14 razões para você publicar seu trabalho na internet e não em um livro
24 de maio de 2007 | Publicado na Categoria O prazer de escrever | 55 Comentários »Fiquei feliz ao ler o artigo Publicar em Papel? Pra quê?, de Julio Daio Borges, e encontrar eco para algo que venho repetindo há algum tempo a jovens autores inéditos que vêm me consultar.
Eu, na verdade, não entendo por que eles vêm me consultar se eu mesmo não sou editor e tampouco tenho algum livro publicado. Na verdade, nem ambiciono ter um pelos motivos que listo mais abaixo.
Esses escritores querem saber como publicar um livro. Eu recomendo algumas alternativas, mas meu conselho basicamente é: publique na internet.
Eis algumas razões para isso:
- Preço - é barato. Você pode montar um blog de graça se você trabalha com textos curtos. Se você quer lançar um romance, mesmo um blog oferece alternativas de publicação. Para publicar um livro, você vai precisar desembolsar uma boa grana e o retorno qualitativo e de resultados tem uma boa possibilidade de ser decepcionante.
- Abrangência geográfica – depois de publicado, seu livro corre um enorme risco de ficar encalhado. A distribuição é cara e as livrarias não têm boa vontade com estreantes. Porém, a minha experiência com o Cracatoa foi excelente desde o tempo em que ele era um site. Hoje ele tem o formato de um blog. Mas tenho leitores em todos os continentes. E, acima de tudo, o que eu escrevo paga todos os custos. Coisa que a uma edição de autor de um livro não aconteceria. Eu ficaria no prejuízo e os volumes na garagem. E eu nem tenho garagem.
- Total controle sobre seu trabalho – Jorge Luis Borges dizia que um escritor publicava para se ver livre do inferno de reescrever infinitamente. Isso é bom. Mas também é um inferno saber que um grave problema de enredo que você deixou passar ficará eternizado. Na internet, nada mais fácil que reeditar.
- Pioneirismo - Muitos já perguntaram se blog é literatura. Bobagem. Quem faz essa pergunta confunde o suporte com a obra em si. Uma garrafa pode ter vinho ou refrigerante. O blog pode ter notícias ou literatura. Ele é um formato ainda a ser explorado. O formato influencia sobre o melhor jeito de atuar sobre ele e você pode ser um pioneiro em novas técnicas e formas de expressão.
- Contato direto com seu público – Ainda que você tenha 50 leitores apenas, meu amigo, são 50 leitores. Você poderá ter contato direto com eles. Se você não sabe o que é receber um email ou um comentário de agradecimento por ter escrito um texto que mudou a vida de uma pessoa – verdade ou mentira, exegero ou não -, deveria tentar experimentar essa sensação. Já com o livro, você pode proporcionar efeitos sobre os mesmos 50 leitores mas talvez nem fique sabendo.
- É barato para o seu leitor – Depois de muito fuçar, seu potencial leitor encontrou seu livro em uma estante escondida nos fundos da livraria. Ele sopra as teias de aranha e abre as páginas há muito fechadas. Mesmo assim adorou o que encontrou e vai levar para casa. Mas ele terá que pagar. Porém, na internet, ele encontrou seu texto na comodidade do lar e de graça.
- Ver o fruto de seu suado trabalho – Eu já disse que você terá total controle sobre sua obra. Mas terá que trabalhar. Terá que divulgá-la. E sem ser invasivo. Fazer seu nome aos poucos. Conhecer sites e blogs literários e até não-literários. Fazer comentários. É um trabalho lento e paciente. Mas se o que você escreve for bom, se você fizer direitinho e com boa vontade, sem desistir e com disciplina e persistência, colherá os resultados. Se, no entanto, você só quer saber de escrever e ficar esperando de boca aberta que alguém importante diga alguma coisa e que você seja descoberto como nos filmes, desista. Isso é romantismo. Seja realista: trabalhe e colha.
- Fazer uma experiência – Muito bem, você é inédito e talvez só tenha a opinião de sua mãe e de alguns amigos. Se depois de tudo isso você ainda quer se ler em livro, não acha que é uma boa idéia testar os seus escritos com pessoas menos comprometidas com você? Antes de investir os seus trocados em uma suada edição de autor, com uns mil exemplares, é uma boa estratégia.
- Não precisar apelar para Leis de Incentivo – Leis de Incentivo, da forma como elas são hoje, não são éticas. O custo de publicar na internet, como eu já disse, pode ser zero e você não vai precisar lesar o contribuinte ou se meter com algum tipo de máfia.
- Você não precisa de um jornalista para dizer que seu trabalho é bom – Você publica, você divulga e a sua obra chega a seu leitor sem intermediários e sem precisar do aval de um caderno de cultura. Não importa quantos leitores sejam – cinco, quinhentos ou cinco mil – se você trabalhar com atenção, eles virão.
- Não prestar contas a ninguém – É comum que a editora peça para escritores mexerem em seus textos. Às vezes é necessário cortar um capítulo inteiro. Esse é o trabalho do editor: com uma visão crítica, deixar tudo ainda melhor. Mas nem sempre esses cortes são feitos em nome da estética. Editoras podem ter critérios que vão dos legais aos financeiros e creio que esses não interessam a você. Publicando em um site próprio, você só precisará responder a suas próprias expectativas.
- Aprender coisas novas – Grandes artistas, além de sua própria arte, conhecem ainda que superficialmente uma secundária. Se você quiser uma boa apresentação para o seu texto, vai acabar tendo que aprender um pouco sobre design para web e sobre programação. Nada drástico, mas isso entra no item “ter total domínio sobre seu trabalho”. Se preferir, poderá investir uma parcela do que gastaria com uma edição de autor pagando um designer. Pessoalmente, prefiro aprender sobre o assunto.
- Fama – Sim, eu sei. Você escreve para engrandecimento da sua arte sem nenhum interesse. Mas algum reconhecimento pessoal sempre é bom, ainda que pequeno. Todo mundo gosta.
- Dinheiro – Não pense em ficar rico. Ainda. Mas você, hoje, tem a opção de colocar anúncios em seu site que, com um pouco de conhecimento, podem pagar a hospedagem ou, com um pouquinho mais de conhecimento, render o suficiente para pagar também uma modesta gandaia de fim de semana. Todo bom escritor merece.
Não quero dizer que, com todas essas razões, eu renego o formato livro. Eu adoro livros. Mas a literatura cabe em muitas outras formas. Este site é sobre livros, mas se a literatura viesse em garrafas ele também poderia ser sobre garrafas.
O que eu quis dizer com tudo isso é que está na hora de quem tem alguma ambição literária – diante do atual cenário editorial – fazer sérias considerações sobre os temas internet e independência.

Rafael,
as leis que regem o direito autoral na internet são as mesmas que os
regem fora dela.
Mesmo a partir de livros, autores conhecidos que nós pobres mortais
têm sofrido com a atribuição equivocada de autoria.
Tenho publicado na internet há mais de cinco anos e lhe garanto que os
dissabores – causados por eventuais publicações não autorizadas
(geralmente feitas de boa-fé) – são bastante inferiores às alegrias
proporcionadas por essa prática.
Claro que cada experiência é individual, mas a minha diz isso.
Abraços do Alessandro.
Muito obrigado, Alessandro!
Realmente você me ajudou e “regou” a sementinha aqui dentro. Estou pensando seriamente e creio que criarei meu Blog.
Lhe agradeço muito e – me desculpe – estarei por aqui para pedir eventuais ajudas suas…rsrsrs
Abraço e novamente, obrigado.
Rafael
ola eu tenho algumas obras para registrar mas ainda não estam registadas gostaria de receber alguns conselhos por vossa parte tantas obras poeticas, e com variedades de títulos. mas sem reconhecimento não sei como ficam. será que se eu publicar não vão roubar e trocar a autoridade?
gostaria que enviassem Deferimento.
Eduardo,
na internet é um risco que se corre: darem a autoria de uma obra a outro e creditarem a um escritor importante uma obra de menor porte.
Tenho muita coisa – muita mesmo – publicada na internet e até hoje nunca tive grandes problemas de autoria.
No entanto, se tiver algum problema ou alguma insegurança, registre.
Abraços do Alessandro.
Gostei demais de todos os comentarios. Foram extremamente instrutivos. Tenho dois livros escritos e só me faltava alguma orientação. Vou dar jeito na vida. Vi que todos têm as mesmas dificuldades e o importante é começar. Realmente o que buscamos é o leitor. Medos…Só por insegurança. Se você é um bom escritor irá criar muitas obras ou muitos abortos, como afirmou Henri Miller . O importante é ser lido!! O belo é passar mensagens…
Obrigado pelas dicas!!!!
Lore Ricardo
Março/2009
de que forma fica os meus direitos autorais,como enviar esse material (a obra em sí),como ganho dinheiro com esse sistema,como eu faço para acompanhar a movimentação financeira?ou eu não ganho nada publicando o meu livro? obigado atenciosamente.
Publicar na internet realmente é o maximo! estou utilizando o murall (www.murall.com.br) e estou tendo ótimo resultado. O site tem ótimo posicionamento no google, eh um banco de artigos e textos. vale a pena