente, são ótimas.
De resto, os comentários indesejados são isso mesmo: indesejados.
Eles não precisam ser lidos pelos leitores habituais. Se mantidos no blog, incentivam a presença de outros comentaristas que estejam na mesma tônica. Se respondidos pelo editor, isso é entendido como consentimento e pode render infrutÃferas e longas discussões virtuais. A repetição do problema acaba afastando leitores que têm algo a acrescentar e atraindo os que não têm. É um cÃrculo vicioso.
O raciocÃnio é o mesmo que apresento no artigo Quem escreve escolhe os seus leitores, invocado hoje pelo Gino Neto.
Com isso, você deve estar imaginando que há muita coisa que eu não mostro aos leitores. Comentários censurados e afins.
Na verdade, eu recebo muito poucos que mereçam esse tipo de tratamento. Pois inverto essa lógica.
Com a presença apenas de comentários úteis aos demais leitores, eu atraio mais e mais comentaristas que acrescentam algo ao artigo comentado. Por outro lado, os chamados trolls são afastados.
Em relação aos comentários pouco construtivos, eu gosto de agir como qualquer pessoa normal quando algum invasor entra pela porta de sua casa, xingando e agredindo. Nem penso muito no assunto: tais observações pouco gentis são graciosamente eliminadas da área de moderação do Wordpress. Mas elas são raras. O fato de qualquer comentarista novo ser moderado e, a partir de aprovado, poder comentar irrestritamente ajuda nesse aspecto.
Também descobri, via Aguinelo Pedroso e Efetividade.net, uma campanha do BR-Linux que versa sobre esse mesmo assunto sobre o qual acabei de escrever.
Espero com esse artigo ter ajudado de alguma forma.
22 comentários até agora ↓
1 _Maga // 30 5 2007 às 13:49
Sabes que existe até pesquisa sobre este assunto? Mas não sobre blogs, mas sobre ambientes publicos. Por ex, coloca-se um carro abandonado em algum local e espera-se para ver em quanto tempo ele começa a ser depredado e qual a velocidade desta depredação. A costatação é que a primeira depredação demora, mas depois que ela é feita a velocidade das outras é muito maior. Ou seja: é importante cuidar para que não começe, e se por acaso alguma coisa estragar consertar o mais rápido possivel.
Acredito que tenho dado muita sorte. Em três anos de blog apenas uns dois ou três comentários dignos de serem apagados.
Ah, valeu pela lembrança do “Jesus me chicotei” fazia muito tempo que não passava por lá…
Espero ter acrescentado algo com este comentário…. rs
bjo
2 marcus // 30 5 2007 às 13:56
Os comentários no meu blog não são moderados. Em princÃpio isto poderia gerar algum tipo de invasão troll, mas ocorre que a “comunidade” em torno do meu blog é unida a ponto dela mesma expulsar, seja em forma de comentários irônicos, agressão gratuita ou simplesmente ignorando.
Eu tenho poucos comentaristas, mas ele são excelentes.
3 Alessandro Martins // 30 5 2007 às 14:04
Muito bem observado, Maga. Da próxima vez que escrever sobre esse assunto, vou usar o seu exemplo. Muito bom! Beijos!
4 Alessandro Martins // 30 5 2007 às 14:06
Mas, grosso modo, o raciocÃnio é esse mesmo, Marcus. Depois que determinada comunidade começa a vibrar em uma determinada tônica, quem deseja entrar nela ou se adapta ou sai. O interessante é que isso não é algo forçado. Acontece naturalmente como você acabou de demonstrar. Abraços!
5 Alessandro Martins // 30 5 2007 às 14:07
Maga, se tiver mais detalhes sobre essa pesquisa, mande-me por e-mail. Terei prazer em divulgar esse tipo de informação. Beijos!
6 Albarus Andreos // 30 5 2007 às 16:02
Já ouvi falar sobre isso também, Alessandro. É o que acontece (ainda acontece, espero…) com o metrô de São Paulo, considerado um dos mais limpos do mundo. Se alguém suja alguma coisa, imediatamente uma câmera capta o problema e um tiozinho vai lá e limpa. Isso inibe que outras pessoas continuem sujando. É exatamente o mesmo raciocÃnio do “Ah, já está sujo mesmo…”. TÃpico comportamento de manada. Mas imagine só: o que passa pela cabeça desse “Porco Alpha”?
O primeiro a sujar tira sua inicativa de onde? Revolta, talvez. O cara que vai asasistir ao jogo de futebol e após a derrota do time volta pra casa pela Av. Paulista depredando tudo. O pensamento na cabeça dele é que ele está na cidade do “inimigo”. Lá onde ele mora, não tem lixeira, não tem iluminação, não tem floreira enfeitando a calçada… Imagina-se excluÃdo, desprestigiado, injustiçado… “por que só tem estas coisas aqui e lá onde moro não?” e por aà vai. Quando instituÃram as novas leis de trânsito, anos atrás, foi uma beleza lembram? A mÃdia divulgou tudo com cobertura nacional. Todo mundo tinha medo dos pontos na carteira, todo mundo pondo cinto de segurança, todo mundo respeitando os radares de velocidade, o Ãndice de mortes nas rodovias despencando etc. Existia um espÃrito de colaboração que incitava a cidadania. Foi só as pessoas, de novo, verem que não acontecia nada com quem desrespeitava as novas leis de trânsito, que as multas do Paraná não chegavam em São Paulo, que o DETRAN não obedecia o prazo de um mês para notificar o infrator, que existia uma “indústria de multas” por tras das punições… que todo mundo passou a não acreditar mais nas medidas. Tudo se perdeu… Mais uma boa oportunidade de tornar esse paÃs melhor jogada no lixo. (nossa, fugi totalmente do foco do post, não é?)
7 Tv Retrô // 30 5 2007 às 16:10
É verdadem, comentários que não irão acrescentar nada ao blog, não devem permanecer no blog.
Durante um tempo usei a moderação nos comentários, mas a pouco tempo desativei. Depois de ler isto, fiquei com vontade de ativar novamente.
8 Norberto Kawakami // 30 5 2007 às 19:30
Creio que é a sensação de impunidade que faz com que as pessoas saiam da linha.
Os blogs e listas de discussão só desandam quando não há moderação, mesmo que involuntária.
9 Roberta de Felippe // 31 5 2007 às 0:06
Eu raramente comento, mas você sabe que sempre acompanho suas idéias.
=)
10 JanaÃna Calaça // 31 5 2007 às 11:54
Ô criaturinhas chatas são os trolls. Quando eu mantinha o meu antigo blog, o Noturnando, tive que experimentar a moderação dos comentários por um tempo. Eu aprecio a crÃtica fundamentada. Não estou falando em crÃticas assinadas por representantes da Academia de Letras, mas aquelas que apontem aquilo que pode ser melhorado nos meus textos e não as pixações virtuais.
No inÃcio, eu, inexperiente em relação à blogsfera, respondia aos comentários, tentava estabelecer um diálogo para que pudéssemos discutir sobre o texto, mas aos poucos fui percebendo que era apenas ataque gratuito. NÃO ALIMENTE OS TROLLS, porque as criaturas são que quase uns Gremlins, na versão não fofinha. :P
Abraços, Alessandro!
Jana
11 Lenira Almeida Heck // 1 6 2007 às 0:35
Oi Ale,
Pelo jeito há pessoas que às vezes bagunça o coreto, mas isso faz parte, contudo admiro a sua diplomacia; saber lidar com esse tipo de comportamento requer jogo de cintura e, ao que parece, isso não lhe falta. Parabéns por manter a ordem e a paz entre todos os comentaristas.
Abraços Lenira.
12 Alessandro Martins // 1 6 2007 às 8:59
Eu acho que o raciocÃnio vale também para uma casa, Albarus… se você deixa aquela lâmpada sem trocar, em breve surgem novas coisas que são deixadas de lado e, quando o sujeito vê, está tudo caindo aos pedaços… faz o maior sentido…
Abraços, meu caro.
13 Alessandro Martins // 1 6 2007 às 9:01
Às vezes ela nem é necessária, Retrô, mas acho que para sites que têm uma visitação alta como eu planejo ter e, creio, você também ela é fundamental… poupa muito trabalho no futuro. Abraços, meu caro.
14 Alessandro Martins // 1 6 2007 às 9:02
Acredito, Norberto, que a maioria das pessoas não conseguem perceber que há pessoas do outro lado da tela, como se a internet fosse uma extensão de suas psiques perturbadas… acho que é isso. Abraços!
15 Alessandro Martins // 1 6 2007 às 9:03
Ah, Roberta… você é das que, mesmo não comentando, sempre acrescentam… Beijos!
16 Alessandro Martins // 1 6 2007 às 9:04
Siiiiiiiim! Vamos matá-los de fome… como naquele filme 28 Dias em que o comandante mantinha o soldado contaminado preso só para ver quanto tempo ele durava… diabólico… rs. Beijos!
17 Alessandro Martins // 1 6 2007 às 9:05
Hehe. Não tenho vergonha de dizer, Lenira, que - em minha casa - sou uma espécie de ditador… mas procuro ser salomônico, entende? Beijos!
18 Vitor Hugo // 1 6 2007 às 12:50
É Martins, creio que tudo se baseia no seu outro textos de quem escolhe os leitores, e em conseqüência, os comentaristas é o autor.
Na minha singela casa, não me lembro de ter tido um comentário indelicado ou nada gentil.
19 Alessandro Martins // 1 6 2007 às 12:55
Claro, meu caro Vitor. Isso se deve ao fato de você ser a gentileza em pessoa (embora eu não o conheça pessoalmente)… abraços!
20 Daisy Carvalho // 22 6 2007 às 10:07
Alessandro, tudo bem? Alô pessoal gente boa!
Eu só quero comentar (confessar) que sou nova nesta coisa de querer comentar em blogs. Na verdade jamais me interessei, por imaginar um bando de internautas retardados brincando de “futuro”. Porém quero comentar que estou estarrecida com tanto talento e criatividade dos blogueiros, principalmente todos que visito atrvés do Ale.
Estão todos de parabéns. Por este ângulo, dá orgulho de ser brasileiro. Isso foi brega? Sei lá. Está comentado.
Beijos ternos à todos vocês blogueiros e blogueiras…
Daisy Carvalho.
Resposta: A internet é cheia de coisas interessante, Daisy… é só saber pescar… rs. Beijos do Ale.
21 Fábio C. Fusaro // 30 3 2008 às 23:57
Mais um comment meio-tardio de minha pessoa.
Acho que essa tirinha do Penny Arcade tem tudo a ver com o que você escreveu nesse post:
http://www.penny-arcade.com/comic/2004/03/19
Esse tipo de gente existe em todo lugar. Infelizmente.
22 Alessandro Martins // 31 3 2008 às 16:32
Fábio, excelente a sua dica!
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