Fiquei feliz ao ler o artigo Publicar em Papel? Pra quê?, de Julio Daio Borges, e encontrar eco para algo que venho repetindo há algum tempo a jovens autores inéditos que vêm me consultar.
Eu, na verdade, não entendo por que eles vêm me consultar se eu mesmo não sou editor e tampouco tenho algum livro publicado. Na verdade, nem ambiciono ter um pelos motivos que listo mais abaixo.
Esses escritores querem saber como publicar um livro. Eu recomendo algumas alternativas, mas meu conselho basicamente é: publique na internet.
Eis algumas razões para isso:
- Preço - é barato. Você pode montar um blog de graça se você trabalha com textos curtos. Se você quer lançar um romance, mesmo um blog oferece alternativas de publicação. Para publicar um livro, você vai precisar desembolsar uma boa grana e o retorno qualitativo e de resultados tem uma boa possibilidade de ser decepcionante.
- Abrangência geográfica - depois de publicado, seu livro corre um enorme risco de ficar encalhado. A distribuição é cara e as livrarias não têm boa vontade com estreantes. Porém, a minha experiência com o Cracatoa foi excelente desde o tempo em que ele era um site. Hoje ele tem o formato de um blog. Mas tenho leitores em todos os continentes. E, acima de tudo, o que eu escrevo paga todos os custos. Coisa que a uma edição de autor de um livro não aconteceria. Eu ficaria no prejuízo e os volumes na garagem. E eu nem tenho garagem.
- Total controle sobre seu trabalho - Jorge Luis Borges dizia que um escritor publicava para se ver livre do inferno de reescrever infinitamente. Isso é bom. Mas também é um inferno saber que um grave problema de enredo que você deixou passar ficará eternizado. Na internet, nada mais fácil que reeditar.
- Pioneirismo - Muitos já perguntaram se blog é literatura. Bobagem. Quem faz essa pergunta confunde o suporte com a obra em si. Uma garrafa pode ter vinho ou refrigerante. O blog pode ter notícias ou literatura. Ele é um formato ainda a ser explorado. O formato influencia sobre o melhor jeito de atuar sobre ele e você pode ser um pioneiro em novas técnicas e formas de expressão.
- Contato direto com seu público - Ainda que você tenha 50 leitores apenas, meu amigo, são 50 leitores. Você poderá ter contato direto com eles. Se você não sabe o que é receber um email ou um comentário de agradecimento por ter escrito um texto que mudou a vida de uma pessoa - verdade ou mentira, exegero ou não -, deveria tentar experimentar essa sensação. Já com o livro, você pode proporcionar efeitos sobre os mesmos 50 leitores mas talvez nem fique sabendo.
- É barato para o seu leitor - Depois de muito fuçar, seu potencial leitor encontrou seu livro em uma estante escondida nos fundos da livraria. Ele sopra as teias de aranha e abre as páginas há muito fechadas. Mesmo assim adorou o que encontrou e vai levar para casa. Mas ele terá que pagar. Porém, na internet, ele encontrou seu texto na comodidade do lar e de graça.
- Ver o fruto de seu suado trabalho - Eu já disse que você terá total controle sobre sua obra. Mas terá que trabalhar. Terá que divulgá-la. E sem ser invasivo. Fazer seu nome aos poucos. Conhecer sites e blogs literários e até não-literários. Fazer comentários. É um trabalho lento e paciente. Mas se o que você escreve for bom, se você fizer direitinho e com boa vontade, sem desistir e com disciplina e persistência, colherá os resultados. Se, no entanto, você só quer saber de escrever e ficar esperando de boca aberta que alguém importante diga alguma coisa e que você seja descoberto como nos filmes, desista. Isso é romantismo. Seja realista: trabalhe e colha.
- Fazer uma experiência - Muito bem, você é inédito e talvez só tenha a opinião de sua mãe e de alguns amigos. Se depois de tudo isso você ainda quer se ler em livro, não acha que é uma boa idéia testar os seus escritos com pessoas menos comprometidas com você? Antes de investir os seus trocados em uma suada edição de autor, com uns mil exemplares, é uma boa estratégia.
- Não precisar apelar para Leis de Incentivo - Leis de Incentivo, da forma como elas são hoje, não são éticas. O custo de publicar na internet, como eu já disse, pode ser zero e você não vai precisar lesar o contribuinte ou se meter com algum tipo de máfia.
- Você não precisa de um jornalista para dizer que seu trabalho é bom - Você publica, você divulga e a sua obra chega a seu leitor sem intermediários e sem precisar do aval de um caderno de cultura. Não importa quantos leitores sejam - cinco, quinhentos ou cinco mil - se você trabalhar com atenção, eles virão.
- Não prestar contas a ninguém - É comum que a editora peça para escritores mexerem em seus textos. Às vezes é necessário cortar um capítulo inteiro. Esse é o trabalho do editor: com uma visão crítica, deixar tudo ainda melhor. Mas nem sempre esses cortes são feitos em nome da estética. Editoras podem ter critérios que vão dos legais aos financeiros e creio que esses não interessam a você. Publicando em um site próprio, você só precisará responder a suas próprias expectativas.
- Aprender coisas novas - Grandes artistas, além de sua própria arte, conhecem ainda que superficialmente uma secundária. Se você quiser uma boa apresentação para o seu texto, vai acabar tendo que aprender um pouco sobre design para web e sobre programação. Nada drástico, mas isso entra no item “ter total domínio sobre seu trabalho”. Se preferir, poderá investir uma parcela do que gastaria com uma edição de autor pagando um designer. Pessoalmente, prefiro aprender sobre o assunto.
- Fama - Sim, eu sei. Você escreve para engrandecimento da sua arte sem nenhum interesse. Mas algum reconhecimento pessoal sempre é bom, ainda que pequeno. Todo mundo gosta.
- Dinheiro - Não pense em ficar rico. Ainda. Mas você, hoje, tem a opção de colocar anúncios em seu site que, com um pouco de conhecimento, podem pagar a hospedagem ou, com um pouquinho mais de conhecimento, render o suficiente para pagar também uma modesta gandaia de fim de semana. Todo bom escritor merece.
Não quero dizer que, com todas essas razões, eu renego o formato livro. Eu adoro livros. Mas a literatura cabe em muitas outras formas. Este site é sobre livros, mas se a literatura viesse em garrafas ele também poderia ser sobre garrafas.
O que eu quis dizer com tudo isso é que está na hora de quem tem alguma ambição literária - diante do atual cenário editorial - fazer sérias considerações sobre os temas internet e independência.
47 comentários até agora ↓
1 Thássius // 24 5 2007 às 19:30
Nunca tinha pensado em blogs como forma de publicar “livros”, mas me parece ser bastante viável. Se tivesse o dom da literatura, faria isso. Como não tenho, me contendo em escrever algumas besteiras no meu blog.
2 Diego Jock // 24 5 2007 às 19:58
É Ale, o pessoal de POrto Alegre começou assim mesmo, com o Cardosonline, fizeram fama, e depois partiram para seus outros projetos.
Trabalho em uma editora e todos os dias recebemos muitos projetos de autores que querem ser publicados. Ser publicado é o sonho der muita gente.
E nós temos o privilégio de sermos “publicados” todos os dias! :)
abraço!
3 marcus // 24 5 2007 às 20:46
Começaram no Cardosonline e depois o Galera e o Pilla fundaram a Livros do Mal.
Concordo com teu texto, principalmente no fator custo. É muito mais barato publicar na web do que editar um livro. Fazendo uma analogia, é como o caso do meu irmão, que tem uma banda: é mais fácil lançar os mp3 na internet do que fazer um CD.
4 Alessandro Martins // 25 5 2007 às 7:57
Como eu disse, Thássius, livro é só uma forma. Pense no blog como um suporte para a literatura. Mas o suporte deve mudar o resultado. Afinal, acho que não dá para se pensar na literatura em uma tela de computador da mesma forma que nas páginas de um livro. A não ser que os eReaders avancem muito e logo… mas acho que isso deve acontecer… Abraços!
5 Alessandro Martins // 25 5 2007 às 8:00
É o fetiche do livro, Diego. O pior é que às vezes a pessoa fica cega e não vê que o seu objetivo é chegar a um leitor e não a um livro. É focar no problema e não na solução. A internet é uma solução para muita gente. Para mim é. Abraços, meu caro!
6 Alessandro Martins // 25 5 2007 às 8:00
Sim, Marcus. Eles são um excelente exemplo. Mas creio que logo teremos uma geração de escritores que sequer chegarão aos livros e serão tão ou mais lidos que as gerações anteriores.
7 Silvia S. // 25 5 2007 às 8:22
Ale, muito boas dicas, e não servem só para blogs de literatura, mas para todo o tipo de idéia que desejemos divulgar.
Mas deixa eu fazer um pequeno protesto aqui: cadê as tuas crônicas? Cansou? Adoro os comentários, as dicas e as notícias, mas tô sentindo falta das crônicas! :-)
8 André // 25 5 2007 às 8:25
Também concordo com a questão do custo e comodidade do leitor, aliás, com várias outras.
No entanto, o fato de publicar um livro em papel, tem para um amante da literatura, a mesma diferença entre ler um e-book em PDF e comprar um livro com aquele cheiro maravilhoso e capa brilhante.
Um dia eu ainda quero ver meu nome “estampado” em uma vitrine de livraria! :)
9 Alessandro Martins // 25 5 2007 às 8:26
Oi, Silvia. Estou republicando algumas que havia tirado daqui no Cracatoa. Semana passada mesmo publiquei um texto que pode ser considerado uma crônica, dirigido ao meu amigo Paulo. Mas creio que esse tipo de texto será publicado no Craca mesmo. Aliás, você tem certeza de que já leu tudo o que eu escrevi? Dê uma olhada no Mapa do Site, no rodapé, para se certificar ;-)…
Beijos e obrigado pela parte que me toca!
10 Alessandro Martins // 25 5 2007 às 8:30
Oi, André, compreendo sua vontade de ver seu nome estampado em uma capa em uma livraria. Mas assim como compreendo meu eventual gosto por uma linda mulher usando belas botas.
Fetiche. ;-)
No fundo, o que importa é o sexo. Para o escritor, o que importa mesmo é chegar ao leitor. O resto é só um caminho. Mas sinceramente entendo você. Quem é tarado por livros entende.
Abraços!
11 Julio Daio Borges // 25 5 2007 às 10:17
Valeu, Alessandro! Sempre tive muito boas indicacoes do seu blog. Leio de vez em quando. Se nao tivesse sofrido uma overdose de feeds, leria mais. (Pretendo, no futuro.) Voce disse, em outra palavras, o que eu tentei dizer e quase ninguem quis entender la’ no Digestivo. A diferenca basica, talvez, resida no fato de que foi muito mais elegante e nao disse, como eu, que a maioria dos novatos e’ ruim de doer. Enfim… Obrigado por repercutir! Independente de qualquer opiniao, esse debate e’ importante. E voce pegou o espirito… Alias, e’ um exemplo bem-sucedido do que eu sugeri. Parabens pelo trabalho! Abracao, bom fim de semana, Julio
12 Lika // 25 5 2007 às 11:46
É ALessandro, as vantagens são muitas mas tem uma coisa que me preocupa apenas: como reservar os direitos autorais na net. Beijos!
13 Alessandro Martins // 25 5 2007 às 11:53
É fato, Julio, que os escritores iniciantes - a maioria - tem muito mais vontade que qualidade. Mas isso se deve a uma dose de ingenuidade, falta de experiência e mesmo vaidade. Por outro lado, entendo que esse tipo de afirmação possa causar alguma polêmica. Primeiro porque é uma mudança. A maior parte das pessoas é resistente às mudanças. E deixam de aproveitar as oportunidades que elas oferecem. Depois, o livro exerce esse poder fetichista sobre os leitores. Mais acima eu citei o caso do sujeito que tem fetiches por botas. Nos casos graves, o sujeito não consegue ter sexo sem a presença de seu objeto de prazer. O mesmo acontece com o livro. Boa parte dos leitores e escritores “fundamentalistas” não vê possibilidade de literatura fora dele ou de outro meio “físico”.
Pessoalmente, vejo a internet como uma opção primária e não como um recurso para a falta de opção.
Abraços, bom fim de semana e seja sempre bem-vindo.
14 Alessandro Martins // 25 5 2007 às 11:56
Disse bem, Lika. Mas creio que o recurso é o mesmo que você usaria para um livro. Não muda nada: Biblioteca Nacional. Registro.
Mas consultei uma advogada. E, em um primeiro momento, publicando-se antes não haveria grandes problemas mesmo sem registro na Biblioteca Nacional. Porém, se você tem um pé atrás, registre. Mas repito, não muda nada em relação ao livro. Beijos!
15 Albarus Andreos // 25 5 2007 às 12:02
Olá, Alessandro. Estou rindo aqui. Rindo do julio Daio Borges ali em cima. Ainda vou tomar uma cerveja com ele e ele é quem vai morrer com a conta! O fato é que ele expôs sua opinião e os outros, gostem ou não, ficaram sabendo que tem gente que pensa como ele. Eu não concordei, mas foi exatamente pelo que ele disse aqui, no comentário sobre este post. Mas o Julio é muito bom. Adoro o Digestivo e vou começar a aparecer mais por aqui também. Só que, tomando o gancho do assunto, (odeio convidar para que vejam o que escrevi, mas não tenho como evitar, agora), gostaria de convidá-lo (e ao Julio e a todos os que quiserem ler), o conto no site do Leia Livro (www.leialivro.com.br), mantido pela Secretária de estado da Cultura de São Paulo. O título é ” O Escritor Ruim”, baseado na tal discussão, que o julio comentou, quando escreveu o post “Publicar em papel, Pra que?”. Valeu!
16 Alessandro Martins // 25 5 2007 às 12:26
Oi, Albarus. Infelizmente, não encontrei seu texto. Tem como passar o link direto? Nada de errado em convidar as pessoas a ler um texto seu na minha opinião.
Abraços!
17 Carlos E.F.Oliveira // 25 5 2007 às 20:42
Lá no Digestivo se falou de escritor ruim e de mercado, de produto e de livros, uns até de artes plástica e muito, muito pouco de literatura. A diversidade salvou o debate mas prevaleceu a vaidade e arrogância, que quando atingidos o fetiche comum, expôs em essência o sapato alto de muita gente. Acho justo registrar a coerência de alguns debatedores o Albarus entre eles, Ana Elisa e Pilar Fazito; mais o saldo foi de uma aridez só. Atingidos no fetiche os apaixonados se imolaram.
18 Alessandro Martins // 25 5 2007 às 22:44
Bem, meu caro Carlos, seja bem-vindo a minha casa antes de tudo. Minha intenção aqui não é imolar ninguém. Tampouco amolar. É apontar uma oportunidade importante para escritores novos que, de outra forma, terão dificuldade para chegar ao leitor. Para mim, o objetivo de um escritor não deve ser publicar um livro, mas chegar a alguém, levar suas palavras a alguém. Se se perde o leitor habitual dos livros, paciência. Encontra-se um outro também muito bom. Porém tentar mudar toda uma estrutura é muito difícil, mesmo em conjunto. Então, o melhor, menos desgastante e mais inteligente é aproveitar as frestas. Bem. É apenas uma sugestão. Eu a tenho aproveitado com muita satisfação até o momento.
Abraços meu caro e bom fim de semana! Espero que volte mais vezes.
19 marcus // 26 5 2007 às 11:00
Assim como o Diogo e o André, tenho fetiche por livros. Adoro. Creio que ele, enquanto suporte, nunca acabará, assim como o LP e até mesmo o CD. Talvez o mercado se concentre mais em edições pocket, de baixo custo, e luxuosas, com capa dura, ilustrações, dados bibliográficos etc.
Uma editora que faz algo muito legal aqui no Brasil é a Cosac Naify. Eu comprei Histórias Fantásticas, uma coletânea de contos do Adolfo Bioy Casares publicado por ela, que é ótima. Capa dura, informações de onde os contos foram retirados, enfim, um respeito muito grande com o leitor.
20 Dominio // 26 5 2007 às 11:00
A Internet é uma opção, porém achei o post tendencioso. Por que ? Ora, ele fala apenas das vantagens… seria mais completo se apresentasse uma comparação. Fazer um Blog tem desvantagens também:
a) Credibilidade
Existem milhões de blogs por ai, e devido a facilidade, qualquer um pode ter um Blog. Lado possitivo: qualquer um pode ter… lado negativo: ter um blog não confere nenhuma credibilidade ao autor… Sob a ótica da credibilidade, escrever um livro dá de dez a zero no blog.
b) Distribuição
Quando uma editora escolhe seu manuscrito para ser impresso, ela se encarrega da distribuição. Como colocar o livro na Saraiva, Submarino, Fnac, Cultura ?
Através de uma boa editora, e para isso você precisa desenvolver conteúdo relevante e etc…
E quando a editora te escolhe… BINGO ! Credibilidade. Neste mar de conteúdo que vivemos, credibilidade é FUNDAMENTAL. Apesar da importância, a credibilidade muitas vezes é menosprezada por se tratar de algo subjetivo.
c) Divulgação
Você não consegue escrever um post e gerar notícia sobre seu post… porém quando você publica um livro, você pode criar um press-release e enviar para os veículos, ou seja, livro é notícia, post e blog não.
Acho sensato dizer que o blog é uma opção diferente do livro, barata, sem credibilidade e com a enorme probabilidade de ser engolida pelo ruido (noise) do mercado. Acho o blog uma solução interessante para complementar um trabalho sobre um livro, mas não para substituí-lo.
Espero ter sido útil. Atenciosamente,
Ricardo Vaz Monteiro
http://www.Vazmonteiro.com
21 Alessandro Martins // 26 5 2007 às 11:10
Também gosto do livro como você, Marcus, e também acredito que como o LP ele sempre vai existir para os aficcionados. Procurei, por isso - porque o escritor não busca apenas aficcionados por um tipo de suporte específico - me concentrar na questão de que o escritor busca acima de tudo o leitor. Abraços meu caro!
22 Alessandro Martins // 26 5 2007 às 11:41
Foi muito útil sim, meu caro Vaz.
Tenho algumas coisas para complementar suas afirmações.
Sobre a credibilidade, é sabido que muitos autores de blog, ainda que inéditos em livro, são tão ou mais conhecidos e respeitados que milhares de escritores que já tenham lançado suas sofridas edições de autor (sofridas no sentido de que eles sofrem para lançá-las). A credibilidade não vem do continente, mas do conteúdo. Eu, como leitor, percebo na hora a diferença que há entre - por exemplo - um blog bom e um livro ruim. E não é a forma. Tenho observado que, na rede, credibilidade, autoridade e reputação costumam se construir mais lentamente porém com mais propriedade que em outros meios. É preciso deixar claro que, para ter um blog com credibilidade, dá tanto ou mais trabalho que publicar um livro. Mas, pelo menos, você não põe a mão no bolso.
Você falou sobre a distribuição. E para isso - e para se evitar de pagar uma edição de autor - surge o problema de uma editora escolher você. A grande questão é que como você disse, para haver distribuição, a editora precisa escolher você. Com um blog - e não existe apenas esse formato na internet - você tem isso de graça sem depender da concorrência na hora de ser escolhido, na hora de ir para um ponto da livraria e muitas outras (e não vou entrar no mérito dos critérios usados pelas grandes editoras e nos critérios das livrarias em relação a editoras grandes e pequenas). Você só depende da qualidade do que escreve e do trabalho que você tem para divulgar na rede o seu trabalho. Para um escritor iniciante, que dificilmente será escolhido por uma editora, talvez nem sequer tenha seu original avaliado, isso é fundamental. Que fazer? Reclamar? Brigar? Criar uma lei federal que obrigue as editoras a avaliar todos os escritores inéditos independentemente de sua qualidade? Não. Faça um blog ou o que for, na rede e chegue até o seu leitor sem intermediários.
Quanto à divulgação, creio que você deve saber o que costuma acontecer aos releases de 95% dos livros que chegam às redações de jornais. Não porque os jornalistas sejam pessoas más. Mas não há espaço para todo mundo. Na rede há. E, o melhor, o seu post não necessariamente depende de uma notícia para chegar ao seu leitor. Depende de algo um pouco diferente chamado indexação. Se ela for bem feita, aquilo que você escreveu chegará facilmente até o seu leitor porque ele procurará algo na internet - no Google, por exemplo - e chegará exatamente por você. A partir do momento que você “fidelizá-lo” (odeio esse termo) terá um leitor. Por outro lado, as notícias na internet se propagam de uma forma muito diferente do que no meio físico. É quase que como no sistema interpessoal, mas mais intenso do ponto de vista prático pois é mais permanente do que uma propagação boca a boca. Funciona assim: alguém - que tem um outro blog ou site - lê o que você escreveu e faz um link em um artigo (nesse artigo que você acabou de ler você há um exemplo disso). Talvez, muito possivelmente, através deste link outras pessoas o leiam e outras pessoas também façam outros links. Quanto mais links, melhor esse artigo ou texto é indexado nos buscadores e - tcharam - melhor você é indexado nos buscadores como o Yahoo, para não ficarmos só no Google. E o ciclo se repete. Mas, claro, para isso acontecer você precisa ter uma série de coisas, e uma delas é qualidade de conteúdo. Mas pelo menos aí, você não precisa da boa vontade da editora, mas apenas de seu próprio esforço para fazer uma divulgação inicial de seu trabalho. Essa é só uma das formas em que a questão da divulgação funciona na internet. Nesse quesito eu também poderia falar de sites estilo digg, del.icio.us e outros que também no Brasil começam a ganhar força, mas ficaria muito longo.
Por esses e outros motivos eu vejo o blog, e a internet em geral, não como algo complementar ou secundário, mas suficiente em si mesmos e primários.
Acima de tudo para quem está começando. Se, depois que o esse escritor iniciante quiser lançar um livro, uma espécie de edição comemorativa ou souvenir - quanto não for mais tão iniciante assim -, então ótimo.
Desculpe pela longa resposta, mas as observações por você levantadas por você pediram uma cuidadosa atenção. Eu é que agradeço por sua participação e por ter feito eu elaborar um texto que certamente renderá um novo artigo.
Abraços fortes.
23 Lenira Almeida Heck // 26 5 2007 às 19:38
Olá Ale,
A dicas acima são de utildade pública. As suas colocações, além de oportunas, são verdadeiras.
O escritor é como um bom garimpeiro, busca o leitor onde quer que ele esteja. O importante é divulgar o seu trabalho.
A internet realmente é uma grande vitrine. Quem sabe aproveitá-la, terá grandes portunidades.
Abraços, Lenira.
24 _Maga // 27 5 2007 às 0:06
Olá Alessandro,
O post está muito bom, não é a toa que rendeu comentários interessantes.
Quanto a mim, gostei em especial das razões 4, 10 e da 12.
Além, claro, da frase “E eu nem tenho garagem”, quando me pus a imaginar o autor em seu kitnet usando os seus preciosos livro como suporte para uma madeira que serve de mesa, fazendo o papel de banco, de suporte para panela… e todas as outras coisas que ele deixou de comprar para editar o livro. E lamentando-se por ainda não ter conseguido transformar o livro em um meio de transporte… rs
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Pensei apenas em uma area em que o livro ainda e imprescindivel: na area academica. Mas pelo menos na minha area tenho visto vários sites servindo de base para livros posteriores.
Um abraço
25 Alessandro Martins // 27 5 2007 às 9:43
É o que eu também penso, Lenira. Por que insistir por um caminho cheio de dificuldades se há outro mais simples não é? É a diferença entre ser o murro em ponta de faca e ser a água que contorna a pedra no riacho ;-)
Beijos!
26 Alessandro Martins // 27 5 2007 às 9:44
Na verdade, Maga, temos que admitir que o livro é ainda imprescindível. Não digo que não seria bom para todos aqueles que pretendem seguir a carreira literária ser publicado em livro. Mas se isso não é possível - e ainda que seja, constitua algo de baixo resultado - porque não tentar uma alternativa mais inteligente?
27 Vantagens da internet sobre o livro em credibilidade, distribuição e divulgação para o escritor iniciante | Alessandro Martins - livros e afins // 27 5 2007 às 10:54
[...] Eu vejo a web como uma alternativa séria para o escritor. Não por falta de opções, mas por ser justamente uma opção vantajosa, como expus no artigo 14 razões para você publicar seu trabalho na internet e não em um livro. [...]
28 Albarus Andreos // 28 5 2007 às 14:17
Oh Alessandro, desculpe! É que lá no Leia Livro às vezes publicam os contos no mesmo dia, às vezes demoram mais. Mas já está lá. “O Escritor Ruim”, confira. Desculpem os erros de revisão. Geralmente demoro para revisar o triplo do tempo que levo para escrever, mas acaba passando algumas coisas, principalmente quando o revisor automático do Word faz das suas… O link, caso ainda precise, é: http://www.leialivro.sp.gov.br/texto.php?uid=15468
Abraços!!
29 Lice // 12 6 2007 às 1:21
Ale! O que você acha dos livros vendidos em banca de jornal?
Resposta: Bem, em banca de jornal você encontra de tudo… desde Sabrinas e quetais até obras mais importantes. Já comprei livros em bancas de jornal. É um meio como qualquer outro e uma maneira de chegar a um outro público e até outra maneira de chegar ao mesmo público… na verdade não pensei exatamente sobre isso, mas prometo fazê-lo. Beijos!
30 Daisy Carvalho // 16 6 2007 às 10:13
Gostaria de um caminho para chegar às suas crônicas, Ale…
E preciso também me acostumar com a quase desimportante impressão do livro.
Abraço,
Daisy Carvalho.
Resposta: Eu as estou publicando novamente no http://www.cracatoa.com.br e, se você quiser ler todas as mais antigas, pode fazê-lo em http://www.cracatoa.com.br/2005/cronicas/todos.php...
Beijos!
31 Blogger ensina como publicar seu livro em blog da melhor maneira | Alessandro Martins - livros e afins // 21 6 2007 às 10:51
[...] você é um escritor iniciante já sabe que há muitos motivos para publicar apenas na internet e que há muitas vantagens em escrever dessa [...]
32 Aos Maiores Escritores: Parabéns e Obrigado // 22 7 2007 às 16:59
[...] Com um estilo descontraído, mas com análises criteriosas quando necessário, encontramos no blog curiosidades sobre a literatura em geral, ferramentas e indicações úteis para leitura na internet e claro, algumas opiniões quase filosóficas deste escritor que vê a internet como o seu principal (e quase único) meio de ligação com se…. [...]
33 Olivia // 1 8 2007 às 12:01
cheguei aqui meio fora de tempo, mas enfim. porque ando com todas essas idéias na cabeça, e isso ainda porque cheguei a publicar por editora normal. pois veja. a idéia está ecoando por todos os lados. cedo ou tarde essa gente vai começar a se dar conta, em massa, de tudo isso que você (e de certa forma, eu também) diz. é!
34 Claudia Banegas // 5 8 2007 às 1:06
Achei muito interessante o assunto, mas a minha dúvida ainda é: tenho dois livros finalizados, sou iniciante na área literária…é mto difícil achar uma editora que se interesse pelos livros e quando se acha alguma, elas publicam visando o dinheiro que vão ganhar, sem se preocupar com o conteúdo do livro. Se eu publicar minhas obras na net…em um blog…como reservar os direitos autorais das minhas obras? Posso registrar um blog? Terei que registrar crônica por crônica…? Desculpe, mas isso eu não entendi..se puderem enviar email para mim, eu agradeceria…
35 Claudia Banegas // 13 8 2007 às 19:51
Bom, eu resolvi arriscar…abri um blog literário, o Borboletando Poesia:
http://www.claudiabanegas.zip.net
Também disponibilizei meus dois livros em forma de -ebook no Recanto das Letras.
http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/603238
“Não Tenho Medo do Escuro”
e
http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=601420
“Metamorpho - Transformações nos Ciclos da Vida”
Boa leitura a todos!
Cláudia Banegas.
36 Emerson Braga // 28 9 2007 às 14:26
Após ler o artigo “14 razões para você publicar seu trabalho na internet e não em um livro”, resolvi arriscar com a minha ficção ALCATÉIA. Não sei se o formato vai ficar legal, pois sou meio alheio à utilização de ferramentas dos Blogs, mas garanto que a história está bem empolgante! Gostaria muito que todos dessem uma conferida! Grande abraço!
http://livroalcateia.blogspot.com/
37 Emerson Braga // 28 9 2007 às 14:32
Após ler o artigo “14 razões para você publicar seu trabalho na internet e não em um livro” resolvi arriscar e publicar minha ficção ALCATÉIA na internet. Como sou meio alheio às ferramentas de Blogs, não sei se o formato que eu dei ao meu livro é adequado, mas garanto que a história é bem empolgante! Gostaria que todos dessem uma conferida! Grande abraço!
38 Antonio Leal // 4 1 2008 às 0:48
Olá, Cláudia Banegas. Descobri vc aqui, vi e gostei do seu trabalho. Parabéns
Também escrevo poesia e contos, mas tenho receio de expor em blog. Poderia me dizer que resposta teve quando perguntou acerca dos seus temores quanto aos direitos autorais?
Ficaria grato por sua atenção
Grande Abraço
39 Vivian // 13 2 2008 às 15:10
Oi queria mais informações sobre o blog e como faço para fazer um?????
40 Armando // 14 2 2008 às 8:51
Alessandro:
Li o seu comentário, e mesmo sendo um ‘bibliófilo’ empedernido, achei extremamente pertinente. Mas , ao mesmo tempo, também me ocorreu o que li na entrevista do Paulo Pozzonoff Jr., aqui no Digestivo, que como vc deve saber, foi um cara que chegou a criar uma editora na época do boom da Internet: ” Acreditávamos, tolamente, que havia vários talentos literários escondidos pela blogosfera. Não havia.”
O que eu quero dizer é o seguinte: sinto falta de um espaço que funcione mais específicamente como uma espécie de oficina literária, um espaço de troca de idéias, de discussão, onde as pessoas possam postar os seus textos, ou o esboço de um texto, para serem criticados, para terem uma primeira leitura, serem avaliados coletivamente, de forma compartilhada, recíproca - todo mundo tendo claro que aquele não é um texto acabado - para que aquele que escreve possa ter um feedback, refletir críticamente sobre o seu próprio trabalho.
E, a partir daí, quando se sentir mais seguro, quando tiver passado por essa ‘forja’, digamos, poder então, publicar o seu texto, criar o seu próprio blog …
Porque, é como disse o Quintana, quando foi convidado para escrever uma frase para ser colocada num monumento em sua homenagem na cidade em que nasceu: “Uma besteira em bronze é uma besteira eterna… ”
Até para evitar que o cara saia criando um blog, e publicando coisas que depois, numa releitura, mais amadurecido, ele se arrependa (uma besteira em bits também é uma besteira eterna), ou até se envergonhe, e fique tão traumatizado consigo mesmo que desista definitivamente de publicar, ou até de escrever qualquer coisa.
Inclusive porque, na minha opinião, essse deveria ser o espírito que, a princípio, deve presidir na rede: a interatividade, a colaboração …
Não sei se me fiz entender, mas, de qualquer forma, faço esse registro como uma forma de reconhecimento à pertinência do teu comentário.
Um abraço.
41 Rudson Teixeira // 27 5 2008 às 20:42
Olá!, sou acadêmico do curso de Fisioterapia
do Centro Universitário do Maranhão. Escrevo trabalhos científicos, além de poesias e auto - reflexões. Gostei muito de saber da possibilidade de publicar meus trabalhos em blog. Essa é uma alternativa verdadeiramente viável e eficaz a primeira vista!. Vou experimentar apartir de hoje, valew!.
42 Uche Faria de Paula // 13 7 2008 às 19:57
Fiz uma volta ao mundo e escrevi umas 50 cronicas. Não é um guia de turismo nem um diario de viagem. São estórias engraçadas e leves prá embalar o sono. Estou na dúvida qual o caminho mais eficiente prá chegar ao leitor. Acho que as cronicas ficariam bem em revista de bordo de avião. Já fiz um blog que o pessoal gostou muito e estão me cobrando a publicação. Por onde começo gastando bem pouco?
43 Rafael Castellar das Neves // 26 7 2008 às 19:35
Olá, Alessandro!!
Achei muito interessante seus comentários sobre publicar livros em um blog. Era exatamente o tipo de informação/dica que eu estava procurando. Contudo, ainda tenho uma dúvida que está me incomodando e gostaria da sua opinião, por gentileza: devo me preocupar com os direitos autorais? Quero dizer, corro o risco de ver meus poemas publicados sob o nome de outra pessoa?
Não quero parecer arrogante, é que tenho medo de ver algo tão “eu” perdido por aí, acho que você me entende…rsrs.
Muitíssimo obrigado,
Rafael Castellar das Neves
44 Alessandro Martins // 26 7 2008 às 20:02
Rafael,
as leis que regem o direito autoral na internet são as mesmas que os
regem fora dela.
Mesmo a partir de livros, autores conhecidos que nós pobres mortais
têm sofrido com a atribuição equivocada de autoria.
Tenho publicado na internet há mais de cinco anos e lhe garanto que os
dissabores - causados por eventuais publicações não autorizadas
(geralmente feitas de boa-fé) - são bastante inferiores às alegrias
proporcionadas por essa prática.
Claro que cada experiência é individual, mas a minha diz isso.
Abraços do Alessandro.
45 Rafael Castellar das Neves // 27 7 2008 às 10:01
Muito obrigado, Alessandro!
Realmente você me ajudou e “regou” a sementinha aqui dentro. Estou pensando seriamente e creio que criarei meu Blog.
Lhe agradeço muito e - me desculpe - estarei por aqui para pedir eventuais ajudas suas…rsrsrs
Abraço e novamente, obrigado.
Rafael
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