O Quixote para ouvir grátis

30 1 2007 por Alessandro Martins · 9 comentários

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  • O Departamento de Educação Cultura e Esporte do Governo de Aragón, na Espanha, colocou à disposição dos visitantes O Quixote de Cervantes em mp3, para ser baixado e ouvido gratuitamente.

    Dom Quixote e Sancho Pança, por Honore Dumier

    O texto do livro As Aventuras do Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha - depois da Bíblia, o livro mais traduzido e lido no mundo - está em espanhol mas, se você tem curiosidade ou está aprendendo a língua de Miguel de Cervantes Saavedra, certamente vale a experiência.

    A história do Cavaleiro da Triste Figura é composta de 126 capítulos. São duas partes. A primeira publicada em 1605 e a outra em 1615. Contemporâneo de Shakespeare, Cervantes começou a escrevê-la preso em Sevilha, em 1602.

    A imagem habitual do Quixote, magro e com certa nobreza, lembra meu avô materno. Muito embora ele fosse sempre sorridente e não triste como o cavaleiro.

    Essa associação tão familiar surgiu quando eu era criança ainda. Havia um desenho animado com as aventuras do fidalgo. E eu entendia que as tais aventuras estavam mais para desventuras. O Quixote sempre se enganava, como no célebre episódio dos moinhos de vento, ou era enganado como em tantos outros episódios do livro.

    Ainda assim, não desistia de perambular pelo mundo a imitar os heróicos personagens dos romances de cavalaria que devorara. Não só seus trajes são defasados, mas também suas qualidades, tais como bondade, doçura e uma sutil mas vasta sabedoria. Na verdade, talvez ele é que estivesse à frente do resto do mundo.

    É notável que - em um tempo em que as supostas vitórias e os supostos vencedores sejam tão cultuados - uma das principais narrativas do cânone seja justamente sobre um perdedor, um loser. Também suposto.

    Eu ficava pensando, enquanto assistia à animação, como podiam passar uma coisa daquelas para crianças. Era meio triste e frustrante tudo o que acontecia com ele. Ainda mais o achando tão parecido com meu avô.

    Eu não entendia, na época, que Dom Quixote era daquele jeito para que eu mesmo não precisasse ser.

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    9 comentários até agora ↓

    • 1 Paulo Polzonoff Jr // 30 1 2007 às 13:34

      Ale,

      Uma perguntinha provocativa: quantas pessoas você conhece que leram mesmo o D. Quixote? Acho que o livro é grande demais para nossa paciência contemporânea.

      Aliás, é incrível como as traduções brasileiras são pomposas. Vós para um lado, mesóclises para outro. Descobri que é muito bom ler as obras-primas universais em inglês: simples, direto e não menos bonito. Brasileiro precisa aprender que literatura não é babado de camisa de pirata, if you know what I mean.

      Esta parte do comentário você pode apagar, se quiser: loser é um com o apenas. Me corrigiram uma vez e eu nunca esqueci.

      abs

      Resposta: É com certo lamento que confesso que li apenas a primeira parte e, depois, nunca mais engrenei na segunda. Mas está nos projetos deste ano o início, ou reinício, da leitura em voz alta com a Júlia. Ela está aqui do meu lado dizendo que topa. Podíamos até gravar…

    • 2 Flávia // 30 1 2007 às 13:46

      Infelizmente o Paulo tem razão. Não é fácil ler Dom Quixote, eu comprei o livro há anos e nunca li. Tentei diversas vezes. A história que eu conheço aprendi no teatro, em várias peças que já vi e nas ilustrações feitas por Salvador Dali (as minhas preferidas) , que me fazem viajar na história. Os dois volumes enormes do livro estão na estante, quem sabe um dia…

      Resposta: Talvez as traduções sejam mesmo desencorajadoras como também disse o Paulo. Eu tive o mesmo problema com uma edição de Guerra e Paz e também nunca mais peguei no livro. Era algo sobre russos… como diria o Woody Allen.

    • 3 Ed // 30 1 2007 às 15:22

      Boa a pergunta do Paulo. Eu lí, tenho-o eu minha estante, mas não vou dizer que foi a maior das empolgações.

      Eu me pergunto também quem foi que teve coragem de narrar todo o Dom Quixote. Eu não consigo me imaginar com o mp3 player tocando as aventuras de Quixote e Sancho sem dormir um pouquinho.

      Mas respeitemos. É uma obra essencial.
      Abraço.

      Resposta: Talvez seja uma dessas obras que tenha que ser degustada aos poucos. Talvez não estejamos mais preparados, como eu já disse em outro momento, para sentar e ler um livro durante oito horas seguidas. A leitura, ou qualquer outra atividade, deve estar ligada ao prazer se se deseja tirar o máximo da experiência… é melhor fazer outra coisa antes que ela se torne entediante ou chata e aumentar o tempo aos poucos. Ninguém aprende a nadar entrando no lado fundo da piscina. Primeiro é preciso molhar os calcanhares…

    • 4 Marco // 30 1 2007 às 15:28

      Idem, li o primeiro volume e não terminei o segundo. A edição que eu tinha era uma de capa dura, creio que da Abril, numa tradução muito, como diria, ibérica do livro… Também assisti ao desenho e, na mesma época, passava um desenho da volta ao mundo em oitenta dias, bom, fui tentar ler o dois, preferi Julio Verne, que foi quem me fez gostar de ler…

      Um abraço,

      Marco

      Resposta: Foi essa mesma edição a que eu li. Não sei até que ponto a edição pode influenciar na leitura, mas tudo colaborava contra (colaborava contra… essa é boa). A tradução, a letra miúda. E até minha falta de maturidade quando iniciei o “empreendimento”… lembro de ler páginas inteiras sem na verdade ter lido… e ter que voltar ao início ao perceber. Devo ter conseguido chegar ao fim da primeira parte por esforço sofrido mesmo. Mas tudo bem. Na época eu não sabia que ler era algo que deveria ser divertido…

    • 5 Paulo Polzonoff Jr // 30 1 2007 às 15:29

      O Guerra e Paz você me deu, lembra? Eu comecei a ler, mas não fui muito longe. Por quê? Por causa da tradução pomposa e da horripilante diagramação bicolunada. Coisas da Ediouro…

      Curioso é que escrevi o primeiro comentário pensando justamente em Guerra e Paz, porque ontem fui à livraria e vi a edição do livro em inglês, da Penguin. Nada daquela diagramação horrível, papel de excelente qualidade e texto límpido. Fiquei bem empolgado de ler em inglês.

      Mas antes preciso acabar de ler a Ilíada, também em inglês. Até porque tradução de poeta concreto ninguém merece…

      Só uma coisa, Ed: se você não curtiu o D. Quixote, não tenha vergonha de dizer. Ele jamais será uma obra essencial se não for essencial PARA VOCÊ.

      abs

      Resposta: Claro que lembro. E eu até comentei algo sobre a tradução na época. Ofereci e você resolver se arriscar. Foi um presente meio de grego.

      O engraçado é que a Ilíada eu li a da Ediouro e não senti que a edição tenha prejudicado. Gostei muito e li muito rapidamente.

      E concordo muito com sua observação da essencialidade de uma obra.

    • 6 Ed // 30 1 2007 às 15:35

      Paulo:
      Ora, mas é claro que é uma obra essencial p’ra mim. Claro, claro. Como eu faria referências nos meus textos, ora?

      E essencial não é só aquilo de que gostamos à primeira vista. Discordo inteiramente da sua observação. Não acho que ‘essencial’ seja um termo discutível.

      Resposta: Hm. Edson, não sei se é o caso de discordar inteiramente. Afinal, se por um lado não há como negar que o Quixote teve seu papel na história da literatura também não há como negar que para alguns Júlio Verne foi mais essencial que Cervantes. Para mim, por exemplo, Fernando Sabino foi mais essencial que os dois juntos. Discordar inteiramente é possível, mas também é admitir que seja admissível uma discordância completa o que é, em última instância, admitir a possibilidade de uma verdade absoluta. Coisa que, principalmente em se tratando de literatura, é pouco provável. Mas sei que disse isso apenas para enfatizar a sua opinião e manter a conversa acesa, meu caro…

      Grandes abraços,
      do Alessandro.

    • 7 Li // 31 1 2007 às 9:18

      Engraçado, como ler esse livro parece ser uma das metas de muitas pessoas. De alguns milhares de planos que tenho pra 2.007, está incluído “ler o livro Dom Quixote” e outro clássico, que ainda não lí: O Pequeno Príncipe.
      Lerei…
      O probleminha é que moro no interiorrr e aqui, temos que encomendar certos livros. Mas estão chegando…
      Uma coincidência: como o Marco, aprendi a gostar de ler com “A volta ao mundo em 80 dias”, e tenho o livro até hoje…
      Ah, Alê, de uma outra matéria sua, também encomendei o livro “Poemas e Contos para Crianças Extremamente Inteligentes”… também tá chegando.
      Aqui não tem nenhum livro que eu quero…hehehe.

      Mas estão chegando…

      bj

      Li

      Resposta: Acho que você acharia o filme Nunca Te Vi, Sempre Te Amei muito inspirador, Li…

      Embora as encomendas de livros pela internet não sejam tão pessoais como no filme, aposto que você vai gostar…

      Beijos…

    • 8 Ouça livros em língua portuguesa no LibriVox // 15 3 2007 às 9:38

      [...] Você também pode ajudar. Como em qualquer site colaborativo, eles aceitam voluntários. Já imaginou? Uma obra como Dom Quixote, imortalizada em sua voz? [...]

    • 9 Daisy Carvalho // 27 6 2007 às 10:01

      Desculpem-me o que irei falar.
      Dom Quixote nem é literatura…apenas foi a única forma de comunicação que Cervantes encontrou em um momento de elevação humana… A pureza da alma e o dom de refletir, tudo está alí naquele ser aparentemente louco e engraçado. Minha filha ama o Sancho e diz que somos todos Sanchos do Criador(?).
      Eu pessoalmente praticamente não li, preferi dissertar muito com quem leu…
      Mea culpa.
      bj,
      Daisy Carvalho.

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