15 erros de português… que talvez você cometa diariamente
20 de março de 2007 | Publicado na Categoria O prazer de escrever | 144 Comentários »Em se tratando de livros de gramáticos, há que se separar o joio do trigo. Ou seja, os bons conselhos daquilo que é meramente transtorno obsessivo-compulsivo. Também distinguir o que são erros de português – erros gramaticais propriamente ditos – daquilo que é meramente preconceito linguístico.
No entanto, gosto muito do Luiz Antonio Sacconi, que não faz nenhuma questão de parecer simpático, como tem sido moda depois do surgimento do professor Pasquale Cipro Neto.
Sacconi é radical em alguns pontos e seu aparente mau-humor chega a ser divertido. Seus livros, de fato, são fáceis de ler e abordam os problemas cotidianos. Recomendo sobretudo o Não Erre Mais.
Sabendo-se obter de seus livros – como este 1000 erros de português – os pontos mais úteis para a vida prática, o autor pode ajudar em muito na escrita e nas conversas mais formais do dia-a-dia. Ou seria dia a dia?
Separei alguns erros de diferentes naturezas que, em uma primeira folheada, chamaram-me mais a atenção, ou por sua curiosidade ou por sua freqüência diária:
- Super-interessante
Na famosa revista está grafada a palavra Super- acima de -interessante. Dado o desconto por tratar-se de um nome, uma marca, deve-se chamar a atenção: a palavra superinteressante escreve-se sem hífen. E, portanto, não teria essa divisão silábica, mas esta: su-pe-rin-te-res-san-te. - Um agravante, um atenuante
Agravante e atenuante são palavras femininas. Portanto, uma agravante, uma atenuante. Sempre. - Todo mundo
Todo o mundo erra essa. Todo o mundo precisa saber que o correto é “todo o mundo” em qualquer situação. - Qualidade que você gosta
Outro erro comum nos reclames diários. Quem gosta, gosta de alguma coisa, portanto, a marca de que você gosta, 11 livros eróticos de que você vai gostar. - O banco que você confia
Quem confia, confia em alguma coisa. Portanto, o banco em que você confia. - A janta está na mesa
A janta está quase consagrada pelo uso, como se costuma dizer nos meios gramáticos. Mas, se você preferir uma forma mais correta, diga sempre que o jantar está na mesa. - Desculpe a nossa falha
Se você der alguma informação errada em seu blog, não diga “desculpe a nossa falha”. Quem desculpa, desculpa alguém de (ou por) alguma coisa. Então: desculpe-nos pela falha.
Pronúncia
Os erros de pronúncia são vários. Algumas palavras ficam até esquisitas se pronunciadas da maneira correta e você corre o risco de ser considerado uma criatura exótica, mas – fazer o quê? – vamos a alguns deles:
- Um xeróx
Tire sempre uma xérox (o acento, nos dois casos, é ilustrativo). Na dúvida, peça uma fotocópia. - Féche a porta
A pronúncia correta é fêche a porta, com o e fechado (o acento é ilustrativo). - Incêsto
A pronúncia correta é incésto (o acento também é ilustrativo). - Toráxico
Escreva e pronuncie torácico. - Aerosol
Escreva e pronuncie aerossol. - Comprar no Éxtra
O “e” é fechado. Faça compras no Êxtra (novamente, acento meramente ilustrativo). Acho que nas propagandas a pronúncia usada é com o e aberto. - Sintaxe pronunciada sintakse
Essa é para os programadores de plantão. O seu código não está com problemas de “sintakse”, está com problemas de “sintásse“. As grafias entre aspas são meramente ilustrativas. A grafia correta é sintaxe. - Subzídio
Escreve-se subsídio e pronuncia-se subcídio.
Bem, agora vou ali dar uma revisada nos artigos passados, pois certamente eles estão cheios de erros. Adimito. Digo, admito.

Desde que o autor do texto não seja um gramático propriamente dito, não há como impedir erros gramaticais. Acho isso pura convenção e apesar de trabalhar com o idioma pátrio todos os dias, considero a rigidez dispensável. Afinal, senão autor algum move a pena (ou os dedos na tecla), não é mesmo, Alessandro?
Resposta: É verdade. É verdade também que o conhecimento cada vez maior das regras gramaticais ocasiona uma incidência cada vez menor de erros, sobretudo dos mais graves. Mas mesmo entre os gramáticos há dissidências… então, para um gramático outro gramático pode escrever errado… erros… humanos têm que aprender a conviver com eles… Abraços!
Olá Alessandro,
conheci seu site por acaso esses dias.. desde então não consigo deixar de entrar todos os dias a procura de textos novos, ou antigos que eu não tenha lido. Parabéns..
Muito legal esse texto sobre os erros gramaticais.. afinal, quem é que não comete alguns por dia?
Sempre passa algum errinho despercebido.. rs.
Resposta: Fico feliz que tenha gostado, Leonardo… minha sugestão é que você assine o feed, assim você só vai precisar entrar quando realmente tiver algo novo ou, se preferir, ler no próprio agregador de feeds, este e todos os outros blogs que você costuma acompanhar…
Abraços e seja sempre bem-vindo.
Abraço!
Iiihh, Alê, erro de montão! Todas as pronúncias que você anotou são as que uso, as erradas, é claro (risos). Lembrei de outra frase publicitária que virou moda: “Vem pra Caixa você também, vem!” Lembrou? O certo seria “Venha para a Caixa…” Abraços, Mário.
Resposta: Sim, é verdade! Esse da Caixa é um clássico… mas como fazer caber isso num jingle, não é mesmo? Paciência… vamos deseducar o povo que a gente ganha mais… rs.
Abraços!
Ah, uma falta imperdoavel (que tem acento em algum lugar… rs): “eu te amo”.
Escrevi um post sobre isso outro dia.
E continuo uma analfabeta gramatical… rs
beijos
Resposta: Falta imperdoável é não dizer… com ou sem erros gramaticais… rs.
Beijos!
E eu que cometia algumas dessas…
Resposta: E eu cometo o tempo todo… rs…
Olha os vícios de linguagem me assombrando.. :)
Resposta: A mim também, Fabi… a mim também…
Caro Alessandro, gostei muito de seu blog.
Descobri ele hoje.
Como em algumas descobertas, esta valeu a pena.
continue…
Carlos
(http://stock-buster.blogspot.com)
Resposta: Nesse caso, seja sempre bem-vindo, Carlos. Seja como um visitante silencioso, seja como um comentarista ativo…
Abraços,
do Ale!
É por isso que eu adoro esse blog.
Vou imprimir o post e levar para faculdade. Tenho um professor de semiótica que não deixa escapar uma!
Beijocas! :)
Resposta: Cuidado para não arranjar briga! Se perguntarem, eu nego que fui eu e apago o post…. brincadeira…
Beijos,
do Ale!
Gostei bastante, para variar. xD
Contudo, faço duas ressalvas:
1. No Aurélio, “agravante” também pode ser um substantivo masculino: “5. O que agrava.”.
2. O som do “e” em “extra” depende da região. Aqui no Rio falamos “Êxtra” mesmo, mas, salvo engano, a propaganda do supermercado diz “Éxtra”. Quando falamos de marca, imagino que certos erros sejam ignorados.
Resposta: Para variar, bem observado Thássius… é aquela coisa, os gramáticos costumam ser piores que fundamentalistas religiosos, firmes em suas opiniões e capazes de ignorar os regionalismos e a dinâmica da língua. São elementos necessários na cultura, assim como a alta volatibilidade do verbo, que muda constantemente… na verdade, o que eles fazem é tentar segurar água entre as mãos. E, considerando que o Sacconi é dicionarista então, ele faz altas ressalvas a diversos outros dicionários… fico pensando o que ele diria do Aurélio nesse caso. Minha dica é escolher uma regra e segui-la.
Por exemplo:
Há uma linha que diz que o correto é dizer “anos setentas” e seria errado dizer “anos setenta”. Outra linha diz que está correto dizer sim “anos setenta”. A outra é que está errada. Digamos que eu ache que “anos setentas” está certo. No entanto, eu tenho o bom senso de saber que isso é muito esquisito. E como não há como estar absolutamente certo em nenhum dos casos, abdico da fórmula que acho correta e uso: década de 70. Pronto. Com fundamentalistas, é necessário ser diplomático.
Ai! Que saudade…
…
Bem…
Têm tanta gente que não consegue nem pegar em um livro, chega a sentir náuseas… (conheço gente assim mesmo) quanto mais pra ler.
Eu acho a língua portuguesa fascinante, embora não conheça mais que algumas palavras. Adoraria saber todas essas regras e conseguir colocá-las em prática. Mas não conheço e não sei.
Eu lamento saber que a galerinha que vem vindo aí, sabe menos ainda.
…
Vou fazer como a Flávia e levar lá na faculdade esse post e ainda, se me permitir, vou copiar e enviar pra alguns contatos meus que dão valor em assuntos assim, que contribuem com nosso crescimento. ;)
….
Ahhhh…
Areossol???
….
beijosss.
Resposta: Devo confessar que aerossol e torácico eu sempre errei…. rs…
Beijos do Ale…
Lista interessante, caso estejamos falando de texto escrito, já quanto à pronúncia, não podemos dizer que “está certo desta forma e errado desta outra”.
Devemos sempre levar em conta os elementos sociolinguísticos presentes na comunicação.
Preconceito linguístico é muito pior do que erros gramaticais!
Resposta: De fato, André. No entanto, não esqueçamos que se trata de um gramático – um fundamentalista, portanto – e de que, naturalmente, ele se refere à chamada norma culta. No mais, eu acredito que cada um deve falar da maneira que lhe cai melhor e que mais lhe dá conforto, sem dúvida.
Abraços!
A língua pode ser dinâmica, mas não uma bagunça!
lembrar de algumas regrinhas sempre é bom!
Abraços
Resposta: Tem a dinâmica da língua, a âncora da gramática e, no fim, chegamos a um acordo… vamos ver em que velocidade ela se move nas próximas décadas, que tal?
Abraços!
Alessandro,
novamente adorei seu texto mas discordo do extra e do Fêche porquer acredito que nestes casos haja a influência do sotaque de cada região.
Paulista em geral fala “ê” e carioca fala “é”.
Mas veja que curioso, no caso do mercado EXTRA, carioca fala Êxtra e paulista fala Éxtra.
Vai entender…
Resposta: É, na verdade, não creio em certos e errados, principalmente no dia a dia, na fala das pessoas… mas existe uma norma e essa norma por incrível que pareça diz que a forma de se falar feche é com o e fechado… mas, pessoalmente, não vou vou pensar que a pessoa é pior ou melhor que eu pela forma que ela adota. É apenas uma curiosidade… rs.
Beijos!
Sei lá se erros de português significam alguma coisa – acho que muito pouco, na verdade. O que importa é a clareza no estilo e a lógica, que uma gramática torta não pode atrapalhar. O resto é firula.
Resposta: Esses, no caso, são erros até curiosos… não ficaria espantado de encontrá-los por aí. Mas confesso que me irrita um pouco encontrar coisas como “a” no lugar de “há”, “onde” usado para designar algo que não lugar, alguns tipos errados de emprego, ou não emprego da crase… mas tudo bem… é questão de gosto mesmo. E, sobre isso, sabe o que dizem…
Não se pode limitar mesmo a análise de um texto pela qualidade gramatical, ou grandes artistas populares seriam deixados de lado por um detalhe tão técnico, não é mesmo?
Abraços!
É… alguns dos nossos amigos são flexivéis quanto ao emprego da norma culta da língua. Na oralidade, passa, mas na escrita, a coisa complica um pouco, e pode não alcançar a credibilidade desejada.
De certa forma, todos têm um pouco de razão nos argumentos apresentados, pois o Português é uma das linguas mais difíceis de ser dominada; quando percebemos, ela nos dá uma rasteira. Ficamos amarelos e voltamos a estudá-la mais um pouco. Nunca dispenso uma gramática perto de mim. É questão de hábito.
Um abraço, Lenira
Muito bom o texto. A gramática é um caminho, orientação, não uma forma de “engessar” a língua.
Mesmo com tanta riqueza nos falares regionais, não se pode ficar desatento às normas.
Abração!
Resposta: Também acho que o caminho mais bacana é o do meio… nesse caso…
Beijos!
Eu sei que isso tudo é o correto, mas é por isso que eu tenho um blog! Para poder usar um texto mais popularesco, poder usar palavrões, etc.
Porém, isso tudo não justifica o uso de “miguxês” ou até escrever “qq coisa k fik asim”
Outra coisa que costumo ver com frequencia são os seguintes erros:
a pessoa quer usar passado e usa futuro-mais-que-imperfeito (hehehehe)
correto: quiseram
errado: quiserão
O contrário também existe:
correto: terão
errado: teram
Mas isso não é um ponto de discussão, quero adicionar alguns erros que eu cometo frequentemente:
“a personagem”;
“me dá um dó”.
Abração
Resposta: É engraçado como alguns erros até são aceitáveis (quando percebo um erro de digitação no blog alheio nem me encano). Agora outros são terríveis… trocar ão por am e vice-versa, por exemplo, é triste…
As de pronúncia, não. Mas as outras, excetuando a primeira… tsc, tsc… Espero melhorar ocm a faculdade.
Mas deu uma vontade enorme de ler o livro todo.
Resposta: Eu recomendo sobretudo o Não Erre Mais. Bastante didático e com umas coisas que a gente nem imagina…
Beijos!
Adorei,Alê!!!!!!!!!Era tudo que eu queria.Saber erros de português mais frequentes .Não tenho nada a ver com a área,mas não suporto esses erros rotineiros na escrita.Mas tem coisas que a gente acaba perdoando mesmo.Muito interessante.Achei por acaso também.Um grande abraço,Alessandra
Resposta: Que bom que achou e que bom que gostou. Não creio que estes erros que expus sejam necessariamente os mais freqüentes. Porém achei-os bastante interessantes. Existem alguns livros que trazem listas de erros mais comuns. Recomendo os livros do Sacconi. Mas aquela coisa: lembre-se que um gramático nunca ou quase nunca leva em conta a dinâmica de evolução da língua etc…
Abraços! E volte sempre!
Ótimas dicas, adoro quando encontro textos desse tipo, sempre acabamos corrigindo erros que cometiamos por pura falta de atenção.