Escritores viajando com seu dinheiro continuam a provocar reações
27 de março de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 7 Comentários »O projeto Amores Expressos, financiado pela Lei Rouanet e sobre o qual escrevi recentemente, continua a provocar reações. Nele, 16 escritores – alguns deles inéditos – viajarão para diversas cidades do mundo, com tudo pago, recebendo R$ 10 mil cada, graças ao imposto de renda de empresas que atualmente não conhecem outra maneira de patrocinar a arte a não ser com o dinheiro que seria, de qualquer forma, destinado a projetos realmente importantes ou para os bolsos de políticos corruptos.
Um dos escritores participantes do projeto, Joca Reiners Terron, em seu blog, em uma nota de esclarecimento, fez questão de dizer que não tem nada a ver com isso. Note que ele é bem enfático e claro ao afirmar.
Uma dos artigos a respeito é o do Paulo Polzonoff Jr que trata não só dos Amores Expressos, mas de todo e qualquer projeto financiado por alguma lei de incentivo. Ele sugere simplesmente o boicote aos tais Amores Expressos e a obras que tenham sido possibilitadas com recursos vindos da renúncia fiscal.
Minha atitude em relação a filmes, peças, exposições, shows e livros com a logomarca das leis de incentivo à cultura é uma só: o boicote. É pouco, mas é o que eu posso fazer. Não vejo peças de Marília Pêra, não vou a shows de Chico Buarque, não vejo exposição do Itaú Cultural, não vejo filmes do Cacá Diegues e não leio livros da coleção Amores Expressos.
Ele completa:
Não chega a ser um sacrifício. A verdade é que nada disso faz falta realmente. Nada.
Já Saint-Clair Stockler, em seu artigo sobre os Amores Expressos, chama a atenção para o fato de que entre os 16 escritores há tantos que sequer publicaram livros ainda.
Em princípio, não vejo nada de errado em um Projeto literário dessa natureza. A coisa começa a me cheirar mal, muito mal mesmo, é quando numa lista de 16 autores, alguns fazendo parte do time dos maiores escritores brasileiros vivos, aparecem também nomes de ilustres desconhecidos, que nunca jamais publicaram um livro sequer. Algum de vocês imagina um Projeto semelhante, no qual, por exemplo, 16 autores portugueses – Saramago, Lobo Antunes, Lídia Jorge, Inês Pedrosa, José Luis Peixôto, entre outros – são convidados a passar um mês com tudo pago em uma dentre 16 cidades brasileiras, todos esses grandes autores portugueses, e mais um punhado de “escritores” sem livros publicados, inéditos? Se o Projeto é um “projeto literário” a primeira coisa a ser observada na escolha dos escritores é sua produção literária, certo? Ou será que eu enloqueci e estou querendo demais?

Um link esclarecedor: http://hellhotel.blogger.com.br/2007_03_01_archive.html#39495065
Resposta: Eu só posso concluir que o Eduardo Teixeira e a Companhia das Letras são muito caridosos!
:-)
Beijos!
Eu concordo com o Paulo. Nem é por nada demais, mas eu tenho preguiça das leis de incentivo à cultura brasileiras. Tome o exemplo do cinema: quanto mais o estado ajuda, piores são os filmes (claro que há exceções, graças à capacidade autoral); acho que o mundo está bem sem os filmes brasileiros. Mas voltando ao Amores Expressos: é no mínimo estranho a presença de escritores sem livros (…).
Abraço.
Pô, Alê, esqueceram de me chamar? (risos). Deixa ver, 10 mangos, meu! O que tem que fazer lá? Bater papo sobre os livros que um dia pretende escrever? Tô dentro, fio! Onde que me inscrevo? No Palácio do Planalto? Putz, preciso parar de falar mal do Lula lá no bloguinho… (rs).
Falando sério, cara, isso aí fede. A legislação de incentivo à produção cultural (cinema, teatro, literatura, etc.) tinha um objetivo sério, mano. Faz tempo andei analisando todas elas (são várias, a Lei Rouanet é só uma daquelas) porque a empresa em que eu trabalhava tinha interesse em patrocinar um jornal que tratava de ecologia… mas era um rolo só, tamanha a burocracia. A empresa acabou nem utilizando os benefícios fiscais, patrocinou por conta própria e ainda pagou os impostos devidos. Muita coisa tá errada, Alê. Incentivar a cultura exige mais do que reuniões de bate-papos descontraídos. Abraços, Mário.
Resposta: Na verdade, criou-se toda uma estrutura intermediária de captadores que faz o meio de campo burocrático entre artistas, empresas e estado… e acho que não era pra isso acontecer… ou era?
Abraços!
Polido, o tal do Joca. Eu é que não faço a menor questão de ler nada escrito por ele. (risos) E nem ir para nenhum do lugares para onde ele me mandou! Hahaha…
Resposta: Pois é… agora vamos aguardar os resultados. Na boa, espero que, pelo menos, sejam bons…
Beijos!
Não entendo, vocês são contra qualquer tipo de mecenato para as artes ou contra esse projeto Amores Expressos?
Não pensei muito sobre o assunto, mas me parece que a arte, no mundo todo, sempre precisou de mecenas…
Resposta: Oi, Pablo!
Eu sugiro que leia a seguinte entrevista e, anexe a isso, os nomes relacionados e toda a idéia do projeto. Diga-me, se você fosse um mecenas – com prioridades como saúde, educação, segurança e etc – e o seu artista, digamos assim, pedisse pra você uma grana para viajar para Bagdá por que acha que precisa ir até lá para escrever uma história de amor… você daria? Se você disser que sim, prometo não contrariá-lo…
Abraços!
Estou com o Saint-Clair Stockler. Acho que é o mais conveniente que eu possa afirmar nessa balbúrdia toda. Falar mais para quê?
Resposta: Eu também… acho que vou parar de tocar nesse assunto…
Para ser escritor é necessário viajar. Para viajar é necessário disposição, tempo e meios. Se alguém está disposto a fazer isso deveremos avaliar os resultados do projeto como obra de arte. Outros critérios são falhos, imediatistas e apressados.
Se elas – obras – foram financiadas com dinheiro público é uma questão secundária. Infelizmente o nosso dinheiro é pessimamente aplicado, não só nisso, mas em quase todo o resto. Basta vermos escolas, segurança, medicina, tudo o que o gestor público coloca as mãos vira essa paçoca. Um investimento errado a mais, não contará nada, se ele der errado, se der certo é um tremendo avanço para nós leitores.
Alerto que a miséria de critérios para avaliação de projetos é nossa. Toda a responsabilidade é nossa, única e exclusivamente nossa. Escolhemos, votamos, e pronto. E esse é o resultado.
Soube pelo Férrez que a “Campanha Criança Esperança” é toda ela com esse mesmo formato: renúncia fiscal. Doamos o dinheiro e ele vai como parte do pagamento do IR da rede Globo. Isso deveria também ser mais bem explicado, antes de se pedir o dinheiro.
Creio que a crítica literária ou dos leitores deverá dizer se o resultado desse movimento é bom. Antes disso é passionalismo, é prejulgamento; é dizer que os protagonistas não são sérios. Não conheço ninguém que foi citado, convidado ou simples partícipe disso tudo. Apenas gostaria de dar uma palavra de sensatez e pedir para comprarmos ou não segundo créditos de beleza. Não?
Resposta: Djabal, já comprei apartamento na planta e não foi bom.
Abraços!