11 livros que podem mudar sua vida
16 de setembro de 2009 | Publicado na Categoria Livros e afins | 11 Comentários »Esta lista não é algo absoluto. É pessoal. Subjetiva.
Estes 11 livros podem mudar o modo como você vê o mundo porque de alguma maneira mudaram como eu via alguns aspectos da vida.
Verdade é que não se lê nem um Almanaque Sadol impunemente. Cada palavra que entra pelos olhos ou ouvidos nos transforma.
E, a cada vez que as lemos novamente, elas também se transmutam. Pois nós mesmos já somos outros.
É a alquimia dos livros.
Mas basta de filosofia barata e vamos a eles.
1. Pergunte ao Pó, de John Fante
Você vai adorar as aventuras do ítalo-americano Arturo Bandini na tentativa de ser um escritor de sucesso. Nela você descobre que, com pouco, você pode se sentir o rei do mundo. Se você tiver mais de 20 anos vai querer voltar àquela época para viver uma aventura parecida. Se tiver menos, há grandes possibilidades de viver uma aventura parecida de fato.
2. Ensaios, de Ralph Waldo Emerson
No livro que reúne os ensaios do escritor Ralph Waldo Emerson você encontrará palavras inspiradoras para viver com mais responsabilidade e, ao mesmo tempo, liberdade, auto-suficiência e independência moral. Palavras com atitude.
3. Um Ensaio Autobiográfico, de Jorge Luis Borges
Trata-se de um livro fino e com grandes letras. Você lê em três horas ou até menos. É ainda mais especial se você já conhece a obra do escritor argentino. Ele mostra como é possível falar de amor sem falar de amor, quase como se não se quisesse estar ali.
4. Cosmos, de Carl Sagan
Se você não gosta de ciências, este livro vai mudar o modo como você vê as áreas do conhecimento por elas abrangidas. Não só isso, vai mudar como você se situa no universo, nos seus maiores e menores aspectos. No mínimo, você vai conhecer um homem que era apaixonado pelo que fazia e queria que todos se apaixonassem da mesma maneira que ele. Algumas passagens são pura poesia.
5. Hamlet, de Shakespeare
Recentemente, escrevi um texto inteiro falando de motivos para você ler Hamlet.
6. O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino
É o primeiro livro de que lembro ver meu pai rindo sozinho enquanto lia. Foi o segundo livro sem figuras – o primeiro foi Tubarão (sim, aquele do filme) – que li. Se você ainda não gosta de ler, comece com esse ou com livros de crônica desse autor.
7. Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa
Tem mais poesia em um parágrafo desse livro que em toda a obra reunida dos poetas concretos. Não se assuste: não desista logo num primeiro momento do jeito de Rosa escrever. Encare como se você estivesse em outro país, com uma outra língua: aos poucos você se acostuma com o jeito do povo falar e começa a se divertir.
8. Quase Memória, de Carlos Heitor Cony
A memória é um tema inesgotável da literatura. Se você não quer ler o caudaloso Em Busca do Tempo Perdido, de Proust, comece com Quase Memória, de Cony. É triste, doce, engraçado. Até lê-lo jamais poderia imaginar o tipo de escritor que Cony era.
9 e 10. À Sombra das Chuteiras Imortais e A Pátria em Chuteiras, de Nelson Rodrigues
Você pode não gostar de futebol. Mas talvez mude de idéia quando ler as crônicas de Nelson Rodrigues sobre o esporte. Ele era tão cegueta que mal distinguia os dois times em campo. Mas não perdia uma partida. Nas suas palavras, o rude esporte bretão ganhava proporções épicas. Coisa de mitologia grega pra cima. O time de Aquiles de um lado, o de Heitor do outro. Para saber quem disputaria a final contra o escrete de Leônidas. Da Silva, naturalmente.
- Nesta entrevista, ao ser perguntado por Otto Lara Resende se ele tem um conselho aos jovens, Nelson responde: “Envelhecei”. Imperdível.
- Ouça o que era um Fla-Flu sob a perspectiva de Nelson Rodrigues
11. Laços de Família
Chega de dizer que Clarice Lispector é literatura feminina. Ao ler Laços de família talvez você perceba que a literatura de Clarice Lispector é tão somente humana. Calhou de ela nascer mulher.
Convite
E, dito tudo isso, convido-o a compartilhar comigo e com os outros leitores os livros que mudaram sua vida, na caixa de comentários ou mesmo em seu próprio blog se for o caso.


A maioria não tem na biblioteca, aqui. =\
Alessandro,
Que coisa boa esse seu post.
Vou aceitar o convite. Irei postar amanhã no meu blog os livros que mudaram a minha vida. É um exercício muito bom esse. Trabalhoso mas edificante, sem dúvida.
Sem querer ser chato, mas já o sendo, a grafia correta do livro do Guimarães Rosa é “Primeiras Estórias”. Inclusive estava passando um “Nossa Língua” dia desses em que o Pasquale falava que era perfeitamente possível usar “estórias” com o sentido de “narrativa ficcional”, já que o próprio GR assim o fez na obra em questão.
Apenas uma correção: o nome certo do livro de Guimarães Rosa é “Primeiras Estórias” e não “Primeiras Histórias”.
Li o Hamlet por causa do teu post e não me arrependi. É tudo aquilo mesmo que você fala.
O Primeiras Estórias é um livro que teoricamente eu li, por causa do vestibular. Coincidência ou não, não gostei de nada que li naquele período. Li com olhos preocupados e não gostei. Recentemente li Estas Estórias e amei. Um dia me aventuro por Grande Sertão- Veredas.
Procurarei os outros. Confio muito nas tuas indicações!
Caro Alessandro e demais leitores.
Tenho lido seu blog constantemente e, pela primeira vez, resolvi participar atendendo a seu chamado:
Gostaria de citar dois livros que me encantaram e ainda encantam (estou relendo um deles agora). São eles: “A História de Deus. Contada pelo próprio” (Franco Ferucci). É um romance fantástico onde existe um Deus contando a história da criação do universo na primeira pessoa. É um Deus humano, cheio de dúvidas e reflexões (como nós mesmos).
O outro é um romance do escritor moçambicano Mia Couto chamado “Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra”. É pura magia. Vale para o Mia Couto o mesmo conselho que vc deu sobre Guimarães Rosa. Ele é um confesso seguidor do estilo do Grande Rosa.
Um forte abraço a todos. E boa leitura…
Só li 3 da lista. O Hamlet dispensa comentários. “pergunte ao pó” é bom, mas me decepcionei um pouco, talvez por ter criado criei muita expectativa. Quase memória é sensacional, mas não mudou minha vida (embora faça questãode citar a frase “linguiça nada mais é do que tirar a tripa de dentro do porco para colocar o porco dentro da tripa”).
Acho que todo livro tem o pontecial de modificar a vida de alguém. Na minha, o top 5 tem Caninos Brancos, do Jack London; “O idiota” do Dostoiévski; “O zen e a arte da manutenção de motocicletas” de Robert Pirsig; “O Lobo da estepe” de Hermann Hesse; “a sociedade aberta e seus inimigos” de Karl Popper.
Gostei da lista. Primeiro porque não li a maioria dos livros. Segundo porque valeu pela lembrança daqueles que eu já li.
Sugiro ler O Estrangeiro, do Albert Camus, O mundo assombrado pelos demonios, do Sagan, qualquer livro de poesia do Mario Quintana, e algum livro que fale de Análise do Comportamento e Behaviorismo Radical.
Um abraço
O grande mentecapto é perfeito.
Muito mas muito bom mesmo.
Aconselho também o único livro do Paulo Coelho que tenho gosto em indicar (ficou muito indicativo): O dom supremo
Um livro que acho que mudou a vida de muitos que agora têm uns 20 anos é Harry Potter. Os livros da série levaram muitos a lerem outras coisas. Defendo a qualidade de Harry Potter em meu blog: http://livrosdenoe.blogspot.com/.