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10 motivos para ler (ou ver) Hamlet

24 de agosto de 2009 | Publicado na Categoria Teatro | 14 Comentários »

Desnecessário dizer que, para se ler uma obra literária, basta estar-se gostando do andamento das páginas.

Porém, para algumas – de tão boas e no caso de ainda não se estar com o livro nas mãos – cabe o incentivo de quem já o leu e por ele tem alguma preferência aos que ainda não tiveram tal privilégio.

É o caso de Hamlet, de William Shakespeare.

Seria suficiente dizer que Hamlet pode ser uma das melhores experiências literárias de sua vida: há nela aventura, sexo, duelos de espada, intriga, sabedoria, humanidade, arte, filosofia, beleza, loucura, poesia e, claro, um final sangrento.

No entanto, vamos a eles de uma vez. Os motivos:

  1. Hamlet provavelmente é o personagem mais legal de toda a literatura. Ele é sábio e, contraditoriamente, vítima de suas próprias paixões. Jovem, atormentado e triste – com o que um adolescente se identificaria -, mas também ponderado, sagaz e consciente de suas responsabilidades – como uma pessoa mais madura preferiria.
  2. Hamlet expressa o humano. Sendo tão contraditório e sólido ao mesmo tempo, ele não é nada mais nada menos do que um dos personagens que melhor expõe as forças que trabalham em sentidos opostos em cada um de nós, no que elas têm de maior e no que eles têm de mais miúdo. Ele não é um herói bom, nem um herói mau. É apenas um herói, como você ou eu.
  3. Trata-se de literatura de detetive. Embora conduzido pela névoa das emoções e por métodos que tornam Bentinho, de Dom Casmurro, uma pessoa completamente lúcida, Hamlet tenta descobrir o assassino de seu pai.
  4. Não há uma página sequer em que não haja uma passagem de arrepiar ou algum dito espirituoso, como este em um diálogo entre Hamlet e seu tio, na cena 3 do quarto ato: “Hamlet: Pode-se pescar com um verme que tenha comido de um rei e comer o peixe que se alimentou desse verme. O rei: Que queres dizer com isso? Hamlet: Nada. Apenas mostrar-vos como um rei pode fazer um passeio pelos intestinos de um mendigo.”
  5. Um clássico é, no mínimo, um bom conselheiro. O exemplo que primeiro me ocorre são as dicas dadas por Polônio a seu filho, Laerte, quando este parte em viagem.
  6. É uma obra sobre amizade. O que dizer da fidelidade mútua que há entre Horácio e Hamlet?
  7. Há tensão sexual e emocional. O que afirmar sobre as mulheres da peça com as quais Hamlet se relaciona: a mãe e Ofélia? Freud que nos explique.
  8. A peça mostra como o artista lida com os acontecimentos de sua vida. É possível que a peça tenha sido escrita sob a influência da perda de um filho de Shakespeare, chamado Hamnet.
  9. O monólogo. O famoso “ser ou não ser”. Ele pode ser encarado como a escolha entre a vida, e a certeza dos sofrimentos, e o suicídio, e a incerteza do que virá depois desse ato, de um modo mais simplista. Mas também pode ser entendido como a escolha entre as formas de existência mais cruas e responsáveis e as mais escapistas. A escolha entre a pílula vermelha e a azul, em Matrix.
  10. Hamlet não perde sua atualidade: por tratar de temas que nunca sairão da pauta dos tormentos humanos.

Vou ficar devendo por ora minha teoria que prova que todo o enredo não passou de uma armação do fiel amigo de Hamlet, Horácio, a fim de entregar a Dinamarca de mão beijada ao conquistador Fortimbrás.

Prefiro contar a história – verdadeira – de um estudante que tentava uma vaga na Faculdade de Artes do Paraná (FAP).

O texto escolhido para a prova prática: o monólogo.

- Ser ou não ser…

Silêncio. A banca tensa. Mais silêncio. Uma gotinha de suor escorreu pela têmpora do candidato.

- Xi… esqueci.

No caso, ele perdeu a questão.

E o resto é silêncio.

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14 Comentários para “10 motivos para ler (ou ver) Hamlet”

  1. Carla Martins - 24 8 2009 às 14:58

    Olá!!!!

    Adorei o seu post! Parabéns e ótima semana!

  2. Mi Müller - 24 8 2009 às 16:22

    Caramba nunca tinha visto uma definição de Hamlet tão perfeita:
    Embora conduzido pela névoa das emoções e por métodos que tornam Bentinho, de Dom Casmurro, uma pessoa completamente lúcida, Hamlet tenta descobrir o assassino de seu pai.
    Adorei… eu li Hamlet por tua causa e só tenho a agradecer…
    estrelinhas coloridas…

  3. Felipe - 24 8 2009 às 19:09

    Li este clássico por causa de um DVD que comprei com a montagem do Teat(r)o Oficina. A peça é excepcional. São 5 horas de filme, dois DVDs, mas vale cada minuto. Uma coisa que eu não esperava era rir com Hamlet. Gosto quando a rainha interrompe Polônio pedindo “menos arte e mais substância”. :-)

  4. Caminhante - 24 8 2009 às 20:18

    Mas é pra já. Começarei a lê-lo hoje!

  5. Arthurius Maximus - 25 8 2009 às 17:47

    Foi o primeiro texto do Bardo que li. Depois gostei muito de Macbeth. São tramas que podem facilmente constar de qualquer jornal que você leia hoje (rs); priciplamente por aqui.

  6. agulha3al - 26 8 2009 às 0:30

    A frase final do post, assim como no livro é muito tocante… sempre que releio Hamlet, fico com leas na minha cabeça, bem mais que “ser ou não ser”. Sem pre encontro eco num outro autor que fala “pertencemos a uma espécie tagarela, falamos demais , escrevemos demais”
    “palavras, palavras, palavras… ” e o resto é silêncio.”

  7. agulha3al - 26 8 2009 às 0:55

    Esqueci de escrever o que o autor é o Jostein Garden, no livro o passaro raro

  8. Pri - 26 8 2009 às 12:03

    Eu adorei os diálogos que vi na peça, do Wagner Moura, assim como o Felipe disse eu jamais esperava rir com Hamlet.
    Já que você sabe do que eu estou falando, a peça, tem alguma tradução “melhor” pra me indicar? não sei se muda muito de uma pra outra, mas depois de assistir, queria ler Hamlet, mas quero que seja divertido como foi assistir.
    Abraço

  9. Thiago Bomfim - 27 8 2009 às 11:21

    Alessandro, realmente esse é um dos livros mais interessantes da história. Parece-me até obra sobrehumana.

    Cada página inspira inúmeras reflexões sobre a vida e comportamento. É interessante, que, em vários aspectos, o drama de Hamlet sempre retorna ao tema da fidelidade.

    Gostaria muito que outros jovens pensasem mais como Hamlet e menos como Marcos Mion. O príncipe é muito legal, cheio de conteúdo, impulsivo e, ao mesmo tempo, muito maduro.

    É uma leitura para ser repetida centenas de vezes numa vida.

  10. Cristiano Vieira - 24 9 2009 às 16:58

    Hora de comprar Hamlet, e pelo que vi aqui vai valer cada centavo dos R$ 23,90.
    Na verdade, se for como está aqui escrito, R$1000,00 seria pouco.

  1. [...] escrevi um texto inteiro falando de motivos para você ler Hamlet.Baixe Hamlet para ler grátis6. O Grande Mentecapto, de Fernando [...]

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