10 motivos para ler livros clássicos
19/08/2010Como se você precisasse de 10 bons motivos para ler os clássicos além de eles serem potencialmente divertidos… mas a mania de estar na crista da onda faz com que cada vez mais se leia apenas livros da última década. Porém, há muita coisa boa para ler com mais de cem anos.
Schopenhauer era mais radical e dizia que não se devia ler nada com menos de 50 anos. Claro que reclamava por não ser lido. Afinal, seus livros ainda não tinham chegado a essa idade.
Enfim. O site Pick The Brain publicou uma lista de como os clássicos podem expandir sua mente. Claro que esses são os motivos do autor desse blog – eu tenho outros e você também deve ter os seus.
A lista está em inglês, mas traduzo muito livremente aqui:
- Aumente seu vocabulário: muitas palavras usadas em livros antigos não são comuns hoje em dia. Um vocabulário maior dá a você mais ferramentas para se expressar melhor, ainda que prefira usar as palavras cotidianas.
- Melhore sua redação: ao ler, ainda que inconscientemente – isto é, sem que você precise se preocupar com isso -, você absorve um pouco do estilo do autor.
- Melhore seu modo de falar: você agora terá um vocabulário melhor, uma redação melhor e, portanto, articula melhor os pensamentos. Se articula melhor o pensamento, articula melhor a fala.
- Tenha novas idéias: os clássicos, por definição, vem do passado, mas – ora – todo mundo está lendo os mesmos blogs, os mesmos best-sellers e as mesmas porcarias escritas no mês passado. As idéias contidas em um clássico são antigas, mas muitas vezes estão esquecidas. Um leitor criativo e crítico, saberá dar o verniz de originalidade e contemporaneidade a elas.
- Tenha perscpectiva histórica: o que é bom hoje, pode ser esquecido amanhã. Mas há uma razão para os clássicos terem permanecido tanto tempo por aí. Não dependa tanto da crista da onda.
- Divirta-se: não deixe que a linguagem antiga seja uma barreira. O melhor motivo para ler um livro é diversão. Há quem discorde, mas – para mim – as outras razões vêm depois.
- Sofisticação: nada mais fútil do que ler pensando apenas em enriquecer sua conversação com alguma citação esnobe, mas, enfim, se é o seu caso, nada como tirar da manga aquela frase famosa de Dom Quixote para arrematar um argumento.
- Ser mais seletivo: com o tempo você vai deixar de querer qualquer livro ruim. Por que perder tempo com porcarias, ou apostá-lo no incerto, se você já sabe o que é bom para você?
- Desenvolva uma voz distinta: se você lê blogs demais e clássicos de menos, tem desperdiçado a chance de ter um estilo que se destaque em relação ao de outras pessoas que trabalham com a palavra escrita.
- Aprenda idéias atemporais: existe uma crença errônea de que o novo é sempre melhor que o antigo e de que as idéias passadas não são aplicáveis ao presente. Muitas vezes, a novidade não passa da deturpação da antigüidade. Ao ler os clássicos, você entra em contato com conhecimentos que estão de acordo com aqueles que os criaram, sem que nada tenha sido suprimido, acrescentado ou alterado.





20 comentários
Acho que a importância de ler clássicos é total, no caso de Dom Quixote de Cervantes, mesmo após quatrocentos anos de sua publicação, a história ainda é representativa e fiel à essência do homem. Esta essência permanece exatamente a mesma, apesar da anestesia atual provocada pelo excesso de informação e falta de formação. Segundo o crítico Harold Bloom: “Dom Quixote continua sendo o trabalho de ficção em prosa mais avançado que existe.”
Resposta: Aí é que está. Há um motivo para que tais obras permaneçam. Talvez seja a essência humana nelas presente. E com esse ingrediente qualquer texto passa pelo aval do melhor crítico, o tempo. Abraços!
Concordo com todos, todos os argumentos. Não tenho nem o que acrescentar agora.
A parte do “divirta-se” lembrou-me de uma entrevista do Rubem Alves que ouvi esses dias: “literatura serve pra que? pra nada. Literatura é vagabundagem, serve pra você rir, chorar, se emocionar, ser tocado por aquilo”.
Beijos
Resposta: Durante algum tempo eu pratiquei yôga. O mestre de minha linha, Mestre DeRose, ao ser perguntado para que serve o yôga, respondia:
- Para nada.
Acho que isso, casa com seu comentário.
Beijos.
Bons conselhos, mas acho que tu deu uma enchida de linguiça para chegar no cabalístico 10.
Os itens 2, 6 e 8 servem para qualquer livro, não só os clássicos. 1 e 2 formam um item só.
Enfim… bom post de incentivo.
Resposta: Isso é o que dá ser fiel à fonte, não é João? Bem que eu devia ter mudado tudo mesmo…
Abraços!
é… os clássicos são clássicos exatamente por terem atravessado barreiras culturais e temporais (gente, que estranho – soa como atravessar temporais). acho que ainda existem exatamente por fazerem sentido até hoje. só uma coisa me incomoda: muitos deles só chegaram até nós por causa de cânones que filtraram tudo que deveríamos ler (ou o que era considerado “bom” para cada época). tenho certeza de que muita coisa já foi escrita e que valeria a pena ser lida, mas que nós nunca vamos conhecer. mas até isso tbem reflete pensamentos das diferentes épocas.
fora esse meu comentário virginiano, aposto sempre nos clássicos. pra tudo isso que a lista exemplifica… acho que já falei aqui: em caso de emergência, releio joyce…
Resposta: Esse é uma pergunta importante. Que obras deixaram de chegar até nós porque sua própria época não permitiu? Melhor nem pensar nisso. Beijos.
Viva os clássicos! Adoro Balzac, acho até que suas mulheres em muitos aspectos são muito atuais.
Resposta: Um de meus livros preferidos é de Balzac: As Ilusões Perdidas… beijos do Ale.
Este ano li bastante Shakespeare, Alighieri, Decameron e tragédias gregas, todos clássicos.
Mas nem por isso deixei de ler atualidades como Pamuk ou Zusak.
Concordo com a lista, mas creio que seu ponto falho seja, de certa forma, em desprezar as obras que estão sendo produzidas hoje.
Os novos autores estão mostrando técnicas incríveis que não ficam nenhum pouco atrás dos clássicos.
Resposta: Oi, André. Tenho certeza de que há vantagens em ler livros recentes e elas ficariam ótimas em uma lista como 10 motivos para ler obras recentes. Nesta não tem como, né?
Abraços!
Boa, Alessanro. E vc consegue listar 3 – ou 1 – motivo para não ler os clássicos?
Resposta: Até poderia, mas a maioria das pessoas já encontram tantos motivos para evitar a leitura – e falo daqueles que por acaso venham parar aqui neste artigo e não dos leitores habituais – que dar mais uma razão para não ler o que quer que seja seria desserviço ;-)
Abraços do Ale, Eduardo.
O que falar do velho russo?!
Crime e castigo desvenda a alma humana… é um clássico atual.
Resposta: Há escritores que já seria grande coisa se lêssemos apenas sua obra completa e mais nada… é o caso dele, não?
Os clássicos são clássicos! Nem precisaria de mais motivos além desse para lê-los, mas o Alessandro conseguiu citar uns interessantes aí. Acho que o interessante é so tomar cuidado para mesclar as leituras do chmado cânone com as da atualidade. O post me lembrou o ensaio “por que ler os clássicos?” do Calvino, que exalta a importância dos “velhinhos” da literatura também.
abraço!
Concordo em parte com o que a maioria diz .Somente discordo também em parte do que diz o item10 acima citado, pela simples razão de que é digamos sem lógica comparar estilos tão diferentes.Não acho que seja melhor o antigo ou o novo.Ambos têm seu valor e caracteristica própria de sua epóca.Nem bom nem ruim. Diferente e só.
Sou fã dos classicos , e o item8 fala tudo pois depois que comecei a ler classicos não parei ja não perco meu tempo,com aqueles livrinhos bobos de roamance. Meus preferidos são de Shakesper, PLatão.Estou lendo Maquiavel e estou achando interessante ,queria ler Utopia de Thomas More, só q não encontro, sera q vai valer apena continuar procurando . Parabens ainda não conhecia este cantinho ADOREI.
Esse site é um sonho, é tudo o que eu estava procurando, sou professora de portugues e estava procurando sobre a prática e o hábito da leitura que pretendo trabalhar com meus alunos que não querem ler… obrigado pelas dicas, e parabéns por esse site tão bacana, pois é tudo que preciso.
Francisca porto
Não há motivo maior que, simplismente, se divertir!!!
Eu nunca li livros clássicos, mas com todos esses benefícios, começarei a ler.
Este livroo éé PERFEITO,”
muitoo bom; adoreooooo-* …
bjoooos;*(=
Gente, eu tenho uma prova amanha e li “Os Miseraveis” – preciso responder a seguinte questao: Em sua opiniao, por que devemos ler clássicos?
O QUE EU RESPONDO, PELO AMOR DE DEUS
Passei minha infância e juventude lendo e devorando os Clássicos da literatura Universal e da literatura Nacional.
Foram ferramentas fantásticas para minha formação.
Hoje vejo que a maioria das pessoas não gosta de ler.
Então, como aumentar seu vocabulário para se expressar melhor e compreender melhor os textos?
Aumente seu Vocabulário brincando de estudar com o software “Aumentando seu Vocabulário” – http://www.softwareebookecia.com
Vale a pena.
É bárbaro e os resultados são surpreendentes.
Nada como se aventurar pelos ares da literatura clássica, o fundamento de livros assim ultrapassa o mero fator cronológico e se perde na quarta dimensão espacial(relatividade geral) atravessando gerações, emocionando corações, inspirando idéias(irmaos karamazov e sua influência na psicalise freudiana) enfim é realmente uma aventura singular se enveredar pelas páginas da literatura clássica.
Duas dicas despretensiosas : Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévsk) e Os Miseráveis ( Victor Hugo).
Saudações amigão e parabéns pelo blog.
“Inúmeras vezes ouvimos os homens falar como se o estudo dos clássicos fosse finalmente dar lugar a estudos mais modernos e práticos. Todavia, o estudante ousado sempre estudará os clássicos, seja qual for a língua em que estejam escritos e por mais antigos que possam ser. O que são os clássicos, enfim, senão o registro dos mais nobres pensamentos do homem? Os únicos oráculos que não decaíram são essas obras.”
Henry David Thoreau
Os colaboradores phállicos não se arrogam o título de eruditos. Somos apenas mochileiros, perambulando prazenteiramente por um universo vasto em cultura. E é para mochileiros como nós que indicamos a leitura dos clássicos. Até porque a produção dos últimos trinta dias não se pode comparar com a dos últimos trinta séculos.
Primeiramente deixo claro que clássico não é sinônimo de velho. E o digo não apenas porque há clássicos contemporâneos surgindo diuturnamente, mas principalmente porque a obra que pode ser chamada clássica é aquela que jamais envelhecerá. Traz em si uma eterna juventude, pois o que traz de primevo, de selvagem e sublime, imprime-lhe uma potência jovial que resiste até mesmo ao próprio fim.
Há poucos dias comprei um cd de Rossini, pensando que nunca ouvira sua música. De repente, todas as músicas que ouço são minhas velhas conhecidas. Sim, o clássico continua existindo para além de si mesmo. Para além de seu autor, para além de seu meio original, de sua cultura. Poucos sabem quem é Jonathan Swift, muitos sabem quem é Gulliver e praticamente todos já leram, ouviram, viram ou polimidiatizaram paráfrases da história do viajante que encontrou seres diminutos e seres gigantescos em suas viagens. Ao longo dos séculos Ulisses sobrepujou Homero, Dom Quixote se tornou mais real que Cervantes.
Tais obras ultrapassam a ideia de posse. Não pertencem a uma classe, a uma faixa etária, a uma etnia, a uma religião ou a uma nação. Por tocar aquilo que jaz mais encoberto, por denunciar o que há de mais evidente na universalidade do gênero humano, os clássicos são universais. Por pertencer a todos, o clássico não pertence a ninguém.
Obras clássicas são aquelas que sobrevivem às desavenças entre povos e nações, às agruras do fogo e da guerra, aos desmandos dos poderes, às disparidades entre as línguas. À indiferença do tempo. Ultrapassam o preconceito e a intolerância. O clássico é como uma semente guardada no tronco de uma árvore arrostada ao mar. Espera apenas chegar à terra fértil para medrar.
É evidente que em seus meios originais tais obras carregam uma maior profundidade, uma maior carga de expressão. Tais icebergs, contudo, mantêm suas pontas emersas na superfície do oceano da cultura universal. Muitos formam verdadeiras ilhas ou mesmo continentes, nos quais o mochileiro da cultura deverá necessariamente desembarcar, ou terá singrado os sete mares sem jamais ter conhecido as maravilhas dos portos ou a beleza selvagem das ilhas.
Livros são sempre muito bem-vindos e os tenho em minha companhia desde a mais tenra idade. Aliás, se hoje sou um jornalista/escritor/redator de destaque em minha área foi devido ao meu apego aos livros. Nem seu o que seria de mim sem a minha paixão pela palavra impressa.
Ah, a cada ano que passa, você aprimora seu blog e o torna ainda mais interessante. Este é um lugar onde sempre encontrei boas dicas. Thanks!
11 Trackbacks
[...] O Alessando Martins publicou em seu blog o post “10 motivos para ler livros clássicos“. [...]
[...] de ler os 10 motivos para ler os clássicos que publiquei ontem e em que traduzo um tanto livremente o artigo do site Pick The Brain, o André [...]
[...] “10 motivos para ler livros clássicos“, post do Alessandro [...]
[...] ao menos um desafio para cada ano: escolha uma grande obra que ainda não tenha lido e comprometa-se a [...]
[...] O Alessando Martins publicou em seu blog o post “10 motivos para ler livros clássicos“. [...]
[...] Eles resistiram à prova do tempo, nos dão um panorama do mundo desenvolvendo-se através de diferentes épocas e muito provavelmente serão relevantes até um futuro distante. Quer mais motivos para ler os clássicos? O Alessandro listou dez! [...]
[...] Fonte: http://www.alessandromartins.com [...]
[...] no Google sobre os clássicos da literatura universal, eu achei esse post com 48 indicações e esse com 10 motivos para ler os clássicos. Confesso que alguns(como biografias e históricos) não me [...]
[...] Aprenda idéias atemporais: existe uma crença errônea de que o novo é sempre melhor que o antigo e de que as idéias passadas não são aplicáveis ao presente. Muitas vezes, a novidade não passa da deturpação da antigüidade. Ao ler os clássicos, você entra em contato com conhecimentos que estão de acordo com aqueles que os criaram, sem que nada tenha sido suprimido, acrescentado ou alterado. via: Livros e Afins [...]
[...] Créditos: Livros e afins.com [...]
[...] blog Livros e afins po Alessandro Martins Arquivado em: Bibliotecas e Leitura I [...]