Resoluções de ano novo de Ivan Lessa
14 de janeiro de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 5 Comentários »Eu já vinha dizendo isso. Sério. Mas agora vão falar que é coisa do Ivan Lessa. O escritor, que vive em Londres há quase 30 anos, publicou suas resoluções de ano novo no BBC Brasil. Destaco algumas:
Passar a ler o mínimo possível de livros. Os livros estão cada vez maiores, cada vez mais parecidos uns com os outros e cada vez mais chatos. Ler apenas, no máximo, dois livros por ano, e se forem escritos por amigo do peito ou parente. De resto, apenas reler.
Acho que, infelizmente, eu tenho que ler um pouco mais até adquirir munição suficiente para apenas reler. Mas a melhor de todas é esta aqui:
Não publicar livro de jeito nenhum. Se você for muito moço, ou muito mocinha, e se derreter todo diante dos poemas de pé quebrado que cometeu (conforme se dizia) ao papel, vá imediatamente para o computador e faça como todo mundo: blogue-os.
Ou, se ainda assim não quiser seguir esse conselho, publique-os. Mil exemplares impressos a uma módica quantia, como prossegue o próprio Ivan, no papel de senhor do umbral dessa nobre arte.
Eu de minha parte aposto na internet não só porque é uma forma de afastar os incautos dos livros, mas porque também é uma forma muito mais eficiente de atingir uma maior abrangência geográfica sem gastar um tostão com distribuição. Ou seja, qualquer um de nós que escreve na internet, pode ter leitores no Japão ou coisa assim. Coisa que, se preferíssemos publicar um livro, não aconteceria.
Recomendo a leitura integral do texto de Ivan Lessa. Encontrei no Papel Pop.
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Eu acho escrever na net cheio de vantagens. Pra quem escreve bem, é um treino; pra quem escreve mal, uma maneira indolor de descobrir isso.
Já foi naquelas promoções de livraria? Tem até biografia daquela assistente do Faustão. Falta um pouco de crítica pra publicação de certas coisas. E tanta gente por aí com material de qualidade e não consegue nada!
Resposta: Na certa, as livrarias poderiam fazer uma faxina antes de expor os leitores a material pouco saudável….
Adoro a internet e passo muito tempo nela. Mas não consigo abrir mão dos livros. Qualquer leitura mais prolongada, na rede, é chata.
Sentir o cheiro do papel, a textura da capa… Tudo isso contribui para que ler um livro seja algo mais “presencial”, “concreto”, do que ler na tela do computador.
Mas para ler blogs, sites de notícias, e afins, está de muito bom tamanho. xD
Resposta: Nem eu abriria mão. Pela comodidade. Mas creio que o Ivan Lessa fala do ponto de vista do autor, de quem publica. A internet poupa quem gosta de livros de deparar com cada vez mais livros de baixa qualidade. Por outro lado, na minha opinião, para quem leva a coisa um pouco mais a sério serve como uma boa forma de “distribuição”.
Concordo com o comentário acima, se a leitura for longa demais não compensa. O grande barato da internet é a rápidez e a forma como a informação flui, mas certas coisas jamais substituiram os livros.
De fato, mas creio que o Ivan Lessa se referia ao ponto de vista editorial não ao de quem lê. Digamos que a internet ajuda a economizar papel higiênico. :-P
Resposta: Meu complemento diz respeito ao poder de “distribuição” da rede, por outro lado. Sem a internet, eu jamais teria lido os seus escritos, por exemplo. Seria algo muito difícil.
Mas concordo com você. Ainda não dispenso o livro. Até que alguém invente algo cômodo o suficiente.
Abraços.
Eu acho que não conseguiria viver sem a companhia de um livrinho. Sabe como é, ele nunca me me abandona. Tá comigo no metrô, nas filas…
Por mais que a Internet cresca ainda mais, acho que sempre vai exisitir um livrinho ali por perto…. eu não conseguiria deixa-los de lado.
Resposta: E não tenho dúvidas de que isso é um bom hábito, Fabiana.
No entanto, acho que a advertência do Ivan Lessa diz respeito ao montante de coisas dispensáveis que hoje em dia são publicadas…
Certamente, há, no meio dessas, muita coisa boa para se ler e levar para toda parte.
Para mim, porém, publicar na internet, por enquanto, já está de bom tamanho, como aconselha o escritor citado…
Não lembro se cheguei a comentar isto contigo, mas certa vez li uma reportagem sobre o que seria a “LPB” – Literatura Popular Brasileira. Entre Paulo Coelho, Surfistinha e afins, citava-se também os escritores virtuais. A internet tornou o mundo “literário” acessível a todos que desejam ter sues trabalhos expostos.
Se bons ou ruins, aí já é outra história.
Resposta: Assim como o papel, a internet aceita qualquer coisa… até aquilo que o papel higiênico aceita.