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Não assino o feed de blogs com conteúdo idiota

4 de abril de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 18 Comentários »

Simples assim. Se percebo que o blog é escrito para um dispositivo de busca e não para pessoas, eu não visito, não assino o feed, não mando flores. Sou leitor, tenho pouco tempo e sou egoísta quanto a esse ponto.

Mesmo quando leio um livro de, digamos, Guimarães Rosa, é comigo que Guimarães Rosa está falando. Se eu leio o seu blog, é comigo que você fala. E ainda que haja uma grande distância entre nós dois – pequeninos – e Rosa – grande -, toco no assunto dessa forma porque acredito na conversa entre humanos através da palavra escrita e falada, sejam eles humanos da mesma época ou não ou mesmo de diferentes estaturas.

Então, se a conversa é com algum ser de natureza cibernética obscura, não há drama. Não preciso ler. Eu sei quando alguém se dirige a outro que não eu.

É fácil. É só ver se o autor versa sobre a última personalidade famosa que ficou sem calcinha, a última edição de algum show de realidade estúpido ou a mais recente modelo flagrada fazendo aquilo que todo mundo gostaria de fazer naquele instante. Ou algo assim.

Porém, não cometerei o erro de ser autoritário, exigindo que você mude de assunto. Apenas sairei pela porta dos fundos respeitosa e silenciosamente.

Não pretendo dizer como deve ser o conteúdo de um site ou como ele deve ser escrito. No entanto, não consigo evitar de me sentir um tanto miserável ao me imaginar indo até a lista de termos mais buscados do Technorati para pautar os meus escritos a fim de garantir alguns trocados a mais no fim do mês.

Claro, todo mundo tem que pagar o aluguel mensalmente. Essa frase e a sua variante “estou apenas cumprindo ordens” já serviram de respaldo para muitas atitudes idiotas, quando não covardes.

Mas, que fique claro, longe de mim querer controlar o julgamento do que cada indivíduo acredita ser mais sensato. Eu, por exemplo, julgo sensato manter esses anúncios em que de vez em quando algum visitante interessado clica. Como também julgo sensato que eles, os anúncios, trabalhem para mim e não o contrário.

Portanto, apenas dou esclarecimento daquilo que eu pretendo fazer. Nada mais justo que ao menos de meus atos eu seja senhor, já que de forma alguma desejo ser senhor dos atos alheios: blogs com conteúdo idiota, pautados por aparelhos de busca, apenas visitarei como fruto de um engano ou de mera curiosidade biológica.

Mas não falo disso apenas por mim, enquanto leitor e egoísta. É que me irrita um pouco ver pessoas aparentemente inteligentes lançando mão desse tipo de recurso.

O mais importante, no entanto, é que o conteúdo da internet quem faz não são os autores. Mas os leitores. São eles que escolhem o que ler. Eu já escolhi.

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18 Comentários para “Não assino o feed de blogs com conteúdo idiota”

  1. _Maga - 5 4 2007 às 14:53

    Lendo os comentários dos meus “colegas” comentadores fiquei mais tranqüila. Não sou a única blogueira paranoica por aqui… rs

    Desta vez só não fiquei mais preocupada porque nem feed nem propaganda o meu blog possui… hahahaha

    beijos

  2. Mário - 6 4 2007 às 14:42

    Pô, Alê, agora você rasgou a ferida! É isso mesmo o que eu penso: a seleção quem faz é o leitor e temos que lembrar que alguém vai ler o que está publicado. O que publico lá em casa é o resultado do que penso. Custou 41 anos de experiência para chegar neste ponto e custará muitos anos mais para aperfeiçoar e compreender certas coisas que ocorrem. Tudo o que um blogueiro tem é o nome, aqui representado como o conteúdo de si mesmo, o fruto das suas vivências pessoais (algumas delas muito dolorosas). Por isso, não coloquei ainda o AD-SENSE, porque ele pode conduzir o meu leitor para um site que tenha idéias antagônicas às minhas. Talvez eu pense o contrário daqui uns dois minutos, mas, por enquanto, prefiro ficar independente e bancar sozinho os meus custos para manter o blog no ar. Tenho pensado em parceria seletiva, escolhendo o anunciante, pedindo curriculum e tudo, mas mesmo assim ainda não estou confortável. Seu post é todo verdadeiro, gostei muito. Abraços, Mário.

    Resposta: Só um toque: no Adsense há uma ferramenta com a qual você exclui anunciantes com os quais você “não vai com a cara”…

    Abraços!

  3. Pri - 6 4 2007 às 21:37

    No momento eu estou lendo esse aqui http://www.alessandromartins.com, muito bom, recomendo (hauhauhauhau)

    Acreidta que o escritor até responde seus comentários?! =O

    Bjos Alê

    Resposta: Responde? Aposto que esse cara deve ser muito exótico. Tipo o David Bowie ou Yul Brinner… rs…

    Beijos,
    do Ale.

  4. Tv Retrô - 23 5 2007 às 16:11

    Concordo com você, Alessandro. Um autor escreve parao leitor e acho que uma das maiores satisfações que ele tem é o FeedBack. Até mais.

  5. Danielle - 8 6 2007 às 17:49

    Vc podia ter dedicado esse post ao Sr. Carlos Cardoso.

  6. Alessandro Martins - 8 6 2007 às 18:15

    Cara Danielle, escrevi este post sem citar nomes para que aqueles que com ele se identificassem assim o fizessem com liberdade e para aqueles que preferirem dedicá-lo a alguém também prosseguissem democraticamente, respeitando a variedade de opiniões presente na rede. Se, então, preferir dedicar o artigo a quem quer que seja, vá em frente. Por outro lado, eu não poderia seguir o seu conselho, uma vez que, ainda que eu não assine qualquer feed do referido blogueiro, não considero que os seus conteúdos sejam completamente idiotas. Do mesmo modo como o meu conteúdo também não chega a ser completamente genial. Abraços e seja sempre bem-vinda!

  1. [...] Encontrei esta citação no livro A Arte de Escrever, antologia de ensaios retirados da obra Parerga e Paralipomena, de Arthur Schopenhauer: Antes de tudo, há dois tipos de escritores: aqueles que escrevem em função do assunto e os que escrevem por escrever. Os primeiros tiveram pensamentos, ou fizeram experiências, que lhes parecem dignos de ser comunicados; os outros precisam de dinheiro. Pensam para exercer sua atividade de escritores. É possível reconhecê-los tanto por sua tendência de dar a maior extensão possível a seus pensamentos e de apresentar meias-verdades, pensamentos enviesados, forçados e vacilantes, como por sua preferência pelo claro-escuro, a escrita não tem precisão nem clareza. (…) Assim que alguém percebe isso, deve jogar fora o livro, pois o tempo é precioso. (…) Qualquer um que precise de dinheiro senta-se à escrivaninha e escreve um livro e o público é tolo o bastante para comprá-lo. A conseqüência secundária disso é a deterioração da língua. [...]

  2. [...] já disse por aqui que não gosto desse tipo de site. Para mim, blogs de miguxos são pelo menos 17 vezes superiores a essa categoria. E, a cada vez que [...]

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