Ao ler Dalton Trevisan, em um primeiro momento os diálogos podem soar estranhos, sobretudo na fase anterior aos contos extremamente curtos que os chatos gostam de chamar de hai-kais, na falta de denominação melhor. Para saber do que estou falando, leia O Vampiro de Curitiba.
Frases sem sujeito, verbos no infinitivo, locuções incompletas e outras detalhes. Dói um pouco no olho. Mas basta afinar um tanto as orelhas para as conversas que se passam ao seu redor para perceber o quanto o escritor curitibano é bom de ouvido.
Para quem escreve, os diálogos são um ponto crucial, de grande dificuldade
Ele é um naturalista dos diálogos, bom ouvinte das conversas que se passam em torno, reproduzindo a fala exatamente como ela é.
De fato, para quem escreve, os diálogos são um ponto crucial, de grande dificuldade.
O André Gazola, do Lendo.org, publicou 12 Exercícios Para Melhorar Seus Diálogos, e caso você goste de escrever recomendo a leitura. A minha dica favorita é:
Escreva uma cena onde muitas pessoas estejam falando. Esta habilidade é uma característica dos mestres do diálogo, já que é muito difícil manter muitos personagens engajados em uma conversa de forma a manter o leitor consciente do que está acontecendo e das idéias e interesses de cada um dos interlocutores. Veja quantos personagens você consegue ir acrescentando, até que seja impossível entender o que está acontecendo.
Para entender com precisão a natureza desse exercício, recomendo que se assista aos filmes de Wooddy Allen, que conduz esse tipo de interação entre os personagens com mestria.










